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Portugal: Covid pode isolar cerca de 400 mil eleitores no dia das eleições gerais

O apelo dos partidos é para que, com o aumento dos casos e as previsões para o dia do pleito, as pessoas votem antes para não correrem o risco de perder a eleição

Outdoor de campanha regional do bloco da esquerda, em Portugal.

Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP
Outdoor de campanha regional do bloco da esquerda, em Portugal. Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP
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Um relatório da Ordem dos Médicos de Portugal e do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa estima que em 30 de janeiro, dia das eleições legislativas, 400 mil pessoas devem estar em isolamento por causa da covid-19. O número pode englobar até 2,3% do total de eleitores do país, que tem 10,8 milhões de pessoas aptas a votar.

O documento prevê também que o pico da quinta onda da pandemia no país pode ocorrer entre 20 e 24 de janeiro, com o número de casos diários de Covid-19 podendo chegar aos 50 mil. Em entrevista ao jornal português Público, o presidente da Ordem dos Médicos destaca que, no final do mês de janeiro, “toda a população residente em Portugal terá já algum tipo de imunidade”.

“Por um lado, porque as pessoas estão vacinadas, e por outro lado, porque esta variante ômicron é muito mais infecciosa do que a variante anterior e isso significa, na prática, que o número de pessoas que vão ser imunizadas de forma natural vai ser muitíssimo elevado”, diz o médico Miguel Guimarães.

Voto a voto

As eleições do próximo dia 30 foram convocadas pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa depois que o atual primeiro-ministro António Costa, do Partido Socialista, eleito em 2019, não conseguiu aprovação da proposta do Orçamento de Estado para 2022 no parlamento, na votação do último mês de outubro.

Enfrentando uma certa tensão política, os partidos não querem desperdiçar nenhum voto, já que não é obrigatório e o índice de abstenção é considerado alto – chegou a 45% nas últimas legislativas. Os candidatos começaram a apelar para um mecanismo já existente, o chamado “voto em mobilidade”, uma solução que garante que quem não vai estar no seu local de voto no dia da eleição pode votar uma semana antes.

O apelo dos partidos é para que, com o aumento dos casos e as previsões para o dia do pleito, as pessoas votem antes para não correrem o risco de perder a eleição. Em apenas dois dias, se inscreveram duas vezes mais eleitores para o voto antecipado do que nas eleições legislativas de 2019. Até agora, quase 138 mil pessoas vão poder votar antes do dia 30. Dois anos atrás, foram pouco mais de 56 mil.

A campanha eleitoral começou nesta segunda-feira (17). Todos os candidatos vão manter uma intensa agenda de viagens pelo país. O que muda por causa da pandemia é que a prioridade é para eventos com os eleitores ao ar livre, sem almoços ou jantares para convidados. Uma atividade muito popular no país, as “arruadas”, quando os candidatos desfilam a pé em ruas bem populares e cercados por milhares de apoiadores, já estão canceladas.

Nenhuma mudança para a vacinação contra a Covid-19 foi prevista no calendário geral para a população até o dia 30, mas já houve dois dias dedicados para a aplicação antecipada das doses de reforço de mesários e outros profissionais envolvidos nas eleições, como agentes de segurança. Ao todo, 4 milhões de doses de reforço foram administradas até agora e mais de 300 mil crianças da faixa dos 5 aos 11 anos foram imunizadas.

Contaminações em alta

De acordo com o último boletim, Portugal está com uma incidência de casos alta, quase 4 mil doentes a cada cem mil habitantes. A incidência entre crianças até os 9 anos tem aumentado. Um caso que tem mobilizado atenção das autoridades e da mídia é o de um menino de seis anos que morreu este fim de semana. Ele apresentou sintomas de Covid-19 no sábado (15), fez o teste, que deu positivo, e morreu horas depois no hospital universitário Santa Maria, em Lisboa.

As autoridades agora investigam a causa da morte. O hospital divulgou que o menino deu entrada na unidade com um quadro de parada cardiorrespiratória. Ele tinha tomado uma dose de vacina. Em nota divulgada esta segunda-feira (17), o Infarmed, que é a autoridade reguladora de medicamentos em Portugal, informou que uma possível reação adversa está sendo apurada. “Confirmamos que recebemos a notificação de suspeita de reação adversa e que a mesma se encontra a ser tratada pelo Infarmed em conjunto com a Unidade Regional de Farmacovigilância de Lisboa, Setúbal e Santarém”.

RFI

RFI
Rádio pública francesa que produz conteúdo em 18 línguas, inclusive português. Fundada em 1931, em Paris.

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