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ONU reforça: Situação em Gaza é ‘catastrófica’ e deve piorar. Israel anuncia que intensificará bombardeios

O Exército israelense prepara a próxima fase de sua ofensiva contra o enclave palestino

Visão aérea da cidade de Al-Zahra, no sul da Faixa de Gaza, em 20 de outubro de 2023. Foto: Belal Alsabbagh/AFP
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A situação humanitária na Faixa de Gaza é catastrófica, com hospitais lotados e crianças morrendo “a um ritmo alarmante”, alertaram neste sábado 21 cinco agências da ONU.

A Organização Mundial da Saúde, o Programa Alimentar Mundial, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Fundo das Nações Unidas para a População reforçaram, em um comunicado, que a realidade no enclave já era “desesperadora” antes do conflito entre Hamas e Israel iniciado em 7 de outubro.

Está se esgotando o tempo até que as taxas de mortalidade disparem devido ao surgimento de doenças e à falta de capacidade de cuidados médicos”, diz o texto.

De acordo com as agências, “as crianças estão morrendo a um ritmo alarmante, privadas de seus direitos à proteção, à alimentação, à água e aos cuidados médicos”.

“Os hospitais estão lotados de feridos. Os civis têm cada vez mais dificuldade para ter acesso a alimentos essenciais.”

Neste sábado, o primeiro comboio de ajuda humanitária, com 20 caminhões procedentes do Egito, entrou pela passagem de Rafah, em Gaza, a única porta de entrada não controlada por Israel.

A ONU, porém, reforça que o auxílio desta manhã é insuficiente e pede pelo menos 100 caminhões por dia para os 2,4 milhões de habitantes de Gaza, privados de todos os itens essenciais.

Israel busca agravar o conflito

O Exército de Israel anunciou neste sábado que ampliará seus bombardeios sobre a Faixa de Gaza, em preparação para a próxima fase de sua ofensiva.

“A partir de hoje intensificaremos os bombardeios”, informou o general Daniel Hagari, porta-voz do Exército israelense.

Na última quinta-feira 19, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disse às tropas reunidas na fronteira de Gaza que, em breve, elas veriam o enclave palestino “por dentro”. A declaração reforça que a invasão terrestre, temida pela comunidade internacional, está a caminho.

Também neste sábado, a ONU destacou a necessidade de um “cessar-fogo humanitário” do conflito, iniciado há duas semanas com o ataque do Hamas contra Israel, uma ofensiva que deixou mais de 1.400 mortos.

Já os bombardeios israelenses contra Gaza mataram pelo menos 4.385 pessoas, segundo um balanço do Ministério da Saúde, controlado pelo Hamas.


Diplomacia

Neste sábado, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, cobrou respostas multilaterais sobre o conflito, durante uma cúpula convocada pelo Egito para discutir a crise humanitária em Gaza.

Em outubro, o Brasil ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Na próxima terça-feira 24, o País comandará o Debate Aberto Trimestral do grupo, a fim de discutir especificamente a guerra no Oriente Médio.

“Sugiro que continuemos essa conversa no mais alto nível possível, na tentativa de continuar buscando consenso para ação imediata”, disse o chanceler neste sábado. “A paralisia do Conselho de Segurança prejudica a segurança e a vida de milhões de pessoas. Isso não é do interesse da comunidade internacional.”

No início desta semana, os Estados Unidos vetaram no Conselho de Segurança um projeto de resolução liderado pelo Brasil que defendia uma pausa nos bombardeios israelenses para permitir o acesso humanitário à Faixa de Gaza.

Também condenava expressamente os “odiosos ataques terroristas” do Hamas e ressaltava que “os civis em Israel e no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, devem ser protegidos, de acordo com a legislação internacional”.

A resolução teve 12 votos a favor, o veto dos americanos e duas abstenções, incluindo a Rússia. Cinco países têm direito de veto: EUA, China, Rússia, França e Reino Unido.

“Apesar dos esforços, o Conselho de Segurança foi lamentavelmente incapaz de adotar uma resolução”, criticou Vieira. “No entanto, os muitos votos favoráveis que o projeto de resolução recebeu – 12 de 15 – provam o amplo apoio político a uma ação rápida por parte do conselho. Acreditamos que esta visão é compartilhada pela comunidade internacional em geral.”

(Com informações da AFP)

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