Justiça

STJ federaliza investigação de mortes em presídio no Maranhão

Relator apontou ‘ausência de esforço coletivo’ para solucionar os crimes

STJ federaliza investigação de mortes em presídio no Maranhão
STJ federaliza investigação de mortes em presídio no Maranhão
Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Por unanimidade, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu federalizar as investigações sobre seis homicídios e um caso de desaparecimento ocorridos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, entre 2013 e 2014.

Os ministros acolheram um pedido da Procuradoria-Geral da República, que, ao defender o deslocamento de competência, apontou a incapacidade do sistema estadual de conduzir a apuração dos crimes.

Prevaleceu na Terceira Seção o entendimento do relator Rogério Schietti, que classificou o caso como uma “grave violação de direitos humanos” com “requinte de crueldade e desprezo da dignidade humana”.

À época, o presídio passava por uma série de rebeliões em decorrência da superlotação — 45 detentos morreram em 2013 e 16 no ano seguinte. Houve registros de esquartejamento e até de decapitação.

“O Estado falhou no dever de segurança”, afirmou o ministro em seu voto. “O denominador comum é a ausência de esforço coletivo para elucidar os crimes.”

Schietti citou também a instauração tardia ou a inexistência de inquéritos, a superficialidade de investigações realizadas e o arquivamento imaturo de apurações.

Em 2014, a Corte Interamericana de Direitos Humanos aplicou medidas contra o Brasil por esse caso. Com o deslocamento de competência, a investigação ficará a cargo da Justiça Federal do Maranhão.

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