Justiça
O que se sabe sobre a transferência de 7 líderes do CV para presídios federais
As unidades para onde eles foram enviados não foram reveladas
Sete homens apontados como líderes da facção criminosa Comando Vermelho foram transferidos nesta quarta-feira 12 do sistema prisional do Rio de Janeiro para presídios federais espalhados pelo País. Os locais para onde eles foram levados não foram revelados.
As transferências acontecem pouco mais de duas semanas após a operação realizada pela polícia do Rio de Janeiro que terminou com 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão. No dia seguinte à matança, o governador Cláudio Castro (PL) confirmou que havia solicitado dez vagas nas unidades prisionais federais ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).
Confira a lista de presos transferidos:
- Alexander de Jesus Carlos (conhecido como “Choque”)
- Arnaldo da Silva Dias (“Naldinho”)
- Carlos Vinicius Lírio da Silva (“Cabeça”)
- Eliezer Miranda Joaquim (“Criam”)
- Fabrício de Melo Jesus (“Bicinho”)
- Marco Antônio Pereira Firmino da Silva (“My Thor”)
- Roberto de Souza Brito (“Irmão Metralha”)
Todos eles são acusados de comandar as atividades criminosas de dentro das cadeias onde cumpriam pena. “A inclusão em estabelecimento federal de segurança máxima visa, precisamente, a interromper a comunicação ilícita entre o preso e sua organização criminosa, garantindo a segregação qualificada e restabelecendo a efetividade da função preventiva e repressiva da pena”, escreveu o juiz Rafael Estrela Nóbrega, da Vara de Execuções Penais do Rio, na decisão de transferência.
Além dos sete homens transferidos nesta quarta, o governo fluminense pretendia que outros três fossem levados a presídios federais. Entretanto, a Justiça pediu mais elementos para autorizar o cumprimento da pena fora do estado.
Um dos alvos de pedidos de transferência é o cabo da Marinha Riam Maurício Tavares Mota, acusado de desenvolver dispositivos para acoplar granadas a drones e treinar criminosos para o uso dos equipamentos. Ele ainda não passou por julgamento.
Críticas do Ministério da Justiça
Um forte aparato de segurança foi montado para que os líderes do CV fossem levados ao Aeroporto Tom Jobim (conhecido como Galeão) e embarcassem. O processo teve o acompanhamento de veículos de imprensa, que registraram imagens aéreas.
O secretário Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça, André Garcia, criticou a divulgação da operação desta quarta, afirmando que as informações só deveriam ser publicadas após a conclusão das transferências.
“Infelizmente essa informação saiu de lá do Rio de Janeiro. Não era para ter sido divulgado, porque compromete a segurança do evento. Eventualmente, pode acontecer algum tipo de tentativa de resgate”, disse Garcia à TV Globo, sem deixar claro se o ‘vazamento’ partiu do Judiciário, da polícia ou do governo fluminense.
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