Justiça
Governistas se dividem sobre o timing para indicação ao STF após derrota com Messias
Apesar do revés histórico, Lula já confidenciou a aliados o desejo de indicar novamente o advogado-geral da União
Integrantes do governo federal e do PT divergem sobre momento ideal para o presidente Lula (PT) enviar ao Senado uma nova indicação para o Supremo Tribunal Federal.
Em 29 de abril, a Casa Alta rejeitou a escolha original do presidente, o advogado-geral da União, Jorge Messias. Apesar da derrota histórica, Lula já confidenciou a aliados o desejo de indicar novamente o aliado.
Nessas conversas, segundo relatos à reportagem, Lula classifica o revés como injusto, por considerar que o AGU preenche os requisitos necessários para a vaga, e diz que Messias teria sido usado para atingi-lo.
Na última quarta-feira 20, em um encontro com prefeitos no Palácio do Planalto, o presidente tratou o caso como uma questão de honra. Ao mencionar a articulação política de seu governo, disse que aprovaria “em breve” a indicação de Messias. De acordo com presentes na agenda, foi uma sinalização de que o petista pretende resolver o assunto antes das eleições.
Uma ala do governo, porém, prega cautela. A avaliação desse grupo é que a temperatura segue elevada, uma vez que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), visto pelo Palácio do Planalto como principal artífice da derrota, permanece sem dialogar com Lula. Eles se encontraram nas cerimônias de posse de Kassio Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral e de Odair Cunha como ministro do Tribunal de Contas da União, mas não conversaram, segundo aliados de ambos.
Por isso, diz um ministro próximo ao presidente, é necessário que Lula e Alcolumbre se reúnam para “afogar as mágoas” antes de qualquer decisão.
Um ato da Mesa do Senado proíbe a reapreciação em um mesmo ano de indicações já rejeitadas pela Casa. Ou seja, isso impede em tese que a indicação seja novamente submetida ao plenário ainda em 2026.
Mas, conforme informou CartaCapital, aliados de Lula creem ser possível flexibilizar a regra, por se tratar de uma norma infralegal. A superação desse entrave dependeria “apenas” da disposição do presidente do Senado.
Pesa nessa equação, ainda, o fato de caber somente a Alcolumbre pautar uma possível indicação, e aliados do senador consideram improvável que ele o faça antes das eleições.
Quem defende acelerar a definição recorre à campanha do PT que retratou o Congresso como “inimigo do povo”. A estratégia passaria por dizer, nas redes sociais e nas ruas, que a rejeição a Messias é resultado de um acordo para barrar o avanço das investigações sobre o Banco Master.
Nesse grupo, a divergência ocorre em relação ao escolhido. Enquanto alguns reforçam o desejo de indicar novamente o AGU, outros sustentam ser necessário buscar outro postulante. Na bolsa de apostas estão a ministra do Superior Tribunal de Justiça Daniela Teixeira, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) e a ex-ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral Edilene Lobo.
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