Justiça
O tema-chave do primeiro relatório da PF sobre o caso Master
O material será entregue ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, até o final de agosto
A Polícia Federal pretende entregar o primeiro relatório das investigações envolvendo o Banco Master ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, até o final de agosto. Segundo apurou a reportagem, neste primeiro material constarão achados sobre a compra do Master pelo Banco de Brasília. Outros inquéritos sobre o caso seguirão em andamento.
O Banco Central alega que o Master emprestava dinheiro a empresas recém-fundadas, supostamente controladas por laranjas, que aplicavam os recursos em fundos da Reag Investimentos, hoje chamada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
Segundo a PF, o dinheiro – que circulava por fundos ligados aos mesmos intermediários – seria usado para comprar ativos de baixo ou nenhum valor real que posteriormente eram inflados.
Dessa maneira, o banco transformava dívidas em títulos negociáveis, vendendo-os para investidores no mercado de capitais. A investigação do BC suspeita que os montantes inflados eram reinvestidos em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do próprio Master.
Com o tempo, o banco não conseguiu dar o retorno previsto para pagar os investidores de seus CDBs. Para enfrentar o problema, a instituição passou a adquirir créditos de terceiros e revendê-los. Uma das empresas que comprava as carteiras é a Tirreno Consultoria, que teria passado um valor de 4,6 bilhões em operações de crédito que constavam apenas no papel.
As mesmas carteiras foram revendidas ao Banco de Brasília por 12 bilhões de reais. A auditoria do BC acredita que a engenharia foi criada para que o Master pudesse captar recursos junto ao BRB. Mesmo após sofrer o prejuízo de 5 bilhões de reais, o BRB, um banco público, quis adquirir 58% do capital total da instituição privada por 2 bilhões de reais.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso preventivamente pela PF em abril deste ano. A suspeita é de que os negócios tenham sido realizados sem lastro e à revelia de práticas básicas de governança. Ele foi indicado para comandar o BRB em 2019 pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Em depoimento à PF na fase de instrução do caso, o ex-CEO do Master, Daniel Vorcaro, afirmou que teve “conversas institucionais” com o ex-governador sobre a proposta de aquisição da instituição pelo BRB.
Delações foram descartadas
Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa manifestaram à Procuradoria-Geral da República, no início das investigações, intenção em colaborar por delação premiada.
O ex-controlador do Master chegou a apresentar três propostas à PGR e à PF, mas foram consideradas frágeis e apenas reforçavam o que já era de conhecimento dos investigadores. Por isso, a Procuradoria considera esgotadas as chances de Vorcaro apresentar novas propostas.
No caso de Paulo Henrique Costa, a defesa não conseguiu sequer firmar o acordo de confidencialidade para dar início formal às tratativas da delação premiada. O procurador-geral, Paulo Gonet, sustentou que os anexos apresentados possuem “reduzida utilidade e débil eficácia potencial para os fins que deviam servir”.
Nesse sentido, a corporação deverá apresentar suas conclusões sobre a negociação de venda do Master com base nas informações obtidas por quebras de sigilo e perícia em celulares e computadores apreendidos na Operação Compliance Zero.
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