‘Cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras’

'[A] Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura', diz Gilmar. Vídeo mostra jovem chorando após ataques de advogado

O ministro Gilmar Mendes, em sessão no Supremo Tribunal Federal. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro Gilmar Mendes, em sessão no Supremo Tribunal Federal. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Justiça

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que as cenas da audiência do caso da influenciadora Mariana Ferrer – que denunciou um estupro em um clube de Florianópolis e foi humilhada pelo advogado da defesa do acusado André Aranha durante uma sessão  – são “estarrecedoras”.

“As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram.”, escreveu o ministro nas redes.

As imagens da audiência foram publicadas nesta terça-feira 3 em uma reportagem do portal The Intercept Brasil. Nelas, o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho humilha a jovem. “Tu vive disso? Esse é teu criadouro, né, Mariana, a verdade é essa, né? É teu ganha pão a desgraça dos outros? Manipular essa história de virgem?”, diz Gastão.

 

 

 

Além da publicação do vídeo, a reportagem também detalhou que o juiz do caso determinou que o estupro foi um “estupro culposo” – ou seja, que André Aranha “não teve a intenção” de violentar a vítima. Uma sentença do gênero não tem base no Código Penal brasileiro, afirmaram especialistas à reportagem.

O caso ganhou notoriedade nas redes sociais após Mariana publicar as provas do crime que possuía como forma de pressionar a Justiça para dar continuidade nas investigações. Aranha é um empresário famoso e tem, entre os amigos, diversos jogadores de futebol.

Segundo a reportagem, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Catarina informou que oficiou Cláudio Gastão da Rosa Filho para prestar esclarecimentos sobre sua conduta na audiência do caso.

 

O caso

Mariana Ferrer, conhecida como Mari Ferrer, trabalhava na noite do dia 15 de dezembro de 2018 no interior do clube Café de La Musique, em Jurerê Internacional, como uma promotora digital da casa de eventos.

Ferrer alega que, em determinado momento, foi levada para um setor privativo do clube e não se lembra de ter mantido relações sexuais com o acusado. Um vídeo publicado por ela posteriormente mostra que ela sobe as escadas acompanhada de André Aranha, mas desce sozinha e cambaleante de volta à área pública do clube.

Depois disso, Ferrer alega que foi deixada sozinha no lugar pelas amigas que a acompanhavam e que pediu ajuda da mãe e da irmã, que acharam que ela estava apenas embriagada. Ao ir tomar banho, no entanto, a mãe teria percebido forte cheiro e visto sangue nas roupas da filha.

Exames publicados por Mariana nas redes sociais mostram que houve conjunção carnal, rompimento de hímen – Ferrer era virgem – e presença de sêmen em suas peças íntimas.

Além disso, a influenciadora publicou laudos psicológicos que atestam estresse pós-traumático e narra que teve a vida social, familiar e afetiva interrompida após o ocorrido.

 

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