Sustentabilidade

Alertas de desmatamento na Amazônia dobram em dois anos e batem recorde com Bolsonaro

Período consolidado entre agosto de 2019 e julho de 2020 pode apresentar maior taxa de desmatamento desde 2006, temem especialistas

(Foto: Ibama) (Foto: Ibama)
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O Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) atualizou, nesta sexta-feira 07, os dados que fecham o primeiro ciclo consolidado de desmatamento sob o governo do presidente Jair Bolsonaro.

O cenário é grave: de agosto de 2019 a julho de 2020, houve um aumento de 34,5% nos alertas de desmatamento na Amazônia, o que configura um pulo de 9.205 km² desmatados em comparação com o mesmo período 2018-2019. Essa é a maior taxa dos últimos cinco anos, e representa o dobro do registrado entre 2017-2018.

Os dados foram coletados pelo sistema de alertas Deter, que compila informações entre agosto e julho de cada ano e depois tem esses números corrigidos por outro sistema, o Prodes.

Dessa forma, mesmo com então recorde do biênio 2018-2019, que registrou a perda de 10.129 km² e bateu números desde 2008, o período que se encerra agora será o primeiro totalmente sob a gestão ambiental de Bolsonaro, já que o segundo semestre de 2018 ainda contava com o ex-presidente Michel Temer (MDB) no poder. A análise do Prodes tem previsão de sair até novembro.

Compilado de alertas de desmatamento no período de um ano: número aproximadamente dobrou de 2017-2018 para 2019-2020, como mostra o gráfico (Imagem: Deter/Inpe)

Para analistas que integram a organização Observatório do Clima, há dois agravantes que surgem no cenário atual: 2019-2020 deve ser o segundo período com crescimento de mais de 34% na devastação da Amazônia, e isso vem mesmo após três meses da presença das Forças Armadas na floresta.

Além disso, ao considerar a variação entre os dados do Deter e do Prodes e a “correção” que o segundo sistema fez no monitoramento por alertas, “poderemos ter cerca de 13.000 quilômetros quadrados de desmatamento, a maior taxa desde 2006 e três vezes mais do que a meta da Política Nacional de Mudança do Clima para 2020.”, diz a análise dos pesquisadores.

A queda registrada de junho para julho de 2020 chegou a ser comemorada ontem pelo vice-presidente Hamilton Mourão nas redes sociais, que se adiantou à divulgação do Inpe e publicou dados ligeiramente menores do que os indicados no portal do órgão.

Mourão fala em “inversão de tendência” e atribui o sucesso à Operação Verde Brasil 2. Porém, essa é a primeira queda em treze meses de consecutiva escalada nos alertas, e julho de 2020 está registrado como o segundo pior dos últimos cinco anos, perdendo apenas para julho de 2019.

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani É repórter do site de CartaCapital.

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