Economia

Diante de senadores, Campos Neto volta a defender taxa de juros nas alturas

Para o presidente do Banco Central, dívida do governo deve refletir nas taxas praticadas

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Foto: Pedro França/Agência Senado
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a defender taxas altas de juros no País. A declaração foi feita durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, nesta terça-feira 25.

“Se o BC não tivesse feito esse movimento, em ano eleitoral o BC falou que não parava de subir os juros mesmo entendendo que era necessário, bom, se isso fosse feito, teríamos tido uma inflação de 10% ao invés de 5,8%. E aí, hoje, para controlar a inflação e a expectativa do ano que vem, que seria muito mais alta, teríamos que estar com os juros de 18,75%”, afirmou Campos Neto diante dos senadores.

“E, se não tivesse, estaríamos caminhando para uma inflação que contaminaria bastante (a economia), como o exemplo que tivemos da Argentina”, completou.

Segundo Campos Neto, as dívidas do governo devem refletir na taxa de juros fixada pela instituição. Atualmente a Selic praticada é de 13,75% ao ano. O índice é o principal embate entre governo federal e o Banco Central. 

A taxa é o principal mecanismo usado pelo BC para controlar a inflação na economia brasileira. Mas, quanto mais altos os juros, menor é a atividade econômica e mais altos se tornam os preços de bens e serviços no País. Altas taxas de juros também encarecem o crédito, contendo a atividade econômica, refletindo em uma menor circulação de dinheiro. 

Questionado sobre os fatores que influenciaram as altas taxas de juros, Campos Neto pontuou o baixo índice de recuperação de crédito e a dívida bruta do governo. 

“O Brasil tem uma das menores recuperações de crédito do mundo. Só não é menor que a de Zimbabue, Venezuela e Haiti. Isso significa que, quando alguém tem uma inadimplência, o agente que cedeu não consegue recuperar o crédito”, alegou. “A dívida bruta brasileira é maior do que a média. É uma dívida explosiva? Não é, mas é muito maior que a média e isso reflete nas taxas de juros”.

Após 10 meses em queda, a dívida bruta dos governos cresceu 0,5 ponto percentual em relação ao PIB e fechou fevereiro a 73%, segundo dados do próprio Banco Central. O montante soma é de 7,352 trilhões de reais. 

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