Justiça
Gonet defende a manutenção da suspensão de visitas de Flávio a Bolsonaro
O PGR concorda com a decisão de Mores que suspendeu as visitas do senador após a leitura de uma carta escrita pelo ex-presidente
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, defendeu na noite desta quarta-feira 12 a manutenção da suspensão das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar.
No parecer enviado para análise do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Gonet sustenta que a condenação criminal e o cumprimento da pena “limitam necessariamente o exercício de direitos e faculdades, que são comuns ao cotidiano de quem não está submetido à relação especial de poder inerente à execução de sanção penal”.
Gonet frisou que Bolsonaro cumpre pena em regime fechado e que o regime domiciliar só foi concedido tendo em vista a fragilidade do seu quadro de saúde. A divulgação, portanto, do conteúdo da carta contrariou uma das condições impostas para que fosse concedido o direito à mudança de regime.
Para o PGR, o argumento de que o direito de defesa do ex-presidente estaria comprometido, tendo em vista que Flávio atua como um dos seus advogados, não se sustenta, já que Bolsonaro é assistido por outros profissionais. “A restrição de visitas com finalidade político-eleitoral e o veto à divulgação de atos dessa natureza sustenta-se na condição de condenado e das regras que disciplinam o atual regime de execução da pena”, concluiu.
No mês passado, Mores suspendeu as visitas de Flávio após o senador e candidato à Presidência ler uma carta escrita por Jair em uma live no Youtube. Na ocasião, o ministro pediu que a defesa de Bolsonaro explicasse se ele tinha conhecimento de que a carta seria lida publicamente, tendo em vista que ele é proibido de se manifestar nas redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros.
Em resposta, os advogados do ex-presidente disseram que ele não tinha conhecimento de que o texto seria utilizado por Flávio para manifestação pública. Flávio anunciou que o documento continha “um recado muito importante” que Jair gostaria de dar “a toda nossa nação”. No documento, segundo o senador, Jair dizia que ele é seu “porta-voz” nas eleições deste ano.
Para Moraes, houve um nítido desrespeito do senador à medida cautelar imposta ao ex-presidente. Conforme a decisão, Flávio, “utilizando-se do seu direito de visita”, obteve uma carta “com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”. Por esse motivo, as visitas foram proibidas pelo período de 90 dias.
Na decisão, o ministro determinou ainda a proibição de quaisquer visitas com finalidade político-eleitoral pelo prazo de 30 dias, com exceção dos atendimentos médicos, fisioterapêuticos, além do acesso aos seus advogados. A defesa de Bolsonaro apresentou recurso contra a decisão. Agora, cabe a Moraes decidir de mantém a suspensão.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
ANPD suspende transmissões ao vivo do Discord após morte de adolescente
Por CartaCapital
Exclusão de Garotinho beneficia Paes, mas pode frustrar plano do PT no Rio
Por Vinícius Nunes



