Justiça

Documentos vazados revelam que Zuckerberg temia regulamentação da internet no Brasil

A preocupação do fundador do Meta foi motivada pelos sucessivos bloqueios judiciais sofridos pelo WhatsApp no País

O empresário americano Mark Zuckerberg. Foto: Mandel Ngan/AFP Mark Zuckerberg. Foto: Mandel Ngan/AFP
O empresário americano Mark Zuckerberg. Foto: Mandel Ngan/AFP Mark Zuckerberg. Foto: Mandel Ngan/AFP

Documentos apontam que o fundador e presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg demonstrou temor quanto aos rumos da regulamentação da internet no Brasil. 

A revelação consta nos “Facebook Papers”, um pacote de documentos da rede social vazados para um consórcio internacional de veículos de imprensa, incluindo EstadãoNew York Times, Washington Post, Guardian e Le Monde. 

A preocupação de Zuckerberg foi motivada pelos sucessivos bloqueios judiciais sofridos pelo WhatsApp no País. 

Em conversa interna com seus funcionários, Mark ponderou os rumos da empresa em países com forte ambiente regulatório, conforme revela o jornal brasileiro em reportagem publicada nesta sexta-feira 3. 

“Eu me preocupo muito que Brasil, Índia, Rússia e todos os países que estão emergindo sob uma perspectiva legal e regulatória se tornem, a longo prazo, mais parecidos com a China em termos de como querem regular a internet”, afirmou o presidente do Facebook.

Para o executivo, a regulamentação seria um problema para a empresa. “Tivemos dois casos nos últimos meses em que fomos bloqueados no Brasil. 100 milhões de pessoas usam o WhatsApp no Brasil e a ferramenta de comunicação acabou sendo retirada do ar. Então, acho que essas coisas são os maiores problemas que precisamos pensar em como conduzir. É nisso em que estamos trabalhando no dia a dia”, afirmou Zuckerberg.

Os bloqueios judiciais do aplicativo de troca de mensagens entre 2015 e 2016 foram motivados por quatro decisões distintas em que os magistrados afirmaram que a empresa havia se recusado a apresentar informações solicitada em investigações policiais. 

Ainda conforme os documentos, o executivo argumentava que a empresa precisaria ceder às restrições em países em que existe controle estatal na internet para garantir o acesso à plataforma. A estratégia também poderia incluir a exclusão de publicações com conteúdos contra os governos destes locais. 

“Essas são as escolhas que acho que estamos fazendo. Não só na China, mas em lugares como a Índia ou a Turquia, onde queremos estar lá para que as pessoas possam se conectar e para que possamos fazer a economia crescer. Assim, mesmo quando houver um golpe militar, as pessoas poderão ter o Facebook funcionando. Nesses países, é ilegal falar mal de seus fundadores (governos), então nós vamos seguir essa regra por lá. Acho que é a troca certa a se fazer”, afirmou Zuckerberg.

O fundador da rede social também levanta questionamentos sobre quais devem ser as diretrizes da plataforma quando os governos flertarem com o autoritarismo. 

“Por  enquanto, precisamos prestar muito mais atenção em alguns desses países que estão reprimindo mais (as leis)”, comentou em uma troca de mensagem com seus funcionários. 

Os documentos entregues à Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla em inglês), órgão regulador das empresas listadas em bolsa nos Estados Unidos e ao Congresso americano foram coletadas pela ex-funcionária da empresa após pedir demissão no início do ano por discordar das atitudes da companhia. 

Marina Verenicz

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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