Justiça
Papudinha já está pronta para receber Bolsonaro, caso Moraes assine a ordem
Cabe ao ministro do STF, relator da execução penal do ex-presidente, decidir se prorroga ou revoga a domiciliar
A estrutura que recebeu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, foi mantida pronta para um eventual retorno. O espaço segue reservado enquanto o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decide se prorroga ou não a prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente por 90 dias.
O benefício termina na quinta-feira 25. Caso Moraes entenda não haver motivos para estender a medida, Bolsonaro deverá voltar à unidade onde permaneceu preso antes de ser autorizado a cumprir a pena em casa por motivos de saúde.
A cela foi preservada e passa por limpeza periódica, com roupas de cama higienizadas em dias programados para permanecer em condições de receber novamente o ex-presidente.
A unidade destinada a Bolsonaro tem 64,83 metros quadrados de área total, sendo 54,76 metros quadrados de área coberta e 10,07 metros quadrados de área externa privativa. O espaço é dividido em quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e uma área externa exclusiva.
Entre os equipamentos disponíveis estão cama de casal, geladeira, armários, televisão e cozinha equipada para o preparo e armazenamento de alimentos. O local também conta com banheiro equipado com chuveiro elétrico.
Durante a permanência na Papudinha, os presos recebem cinco refeições por dia: café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia. O espaço externo permite banho de sol com privacidade e sem restrição rígida de horário. Na decisão que determinou a transferência de Bolsonaro para o batalhão, em janeiro, Moraes destacou ainda que o local comporta a instalação de equipamentos para fisioterapia e exercícios, como esteira e bicicleta ergométrica.
As visitas podem ocorrer tanto na área interna quanto na parte externa da unidade, em horários previamente estabelecidos. O batalhão também dispõe de posto de saúde com equipe formada por médicos clínicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeuta, psicólogos, assistente social, psiquiatra, farmacêutico e técnicos de enfermagem.
‘Papudinha’ vista de cima – Reprodução/Google Maps
Bolsonaro foi transferido para a Papudinha em janeiro, após deixar a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Na ocasião, Moraes afirmou que a mudança atendia a pedidos da defesa relacionados às condições da custódia e permitiria a realização de sessões de fisioterapia no período da noite, além de oferecer melhores condições para o tratamento médico.
Em março, o ministro autorizou a prisão domiciliar humanitária por 90 dias, após Bolsonaro ser internado com broncopneumonia. A decisão teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e levou em consideração o estado de saúde do ex-presidente.
Agora, além dos novos laudos médicos apresentados pela defesa, Moraes deverá analisar o comportamento de Bolsonaro durante o período em casa. Entre os fatos recentes está a apreensão de uma pistola registrada em nome do ex-presidente que estava sendo transportada por um militar de sua equipe de segurança, episódio sobre o qual o ministro determinou que Bolsonaro prestasse esclarecimentos.
A Papudinha, localizada ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, é destinada principalmente a policiais militares que ainda mantêm vínculo com a corporação, militares presos preventivamente e civis com direito à Sala de Estado-Maior, como advogados e algumas autoridades. No mesmo local permanecem presos, em unidades separadas, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, ambos condenados pelo STF na trama golpista.
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