Justiça

AGU nega motivação política e diz que recusa em questionar decisões de Mendonça foi técnica

As medidas foram solicitadas pela Polícia Federal no âmbito de processos de relatoria do ministro do STF

AGU nega motivação política e diz que recusa em questionar decisões de Mendonça foi técnica
AGU nega motivação política e diz que recusa em questionar decisões de Mendonça foi técnica
Jorge Messias. Créditos: Daniel Estevão/AscomAGU
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A Advocacia-Geral da União disse nesta sexta-feira 4 que a decisão de não adotar as medidas solicitadas pela Polícia Federal no âmbito de processos de relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, “decorreu de análise estritamente técnica e jurídica”.

Em resposta ao Ministério da Justiça, a AGU disse em nota não dispor de “competência institucional ou legal” para acolher o pleito da corporação. Apesar disso, o órgão alegou que isso não significou “inércia institucional”, pois o advogado-geral Jorge Messias “atuou concretamente na busca de uma solução”.

Messias foi responsável por articular um encontro entre Mendonça e o ministro da Justiça Wellington César Lima e Silva para aparar arestas. “Ao longo dos meses de julho e agosto, foram realizadas diversas reuniões (…) com o objetivo de identificar mecanismos próprios e juridicamente adequados para o atendimento das demandas apresentadas pela PF”, segue a nota.

No entanto, houve resistência do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a abrir mão do pedido. À AGU, a direção da corporação contestava determinações de Mendonça que impuseram maior controle sobre as investigações de uma fraude no INSS e no Banco Master.

Por isso, pedia a abertura de uma ação perante o STF questionando a conduta do ministro, que, segundo investigadores, interfere na autonomia da instituição e extrapola a função de juiz.

Apesar disso, a instituição concluiu que, além da ausência de competência legal para atuar na esfera criminal nos termos solicitados, uma intervenção processual nas condições pretendidas poderia gerar riscos jurídicos e institucionais para as próprias investigações em curso no STF.

Conforme apurou CartaCapital, interlocutores de Messias veem a decisão do ministro de não seguir com a ação da PF como um risco à sua imagem e, inclusive, à uma eventual indicação ao Supremo.

Mas admitem, sob reserva, que Messias está diante de um dilema: caso a AGU questionasse a atuação do ministro do STF, poderia ser acusada de obstrução de Justiça ou de instrumentalização; ao não questionar — como, de fato, ocorreu —, passa a ser acusada de omitir as queixas da PF. Há hoje um receio de que parte dessa crise reputacional recaia sobre a AGU.

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