Justiça
Gonet defende arquivar inquérito no STF contra Elon Musk
Para a PGR, não há provas de uso doloso do X para atentar contra o Judiciário
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu no Supremo Tribunal Federal o arquivamento de um inquérito aberto há quase dois anos para investigar a conduta de Elon Musk, dono da rede social X. A petição da PGR chegou nesta terça-feira 3 ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Na avaliação do chefe do Ministério Público Federal, não há provas que sustentem a tese de possível uso doloso do X para atentar contra uma autoridade do Judiciário – no caso, o próprio Moraes. Gonet sustentou que, na verdade, a apuração indicou “falhas operacionais pontuais” notificadas à plataforma e “prontamente sanadas” pelo X.
“Inexistem elementos de informação que apontem para uma resistência deliberada da plataforma em acatar as determinações desta Corte ou do Tribunal Superior Eleitoral”, escreveu o PGR. Por isso, afirmou, não haveria justa causa para prosseguir com o inquérito.
A investigação nasceu após Musk atacar decisões do tribunal e ameaçar reativar perfis de bolsonaristas que haviam sido suspensos por ordem de Moraes em apurações sobre as milícias digitais e os atos golpistas.
Além da suposta desobediência, o inquérito mirava uma possível obstrução à Justiça em contexto de organização criminosa e incitação ao crime. A hipótese era que haveria uma “deliberada intenção” do X de “desvendar o cumprimento de ordens judiciais”.
Nos autos, a defesa do X sustentou que, apesar da “atribuição técnica e estatutária” de Musk, o dono da rede social não ordenou a reativação de perfis suspensos pelo Supremo. A plataforma também assegurou ter cumprido mais de uma centena de ordens de bloqueio e negou ter habilitado o recurso de transmissão ao vivo para contas que estavam barradas.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
STF mantém como réu homem que chamou Moraes de ‘sacrificador de crianças’
Por CartaCapital
Pesquisa monitora os índices de aprovação e desaprovação do governo Lula; veja os resultados
Por CartaCapital



