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Suprema Corte dos EUA revoga direito constitucional ao aborto

Com a decisão, estados federativos poderão decidir livremente sobre o tema

Suprema Corte dos EUA revoga direito constitucional ao aborto
Suprema Corte dos EUA revoga direito constitucional ao aborto
Ativistas se mobilizam em torno da questão do aborto nos Estados Unidos. Foto: Win McNamee/Getty Images/AFP
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A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou, nesta sexta-feira 24, o direito fundamental ao aborto no país. A mudança de posicionamento, que já havia sido prevista com o vazamento do rascunho da decisão, permitirá que os estados federativos decidam livremente sobre o tema. 

A virada conservadora no país, que revoga o entendimento consolidado há quase 50 anos no caso Roe vs. Wade, deverá reduzir drasticamente, ou até mesmo proibir, o procedimento apontado pela OMS como fundamental para a igualdade e independência das mulheres. 

Segundo um dos magistrados que votou a favor da revogação, o caso que abriu o precedente para a legalização do aborto estava errado desde o início. 

“Roe estava flagrantemente errado desde o início. Seu raciocínio foi excepcionalmente fraco e a decisão teve consequências danosas. E longe de trazer um acordo nacional para a questão do aborto, Roe e Casey inflamaram o debate e aprofundaram a divisão”, disse o juiz Samuel Alito. “É hora de prestar atenção à Constituição e devolver a questão do aborto aos representantes eleitos do povo”, concluiu. 

A votação encerrou em seis votos favoráveis à revogação contra três. 

A decisão era a mais esperada dos últimos tempos, visto que em maio houve um vazamento do projeto de opinião indicando que a maioria dos juízes da Corte pretendia modificar o entendimento do precedente. A mudança só foi possível após o ex-presidente Donald Trump indicar três juízes conservadores para a Corte.

Os magistrados mudaram o posicionamento ao avaliar a constitucionalidade de uma lei do estado do Mississippi, que proibia quase todas as modalidades de aborto após 15 semanas de gestação.  A lei estadual não estava em vigor por estar em desacordo com o direito ao aborto estabelecido pelo caso Roe vs. Wade. 

A decisão vai contra o atual cenário político norte-americano, controlado pelos democratas, que apoiam as proteções ao aborto. 

Com o novo entendimento, 13 estados estão prontos para proibir o procedimento em 30 dias. A maioria das leis estaduais prevê a possibilidade de interrupção da gestação quando há risco para a mãe, mas não incluiu exceções para casos de violência sexual. 

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