MEC anuncia pastora evangélica como braço direito de Vélez

É a segunda nomeação para o cargo em dois dias. Iolene Lima dirigiu colégio orientado por cosmovisão bíblica

Reprodução Instagram

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Educação,Política

Em dois dias, o Ministério da Educação apresentou dois secretários executivos para a pasta. Nesta quinta-feira 14, o ministro, Ricardo Vélez Rodriguez, anunciou em seu Twitter um novo nome para ser seu braço direito: Iolene Lima, pastora evangélica.

O anúncio ocorre dois dias depois de Vélez nomear Rubens Barreto da Silva, que vinha para ocupar o lugar de Luíz Antônio Tozi. Além da dança de cadeiras no cargo executivo, desde a segunda-feira 11 a pasta exonerou seis cargos comissionados, evidenciando uma queda de braço entre olavistas e militares no comando da educação.

A pastora evangélica recém nomeada atua na Primeira Igreja Batista de São José dos Campos (SP), atualmente conhecida como Igreja da Cidade. Também dirigiu, na cidade do interior de São Paulo, o Colégio Inspire, que segue uma “metodologia de educação por princípios” e apresenta todos os conteúdos programáticos dentro da “cosmovisão bíblica”.

Após o anúncio, Iolene agradeceu a nomeação em seu Twitter. “Muito obrigada ministro Ricardo Vélez e meu presidente Jair Bolsonaro”, escreveu.

Antes de ser nomeada secretária-executiva, Lima atuava no Ministério dentro da Secretaria de Educação Básica. Na quarta-feira 13 ela acompanhou Vélez Rodríguez durante a visita do titular à cidade de Suzano (SP), onde ocorreu o ataque armado que deixou alunos e duas funcionárias mortas em uma escola estadual.

Já em seu discurso de posse, o ministro da Educação exaltou a família, a igreja e os valores tradicionais e afirmou que a pasta ia atuar para “combater o marxismo cultural” na Educação. Ele também é um dos críticos à suposta “ideologia de gênero” nas escolas, que atribui a uma onda global destruidora de valores.

Recentemente, declarou que vai dar ênfase à retomada do processo de ensino de valores fundamentais, fundantes da vida cidadã, “tanto no Ensino Infantil, quanto no Ensino Fundamental e por que não continuando no nível universitário”. Uma das apostas de Vélez é a volta da Educação Moral e Cívica, disciplina criada em 1969, durante o período da ditadura militar, e extinta em 1993.

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Repórter do site CartaEducação

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