Sônia Guajajara é intimada a depor na PF após acusação da Funai

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil classificou o episódio como 'perseguição'. Funai mira em websérie sobre Covid-19 nas aldeias

A Coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara (Wilson Dias/Agência Brasil)

A Coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara (Wilson Dias/Agência Brasil)

Justiça

A Polícia Federal intimou a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, a prestar esclarecimentos sobre a web-série Maracá, publicada pela Apib, que é alvo de um pedido de inquérito feito pela Funai.

A acusação da Funai é que o conteúdo “difamaria” o governo federal e suas políticas voltadas aos povos indígenas.

A série foi lançada ao longo de 2020 e fala do enfrentamento à Covid-19 nas aldeias, além de tecer críticas ao discurso do governo de Jair Bolsonaro que, por mais de uma vez, defendeu a legalização da mineração em terras demarcadas e registrou, em sua gestão, recordes de desmatamento e queimadas na floresta amazônica.

Nas redes sociais, Guajajara confirmou a intimação e definiu o ato da Funai como perseguição. A Apib, em nota, declarou que “o governo busca intimidar os povos indígenas em uma nítida tentativa de cercear nossa liberdade de expressão, que é a ferramenta mais importante para denunciar as violações de direitos humanos”.

 

 

 

CartaCapital fez um pedido de nota à Funai, que ainda não se manifestou.

Com a vacinação ainda não completa e diversas denúncias e dados de que a pandemia acelerou a expansão da ocupação de terras indígenas por grileiros e garimpeiros, a Apib já registrou 1059 óbitos de indígenas ao redor do Brasil, além de mais de 53 mil casos de infecção confirmados.

O dado difere do fornecido pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, que contabiliza apenas indígenas aldeados em seu levantamento.

 

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