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Decreto não assinado de Trump ordenava ao Pentágono apreender máquinas de votação

Com data de 16 de dezembro de 2020, o decreto também previa a nomeação de um advogado especial para apresentar denúncias por qualquer denúncia de fraude derivada das apreensões

DONALD TRUMP, PRESIDENTE DOS EUA. FOTO: AFP
DONALD TRUMP, PRESIDENTE DOS EUA. FOTO: AFP
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Um mês após a derrota presidencial de Donald Trump em 2020, um projeto de decreto da Casa Branca, que não chegou a ser assinado, ordenava que o Pentágono apreendesse as máquinas de votação em todo os Estados Unidos, de acordo com documentos revelados nesta sexta-feira (21).

O texto, publicado pelo Arquivo Nacional e obtido pelo jornal Politico, destaca as medidas que Trump pode ter se disposto a tomar para se agarrar ao poder após a vitória de Joe Biden.

Com data de 16 de dezembro de 2020, o decreto também previa a nomeação de um advogado especial para apresentar denúncias por qualquer denúncia de fraude derivada das apreensões.

“Com efeito imediato, o secretário de Defesa apreenderá, coletará, reterá e analisará todas as máquinas, equipamentos, informações armazenadas eletronicamente e registros materiais”, diz o rascunho de três páginas.

Para justificar esse projeto, o documento lista uma série de teorias da conspiração – repetidamente desmentidas – sobre as máquinas eleitorais teriam sido hackeadas. Não se sabe quem escreveu o texto.

Trata-se de um dos mais de 750 documentos entregues ao comitê especial da Câmara dos Representantes que investiga o ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021, depois que a Suprema Corte rejeitou o recurso do ex-presidente para bloquear sua divulgação.

A comissão, formada principalmente por legisladores democratas, busca estabelecer a responsabilidade de Trump e seus aliados no ataque à sede do Congresso, na tentativa de impedir a certificação da vitória de Biden.

Entre os alvos dos investigadores está o advogado Sidney Powell, que declarou a repórteres que a eleição havia sido objeto de “dinheiro comunista por meio da Venezuela, Cuba e provavelmente China”.

Powell e o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani tentaram sem sucesso fazer com que os tribunais rejeitassem os resultados das eleições nos estados chave, nas semanas após a derrota do magnata republicano.

O ex-presidente e seus aliados passaram meses insistindo em falsas alegações de fraude generalizada, apesar de membros de seu próprio governo dizerem que foi a votação mais segura da história dos EUA. As acusações também foram rechaçadas pelo procurador-geral indicado por Trump, Bill Barr.

Um ano depois de deixar oficialmente o poder, Trump afirma que a eleição de 2020 foi “roubada” dele. Segundo pesquisas de opinião, mais da metade dos eleitores republicanos concordam com ele.

AFP

AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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