Economia
Flávio Bolsonaro cita o Master em carta a Trump, mas omite relação com o ‘irmão’ Vorcaro
O candidato do PL apelou aos EUA por um adiamento no tarifaço, e admitiu temor de perder para Lula em outubro
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) menciona o escândalo protagonizado pelo Master em um documento protocolado no sistema do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos, o USTR. Omite, porém, sua relação com Daniel Vorcaro, dono do banco, a quem se referiu em mensagens como “irmão”.
Flávio solicitou ao governo de Donald Trump a suspensão por 180 dias da aplicação de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, sob o argumento de que a medida beneficiaria eleitoralmente o presidente Lula (PT).
A sugestão do filho “zero um” de Jair Bolsonaro (PL) provocou reação de Lula. “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria”, publicou o presidente nas redes sociais. “Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.”
Flávio enviou um comentário por escrito ao USTR. Ele citou o Master ao comentar um dos motivos alegados pelo Escritório para sugerir a Trump a nova sobretaxa contra o Brasil: uma suposta insuficiência em mecanismos contra a corrupção.
Segundo o senador, a investigação teria revelado uma “rede de proximidade” entre o controlador do banco — cujo nome ele omite — e a “estrutura de governo”. Na sequência, lista a contratação pelo Master — como consultores — dos ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski; a apuração contra o senador Jaques Wagner (PT-BA); e um encontro entre Vorcaro e Lula, em dezembro de 2024.
“Esse escândalo afeta o sistema financeiro americano, prejudicou cidadãos dos EUA e pode até ter conexões com o crime organizado, envolvendo pelo menos uma das organizações recentemente designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras”, acrescenta Flávio.
Preferiu, porém, esconder seus vínculos com o dono do Master. Em maio, o site Intercept Brasil revelou que Flávio negociou diretamente com Vorcaro um financiamento de cerca de 134 milhões de reais para a produção de Dark Horse, um filme de propaganda pró-Jair Bolsonaro. Do total pleiteado, 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos para um fundo nos Estados Unidos, administrado por um advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Nos diálogos revelados, Flávio chamava Vorcaro de “mermão” e “irmão”. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”, disse o presidenciável, em 16 de novembro de 2025.
A apuração sobre o financiamento de Dark Horse prossegue no Supremo Tribunal Federal, na Polícia Federal e na Controladoria-Geral da União. Eventuais desdobramentos podem aprofundar o desgaste de Flávio, embora o discurso de Lula em prol da soberania nacional, o baque dos diálogos com Vorcaro e o potencial impacto do desabafo de Michelle Bolsonaro já tenham sido suficientes para o senador expor a Trump seu pavor de perder a eleição em outubro.
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