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Jornal francês critica ausência de Emmanuel Macron na Cúpula da Amazônia

‘Essa ausência é incompreensível’, diz o diário francês Libération

O presidente da França, Emmanuel Macron. Foto: Ludovic MARIN/AFP
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No momento de se mobilizar pela Amazônia, o que faz a França? A questão é levantada pelo jornal Libération, nesta terça-feira (8), por causa da ausência do presidente Emmanuel Macron, que tanto exalta a necessidade de proteção da floresta, na Cúpula da Amazônia. A decisão do líder francês de não participar do evento, mesmo após o convite do presidente Lula, é interpretada como um “desprezo” pelo diário progressista.

“Essa ausência é incompreensível, dada a importância dessa região: não é possível se declarar preocupado com os desafios ambientais e depois dar as costas a um evento como esse”, afirma o Libération. Na avaliação do jornal, a Cúpula da Amazônia não é apenas um evento simbólico.

“Trata-se de uma visão real do mundo que deve ser defendida durante esses dois dias, conforme preconizado pelos mais ardorosos defensores da floresta”, diz o texto. “Uma visão de mundo que não sacrifique a humanidade a longo prazo em nome dos lucros do petróleo, da mineração ou da agricultura, que só servem para alimentar o consumo excessivo e o esgotamento programado dos recursos naturais”, acrescenta.

Divergências sobre exploração do petróleo

O diário econômico Les Echos explica que os países da região devem adotar uma posição comum para levar à COP28, a próxima conferência das Nações Unidas, a ser realizada nos Emirados Árabes Unidos no final de novembro. Mas, em relação à exploração de petróleo, a Colômbia e o Brasil divergem. “O país andino é a favor da eliminação dos combustíveis fósseis, enquanto o governo de Lula ainda aposta no petróleo durante uma fase de transição, inclusive na bacia amazônica“, assinala o jornal francês.

Sobre este ponto, o espanhol El País acrescenta que a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Susana Muhamad, esclareceu que não é certo que barreiras para a extração de petróleo façam parte da declaração final do encontro. Segundo ela, “a posição de Gustavo Petro é incentivar os congressistas colombianos a apresentar um projeto de lei sobre o assunto nesta legislatura”.

De acordo com El País, essa cúpula será principalmente política, com a primeira visita ao exterior da presidente do Peru, Dina Boluarte, desde que assumiu suas funções há oito meses, e o retorno do venezuelano Nicolás Maduro aos fóruns internacionais, depois do longo isolamento provocado pela crise democrática na Venezuela.

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