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Governo da Rússia diz que drone americano caiu ‘após uma manobra brutal’ no Mar Negro

Moscou alegou que seus caças não atiraram nem tiveram contato com o aeronave; os EUA classificaram o episódio como ‘temerário’

Registro de um drone MQ-9 Reaper durante um teste em 2020. Foto: William ROSADO/US AIR FORCE/AFP
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O governo da Rússia negou nesta terça-feira 14 ter provocado a queda de um drone americano Reaper sobre o Mar Negro, ato que os Estados Unidos classificaram de “temerário”. Moscou admitiu, porém, que dois de seus caças interceptaram a aeronave.

“Após uma manobra brutal, o drone MQ-9 iniciou um voo descontrolado, com perda de altitude, e se chocou com a superfície da água”, divulgou o Ministério da Defesa russo. A pasta acrescentou que os caças não atiraram nem tiveram contato com o drone.

O general James Hecker, comandante da Força Aérea americana na Europa, afirmou, por sua vez, que o drone “realizava operações de rotina no espaço aéreo internacional quando foi interceptado e atingido por um avião russo, o que resultou em um acidente e na perda total do MQ-9”.

“Trata-se de um ato perigoso e não profissional da parte dos russos”, disse o general, acrescentando que “os drones dos Estados Unidos e de seus aliados continuarão a operar no espaço aéreo internacional”. Além disso, ele convocou os russos a “se comportarem de forma segura e profissional”.

“As ações agressivas das tripulações russas poderiam resultar em erros de cálculo e em uma escalada involuntária”, advertiu o Exército americano.

A colisão parece ter ocorrido no espaço aéreo em frente à cidade ucraniana de Odessa, segundo o Instituto Naval dos Estados Unidos.

Em sinal de protesto, o embaixador russo em Washington foi convocado ao Departamento de Estado na tarde desta terça-feira, enquanto o embaixador americano em Moscou transmitiu um protesto por escrito ao Ministério das Relações Exteriores russo.

Interações no Mar Negro

O Mar Negro é uma área monitorada de perto pela Otan desde o começo da guerra na Ucrânia. O céu na região costuma ser palco de interações entre drones e aviões de países da aliança militar e das Forças Armadas russas.

Com a crise atual, houve um aumento das atividades de reconhecimento em direção à Crimeia “e, dependendo da situação, isso pode irritar os russos”, indicou à AFP um especialista francês que não quis ser identificado.

O drone Reaper, fabricado pela empresa americana General Atomics, é uma aeronave pilotada a distância do tipo Male (média altitude e longo alcance). O aparelho é equipado com sensores ultramodernos, para realizar operações de vigilância a uma velocidade de cruzeiro de 335km/h.

Com uma envergadura de 20 metros, o drone tem uma autonomia de mais de 24 horas de voo e pode transportar vários tipos de armamento, como bombas guiadas por laser ou GPS e mísseis Hellfire. Sua tripulação em terra é composta por quatro pessoas.

Além dos Estados Unidos, diversos Exércitos europeus contam com drones Reaper, entre eles os de Reino Unido, Itália, França e Espanha.

(Com informações da AFP)

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