Mundo

Ex-ministro da Economia disputará presidência da Bolívia, diz Morales

O ex-ministro é considerado o responsável pelo ‘milagre econômico’ boliviano e formará chapa com o ex-chanceler do país

Luis Arce, ex-ministro da Economia da Bolívia e candidato à presidência (Foto: AFP)
Apoie Siga-nos no

O ex-ministro da Economia Luis Arce será candidato à Presidência da Bolívia nas eleições de 3 de maio, formando chapa com o ex-chanceler David Choquehuanca, anunciou o ex-presidente Evo Morales no domingo 19 em Buenos Aires.

A chapa do partido do ex-presidente, o Movimento ao Socialismo (MAS), sindicatos e organizações afins, foi anunciada por Morales em coletiva de imprensa na capital argentina, onde está asilado há mais de um mês.

Arce é “uma combinação entre a cidade e o campo para continuar com o processo de mudança. Nosso movimento camponês não é excludente e não marginaliza”, disse Morales, que governou a Bolívia durante 14 anos até sua renúncia, em 10 de novembro.

“Luis Arce garante a economia nacional”, afirmou Morales. Foi durante o governo do ex-presidente que Arce ocupou o cargo de ministro da Economia e Finanças Públicas entre 2006 e 2017, e entre janeiro e novembro de 2019.

Tanto Arce quanto Choquehuanca viajaram a Buenos Aires para as deliberações, nas quais participaram cerca de 50 dirigentes do partido, de sindicatos e de movimentos sociais. No entanto, nenhum dos dois esteve presente na coletiva de imprensa.

Os candidatos serão formalmente anunciados em um ato em Buenos Aires na próxima quarta-feira. Pesquisas anteriores ao anúncio atribuíam ao partido MAS 20,7% das intenções de voto, acima dos demais. Em segundo lugar aparece o ex-presidente de centro Carlos Mesa, com 13,8%.

Crescimento econômico

Luis Arce, de 56 anos e originário de La Paz, é considerado o pai do chamado por alguns de “milagre econômico” boliviano, baseado em um modelo de desenvolvimento social comunitário produtivo.

A partir da nacionalização dos hidrocarbonetos, em 2006, que coincidiu com um boom sem precedentes dos preços do petróleo, a Bolívia começou a crescer a um ritmo de 4,9% ao ano e a pobreza extrema diminuiu de 38,2% em 2005 para 17,1% em 2018, segundo cifras oficiais.

Morales afirmou no domingo que, apesar da queda nos preços do petróleo, “a Bolívia é a primeira em crescimento econômico” na região. “Ampliamos o aparato produtivo. A direita tem muito medo do crescimento econômico”, assegurou o ex-presidente.

Coquehuanca, de 58 anos, foi chanceler de 2006 a 2017, quando assumiu a secretaria-geral da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA).

Durante sua gestão como chanceler, a Bolívia apresentou um pleito junto à Corte Internacional de Justiça de Haia reivindicando uma saída soberana ao oceano Pacífico. Mas o tribunal decidiu contra os interesses bolivianos em 2018, quando Choquehuanca já tinha deixado o cargo.

A Bolívia irá às urnas em 3 de maio próximo e um eventual segundo turno será realizado em 14 de junho. Morales renunciou à Presidência em meio à convulsão social após sua vitória no primeiro turno das eleições presidenciais em 20 de outubro, um pleito que foi suspenso depois que uma auditoria da OEA encontrou irregularidades em sua realização. O ex-presidente e demais apoiadores denunciam a ocorrência de um golpe de Estado.

A presidência interina foi assumida pela conservadora Jeanine Áñez, cujo cargo foi estendido recentemente pelo Tribunal Constitucional da Bolívia até que novas autoridades assumam após as eleições. Antes de se asilar na Argentina, Evo Morales passou cerca de um mês refugiado no México.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo