Educação

UNE: Uma grande mobilização pela vacina contra a Covid-19

Discussão sobre a retomada das aulas precisa de um plano efetivo de imunização da população

Vacina contra a Covid-19 (Foto: iStock Foto) Vacina contra a Covid-19 (Foto: iStock Foto)
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Surpreendendo um total de “zero pessoas”, o governo Bolsonaro mais uma vez age sem diálogo, anuncia uma medida totalmente desconectada da realidade, causa indignação… e recua após pressão.

Nessa última quarta-feira 2, uma portaria do Ministério da Educação, publicada no Diário Oficial da União, determinou a retomada das aulas nas universidades e institutos federais a partir de Janeiro. A medida também abrangeria as instituições de ensino superior privadas.

A portaria foi alvo de repúdio da UNE, UBES, ANPG e demais entidades educacionais. Também foi rejeitada por universidades, que se levantaram anunciando que não seguiriam a determinação. Poucas horas depois, o ministro da Educação Milton Ribeiro voltou atrás.

A tentativa de volta às aulas nega totalmente a realidade que atravessamos. É claro que defendemos as aulas presenciais em vez do ensino remoto – que por conta das profundas desigualdades do nosso país, tanto afeta a educação dos estudantes menos favorecidos, com pouco acesso à internet e poucas condições de acompanhar as aulas, em todos os níveis de ensino.

Porém, o Brasil não apresenta sinais recuperação diante da pandemia da Covid-19, ou sequer de retração. Os últimos dados apontam alta de contaminações, internações e mortes decorrentes do vírus. Não há estabilidade e, sim, crescimento. Portanto, o início de 2021 é incerto e os riscos à população, também.

Desde o início, o governo Bolsonaro politiza o combate à pandemia. Agora politiza a vacina para o controle da doença. O governo diz que a vacinação apenas estará disponível no país em março, criando polêmicas entorno de imunizantes que podem estar disponíveis antes, como a CoronaVac, de parceria do laboratório chinês com o Instituto Butantan, previsto para janeiro.

Colocamos toda a força de mobilização da UNE, UBES e ANPG para construir uma grande campanha em defesa da vacina

A cada dia de atraso por negligência no planejamento, o Governo se torna responsável por mais vidas perdidas. E por mais tempo sem aulas, sem eventos, sem a economia funcionando em seu completo potencial.

Portanto, se falamos da defesa da vida, da educação, da formação de qualidade, colocamos nesse momento toda a força de mobilização das entidades estudantis UNE, UBES e ANPG para construir uma grande campanha em defesa da vacina: que o governo apresente um plano nacional efetivo de imunização.

Uma campanha que, inclusive, incentive a população a tomar a vacina, combatendo as mentiras que são espalhadas, criam terror, e, absurdamente, são reforçadas pelo presidente.

Seguimos contando também com a imensa força e proatividade das universidades brasileiras que, desde março desse ano, seguem produzindo pesquisas, matérias primas, testes, equipamentos e ampliando os atendimentos nos hospitais universitários para conter os danos da pandemia da Covid-19.

Tratar da retomada das aulas presenciais, é tratar da vacinação. Não são fatos isolados. Estaremos atentos a qualquer nova proposta ou medida do governo que representem evidente descaso à vida. Como é a portaria, a politização da vacina, e tantas outras.

Iago Montalvão é estudante de Economia da USP e presidente da UNE

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