Política
Na Bahia, Lula enfileira ministros ao lado de Wagner e exalta trajetória do aliado
O presidente, contudo, não participará do tradicional cortejo do 2 de Julho ao lado do senador petista em Salvador
Salvador | O presidente Lula (PT) participou nesta quarta-feira 1º dos primeiros eventos públicos ao lado do senador Jaques Wagner (PT-BA) após a operação da Polícia Federal que realizou buscas na residência do ex-líder do governo.
Pelo receio de arrastar a campanha pela reeleição de Lula para o escândalo do Master, a presença de Wagner no palanque foi colocada em dúvida. Pesou a favor do ex-governador a longa amizade com Lula e o seu peso político, que ainda conta com chances reais de se reeleger no Senado e uma forte base em regiões-chave para Lula.
Em um clima descontraído, Lula evitou o escândalo e citou as ações de quando Wagner era governador. “Nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. E essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou”, disse, em Alagoinhas (BA).
O senador Otto Alencar também defendeu Wagner. “Você é um irmão que conheci na caminhada da vida pública. Admiração muito grande. E você, com sua história, ao lado do presidente, não precisa de nada. O povo vai explicar isso no dia 4 de outubro”, afirmou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Mais tarde, durante a cerimônia que marcou o início oficial das obras do Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, Lula citou Wagner como um dos “políticos responsáveis” do estado. “Ele [Jerônimo Rodrigues, governador], Wagner, Rui [Costa, ex-ministro], Otto [Alencar, senador] e outros políticos responsáveis da Bahia precisam tomar conta. É preciso que a gente não permita que a especulação imobiliária domine a ilha”.
Lula não vai participar do tradicional cortejo do 2 de Julho na capital baiana. Inicialmente, o Planalto atribuia a decisão a recomendação médica. No discurso desta quarta, porém, o presidente evocou questões de agenda, dizendo que precisaria ir para um evento em Juazeiro (BA) que envolvia a transposição do Rio São Francisco.
Além do ex-ministro da Casa Civil e companheiro de chapa de Wagner ao Senado, Rui Costa, a comitiva do presidente enfileirou a primeira escalação do governo ao lado do ex-líder do governo. Estavam presentes Sidônio Palmeira (Secom), Miriam Belchior (Casa Civil), José Guimarães (Relações Institucionais), Margareth Menezes (Cultura), Alexandre Padilha (Saúde) e George Santoro (Transportes).
Jaques Wagner foi alvo, no último dia 18, de mandados de busca e apreensão por suspeita no âmbito da investigação sobre as fraudes do banco de Daniel Vorcaro. A princípio, negou que deixaria o comando do governo na Casa Alta, mas não resistiu à pressão e fez uma discreta saída.
Conforme mostrou CartaCapital, a avaliação do Planalto é que Lula e Wagner cultivam décadas de amizade e de atuação política conjunta, então não seria efetiva qualquer operações que buscasse dissociar os dois.
Além de ter sido fundador do PT e governador da Bahia por dois mandatos, um dos principais trunfos de Wagner é ter conseguido manter a hegemonia petista na Bahia, elegendo seu sucessor, Rui Costa, em um momento em que o partido se esfacelava nacionalmente.
Líder nas pesquisas para uma reeleição no Senado, Wagner é essencial para manter a coalizão do grupo político. Além de Rui e Jerônimo, o senador tem entre seus principais aliados no estado o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar.
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