Justiça
Diretor-geral da PF não pretende desistir de ação na AGU contra medidas de André Mendonça
Segundo interlocutores da corporação disseram à reportagem, Andrei Rodrigues tampouco pretende se reunir com o ministro para aparar as arestas
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não pretende desistir de ação protocolada na Advocacia-Geral da União contra medidas determinadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em investigações sobre a fraude do INSS.
Segundo interlocutores, Rodrigues tampouco pretende se reunir com o ministro para aparar as arestas. Também não há expectativa, por parte de Mendonça, em dar um passo atrás.
O ministro entende que a razão das determinações é cumprir o papel de supervisão judicial que cabe no inquérito, motivado também pelo fato de que muitos policiais já saíram do caso. A postura no processo sobre o INSS difere daquilo que Mendonça tem defendido no caso do Banco Master, do qual ele também é relator.
Mendonça diz a interlocutores, desde o início das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, que não interfere no trabalho da PF, mas teria se irritado com a demora da corporação em apresentar relatórios sobre os descontos indevidos a aposentados e pensionistas.
Nesse embate, já tentaram colocar panos quentes o presidente Lula (PT) – que pediu a Andrei que fosse conversar com Mendonça – e o presidente do STF, Edson Fachin, que se reuniu com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para pedir uma “trégua”.
Messias garante, nos bastidores, que não levará o pedido de Andrei adiante, uma vez que questionamentos sobre a atuação do ministro podem resultar no pedido de nulidade de provas obtidas em outros casos, como o que apura suposta fraude financeira no Master.
A queda de braço entre Andrei e Mendonça começou após o ministro determinar que todas as informações da investigação sobre a fraude do INSS fossem remetidas imediatamente ao seu gabinete. Ele também exigiu que qualquer mudança na equipe investigadora deveria ser informada à sua equipe.
Dessas investigações, foram abertos três novos inquéritos que citam diretamente Fábio Luis, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). Inicialmente, as ações foram colocadas para distribuição no Supremo. Mendonça, no entanto, acabou sorteado em dois inquéritos, enquanto Flávio Dino relatará o terceiro.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Potencial de voto de Lula é de 49%, aponta pesquisa Nexus
Por CartaCapital
Flávio diz se inspirar em modelo de Bukele em El Salvador e afirma que Brasil ‘tem pouco preso’
Por Wendal Carmo



