Justiça
Dino fala em ‘agressões e injustiças’ em meio a operações contra blogueiro e autoridades no Maranhão
Na terça-feira 11, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra ex-secretários do estado apontados como fontes de Luís Pablo Conceição Almeida
Em meio à repercussão da investigação que expôs a fonte de um jornalista maranhense, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, publicou nas redes sociais, nesta quinta-feira 13, uma declaração.
No texto, que não faz menção direta ao caso, o ministro sustenta que tem suportado agressões e injustiças calado, devido à sua atuação no Judiciário.
“A minha atual função de juiz impede-me de participar cotidianamente de ‘apaixonados’ debates públicos. Isso inclui suportar calado agressões e injustiças, assistir a distorções monumentais quanto a fatos, acompanhar perplexo a exposição de interpretações absurdas”, registrou.
A manifestação do magistrado surge no contexto de uma investigação, sob a relatoria de Alexandre de Moraes, que apura uma suposta perseguição empreendida pelo blogueiro maranhense Luís Pablo Conceição Almeida contra Dino e sua família.
“Em outras funções, podia me pronunciar abertamente, com mais frequência. Agora isso pode até acontecer, mas muito excepcionalmente. Faz parte do ônus do meu ofício. E assumo tal ônus com gosto, em face da responsabilidade com que exerço a jurisdição”, completou o ministro.
Dono de um site que se apresentava como ‘o blog mais polêmico do Maranhão’, Almeida é autor de três reportagens sobre o uso de carro funcional por Dino e familiares em São Luís, capital maranhense. Nos textos, publicizou informações relacionadas ao veículo, expondo indevidamente, sustentou Moraes, a segurança de autoridades.
Em março deste ano, o jornalista foi alvo de buscas e apreensões. Em decorrência da análise de informações que constavam em seus aparelhos, a PF identificou Raimundo Soares Cutrim, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís, e Diogo Diniz Lima, ex-secretário do Maranhão para assuntos legislativos.
A corporação encontrou conversas no WhatsApp que evidenciaram que Cutrim, “valendo-se de seu cargo público, teria obtido as informações e imagens dos veículos divulgados por Luís Pablo”. Na terça-feira 11, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra ambos.
Os policiais identificaram mensagens que mencionam uma transferência bancária no valor de 100 mil reais de Lima a Luís Pablo, depositada na conta de um terceiro, Danilo Cutrim Bezerra. O valor seria utilizado para quitar parte da compra de um imóvel.
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