Justiça
Sônia Guajajara é intimada a depor na PF após acusação da Funai
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil classificou o episódio como ‘perseguição’. Funai mira em websérie sobre Covid-19 nas aldeias
A Polícia Federal intimou a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, a prestar esclarecimentos sobre a web-série Maracá, publicada pela Apib, que é alvo de um pedido de inquérito feito pela Funai.
A acusação da Funai é que o conteúdo “difamaria” o governo federal e suas políticas voltadas aos povos indígenas.
A série foi lançada ao longo de 2020 e fala do enfrentamento à Covid-19 nas aldeias, além de tecer críticas ao discurso do governo de Jair Bolsonaro que, por mais de uma vez, defendeu a legalização da mineração em terras demarcadas e registrou, em sua gestão, recordes de desmatamento e queimadas na floresta amazônica.
Nas redes sociais, Guajajara confirmou a intimação e definiu o ato da Funai como perseguição. A Apib, em nota, declarou que “o governo busca intimidar os povos indígenas em uma nítida tentativa de cercear nossa liberdade de expressão, que é a ferramenta mais importante para denunciar as violações de direitos humanos”.
Fui intimada pela PF, como representante da @apiboficial, para depor em um inquérito por conta da websérie Maracá. A perseguição desse governo é inaceitável e absurda! Eles não nos calarão!
— Sonia Guajajara (@GuajajaraSonia) April 30, 2021
CartaCapital fez um pedido de nota à Funai, que ainda não se manifestou.
Com a vacinação ainda não completa e diversas denúncias e dados de que a pandemia acelerou a expansão da ocupação de terras indígenas por grileiros e garimpeiros, a Apib já registrou 1059 óbitos de indígenas ao redor do Brasil, além de mais de 53 mil casos de infecção confirmados.
O dado difere do fornecido pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, que contabiliza apenas indígenas aldeados em seu levantamento.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.


