Justiça

Justiça dá 72 horas para Bolsonaro explicar troca na gestão da Petrobras

A decisão é do juiz federal André de Vasconcelos, de MG; os autores da ação questionam a indicação de general para a presidência da estatal

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP
O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

A Justiça de Minas Gerais determinou o prazo de 72 horas para que o presidente Jair Bolsonaro e a Petrobras expliquem a mudança de gestão na empresa, segundo despacho assinado nesta segunda-feira 22. A decisão é do juiz federal André Prado de Vasconcelos, da 7ª Vara Cível de Minas Gerais.

 

A ordem responde a uma ação popular movida pelos advogados Daniel Perrelli Lança e Gabriel Senra da Cunha Pereira, que questionam a indicação do general Joaquim Silva e Luna para a presidência da estatal, no lugar de Roberto Castello Branco. A troca foi anunciada na sexta-feira 19.

No documento, o magistrado destaca que a aprovação do nome indicado depende de deliberação do Conselho de Administração, o que ainda não ocorreu.

“Intimem-se os réus tão-somente para manifestação, no prazo de 72 horas, sobre o pedido de liminar, articulando, de forma concisa e objetiva, as razões e argumentos que entender pertinentes e relevantes à discussão da causa”, diz o despacho.

A decisão de Bolsonaro de trocar o presidente da Petrobras ocorre após desgaste na relação com caminhoneiros, em função da alta no preço dos combustíveis. Na semana passada, a estatal anunciou o quarto aumento na gasolina e o terceiro no diesel, somente neste ano.

A mudança na gestão gerou mau humor entre investidores do mercado financeiro, o que fez a empresa perder parte do seu valor de mercado. Líderes dos caminhoneiros e entidades representativas pedem que o presidente rompa com a política de alinhamento dos preços dos combustíveis ao mercado internacional, mas até agora não houve sinal do Palácio do Planalto nesse sentido.

“De nada adianta a mudança na cadeira, se não houver mudança da política de preços desastrosa”, afirmou o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar, em nota.

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