Justiça

Fachin rejeita recurso da PGR contra Lula, mas manda plenário do STF dar palavra final

O ministro não aceitou de forma monocrática o pleito da Procuradoria: ‘Mantenho as razões que levaram a conceder o habeas corpus’

Fachin rejeita recurso da PGR contra Lula, mas manda plenário do STF dar palavra final
Fachin rejeita recurso da PGR contra Lula, mas manda plenário do STF dar palavra final
Foto: Kássio Geovanne
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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta sexta-feira 12 enviar ao plenário da Corte um recurso da Procuradoria-Geral da República contra a decisão que anulou as condenações do ex-presidente Lula na Operação Lava Jato.

Na última segunda-feira 8, em despacho que reorganizou as peças no tabuleiro político, Fachin também declarou a incompetência da Justiça Federal em Curitiba nos casos ligados ao petista.

No recurso apresentado ao STF, a PGR argumenta que a competência da 13ª Vara Federal da Seção Judiciária do Paraná deve ser reconhecida para processar quatro ações penais contra o ex-presidente. Para o órgão, as condenações e os processos devem ser mantidos, “com base na jurisprudência do Supremo e com vistas a preservar a estabilidade processual e a segurança jurídica”.

Em despacho nesta sexta, Fachin não aceitou de forma monocrática o pleito da Procuradoria. “Mantenho as razões que levaram a conceder o habeas corpus, porquanto apliquei ao caso a orientação majoritária do colegiado, a ser ou não mantida no Pleno”.

“Afeto o julgamento ao Tribunal Pleno”, acrescentou.

A suspeição de Moro

Fachin afirmou nesta sexta que se a Corte declarar a suspeição de Sergio Moro poderá gerar “efeitos gigantescos” e até anular todos os casos da Operação Lava Jato que tenham a participação do ex-juiz.

O ministro, entretanto, admitiu em entrevista ao jornal O Globo que não é possível “varrer para debaixo do tapete” as conversas entre procuradores de Curitiba obtidas pela Operação Spoofing.

“O Tribunal precisará dar uma resposta sobre ele [o material que deu origem à Vaza Jato]. Como o julgamento ainda não foi encerrado e como o tema ainda está pendente de exame em outras ações, farei, quando oportuno, minhas considerações complementares”, acrescentou.

Ao comentar os possíveis impactos sobre o eventual reconhecimento da suspeição de Moro pelo STF, Fachin argumentou que “anular quatro processos por incompetência é realidade bem diversa da declaração de suspeição, que pode ter efeitos gigantescos”.

“Na suspeição, observadas as bases de decidir – está se alegando conspiração do magistrado com a Força-Tarefa do MP – é potencial a extensão da decisão a todos os casos da Operação Lava-Jato denunciados perante a 13ª Vara Federal de Curitiba nos quais houve função da Força-Tarefa do MPF e do ex-juiz Sergio Moro”, completou.

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