Justiça

Parecer da PF à PGR defende inquérito contra sócia de ONG que produziu ‘Dark Horse’

A notícia de fato foi apresentada por parlamentares do PT na noite desta quarta-feira 10, na sede da Superintendência da PF

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Gama experimentou sucesso fulminante nos últimos anos
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A Polícia Federal enviou à Procuradoria-Geral da República, nesta quinta-feira 11, um parecer orientando a abertura de inquérito contra Karina Gama devido a suposto envolvimento em esquema interestadual de desvio de recursos públicos. A empresária é dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme ‘Dark Horse‘, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A notícia de fato foi apresentada por parlamentares do PT na noite desta quarta-feira 10 na sede da Superintendência da PF. O documento baseou-se em reportagem publicada pelo Intercept Brasil na segunda-feira 8. Na matéria, o jornal revelou que a ONG Instituto Conhecer Brasil, de Karina, desviou recursos do Sesi em oito estados, segundo dados da Controladoria-Geral da União.

Auditorias da CGU demonstraram que o ICB teria atuado como entidade de fachada para obter recursos do Sistema S.

Entre 2017 e 2018, o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (CN-Sesi) teria repassado aproximadamente 11 milhões de reais ao instituto para realização da ‘Feira da Cidadania’ nos estados de Goiás, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Tocantins, Maranhão e Bahia.

Além desses sete estados, o instituto também recebeu verbas para o projeto ‘Fórmula Truck Kids’, mas este foi realizado somente no Distrito Federal. Por meio de notas fiscais fraudulentas e entregas fictícias, desviava parte significativa do dinheiro para empresas de um mesmo núcleo operacional.
Ao menos 2,4 milhões de reais teriam sudo superfaturados. Os documentos da CGU demonstram que dos 350 mil reais destinados ao projeto oferecido no DF, apenas 80 mil reais teriam custeado o evento, restando indicativo de superfaturamento direto de 270 mil reais.
No RN, por exemplo, teriam sido cobrados 20 banheiros químicos e 48 refletores de palco, embora os registros fotográficos demonstrassem apenas sete cabines sanitárias e dez refletores. No Tocantins, haveria aproximadamente 93 mil reais em despesas sem comprovação documental.

As auditorias da CGU teriam identificado ainda que o ICB não possuía estrutura operacional compatível com os contratos firmados, figurando como CNPJ sem empregados registrados, sem capital social expressivo e sem veículos, sendo utilizado para contratar com o CN-Sesi e transferir integralmente os recursos recebidos a uma rede de empresas também sediadas no DF.

A notícia de fato foi assinada pelos deputados federais do PT Pedro Uczai (SC), Erika Kokay (DF) e pelo vereador Nabil Bonduki (SP).

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