Economia

A Semana do Mercado: mercados apostam em Fed mais agressivo

Na expectativa da reunião do Fomc nesta quarta-feira, os mercados precificam alta de 175 pontos-base da taxa básica de juros, a Fed Funds Rate, até setembro

Foto: Johannes Eisele/AFP
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Refletindo a surpresa com um Índice de Preços ao Consumidor de maio de 1%, ante projeções de 0,7%, divulgado na sexta-feira, os mercados estavam precificando hoje uma alta de 0,75 de ponto percentual em pelo menos uma das próximas três reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve, o Fed, banco central dos EUA. A primeira dessas reuniões será nesta quarta-feira, mesmo dia em que, aqui, se reúne o Comitê de Política Monetária (Copom), em meio a expectativas de elevação da taxa básica, a Selic, em 0,5 ponto, atingindo 13,25%.

Na reunião anterior, o Copom sinalizou um ajuste inferior a 1 p.p na reunião desta semana, sob a justificativa de que, como o atual ciclo já está no fim, vale a prudência na calibragem do ajuste, sobretudo diante do elevado nível de incerteza na atual conjuntura. Analistas e agentes do mercado interpretaram essa mensagem como uma indicação que este pode ser a última alta da Selic no atual ciclo. A questão é que inflação persiste muito acelerada – e em termos mundiais.

As projeções estão acima da meta para 2023, que marca o chamado “horizonte relevante” da política monetária no entender de seus formuladores do Copom. Por outro lado, observa a casa de análise Levante em boletim diário, “a percepção é que os projetos de combate à alta dos combustíveis apenas ‘adiaram’ a inflação de 2022 para o ano que vem, o que exigirá a prorrogação dos cortes nos juros”. Daí que parte do mercado vem questionando a viabilidade da estratégia do Banco Central e, consequentemente, projeta uma taxa Selic terminando 2022 em 13,50% a.a ou mais, com o fim do ciclo apenas em agosto, segundo boletim semanal da Febraban. Assim, a principal dúvida sobre esta reunião recai sobre a sinalização do colegiado, se este será ou não o último movimento do Copom. 

Na expectativa da reunião do Fomc nesta quarta-feira, os mercados precificam alta de 175 pontos-base da taxa básica de juros, a Fed Funds Rate, até setembro, o que significa dois aumentos de 0,5 ponto e um de 0,75 base, de acordo com futuros de juros vinculados às datas dos encontros do Fomc. Na Europa, a precificação de títulos também embute um ritmo mais agressivo de aperto do Banco Central Europeu (BCE), de dois aumentos de 0,5 ponto percentual até outubro. Na base dessa reação dos mercados ao CPI está o receio de que as expectativas de inflação tenham se disseminado e se enraizado pela economia, superando as causas mais imediatas, como os gargalos nas cadeias de suprimento globais e choques de preços da energia – o que implicaria em maior agressividade por parte do Fed e subsequente recessão.

Sinal de recessão iminente, a diferença entre a remuneração dos títulos do Tesouro com vencimento em dois anos e dos papéis de dez anos se aproximava de zero. Essa diferença estava em 0,09 de ponto percentual, com os Treasuries de dois anos pagando 3,1806% e os dez anos, 3,272% a.a.. Treasuries em alta afetam não só as bolsas, mas todos os ativos considerados de maior risco, como moedas e papéis de mercados emergentes e as criptomoedas, que estão despencando. A disparada dos Treasuries foi acentuada pela taxa mensal do CPI de maio, que elevou a variação acumulada em 12 meses para 8,6% – a mais alta desde 1981. Os títulos similares europeus subiam na mesma toada, enquanto bolsas em todo o mundo naufragavam. O índice Hang Seng de Hong Kong, o Nikkei 225 do Japão  e o Kospi da Coreia do Sul , todos caíram mais de 3%; o índice pan-europeu Stoxx 600 perdia mais de 2% perto do final do pregão. Os índices Nasdaq e S&P 500 caíram mais de 5% na última semana; hoje abriram em baixa, respectivamente, de 2,9% e de 2,7%, estendendo as respectivas perdas no ano para 27% e 18%. O Bitcoin, esta manhã cotado na casa dos 22 mil dólares, já perdeu de 40% do valor desde o início do ano. Desde sexta, a queda é de mais de 15%. Seguindo a tendência mundial, o Índice Bovespa estava em baixa de 2,4% em 102.946 pontos. 

Já o dólar volta a subir no mundo todo, contra a maioria das moedas, sejam de emergentes como dos países desenvolvidos. Aqui, o dólar operava em alta de 3,62%, em 5, 092. Frente ao peso mexicano, considerado um dos pares mais próximos do real, a alta supera 2% nesta manhã. O Índice DXY, que representa a variação do dólar contra uma cesta de moedas desenvolvidas mais negociadas do mundo, voltava a se aproximar de 105 pontos, o nível mais alta em duas décadas. Este índice é formado por uma cesta de moedas mais negociadas no mundo em relação ao dólar. Na quinta-feira, atingiu a máxima desde 2002, ao bater os 104,54 pontos. Nestes quase seis meses do ano, já subiu mais do que em todo o ano passado, acumulando uma variação de 8,8% contra 6,7% do ano passado.

 

William Salasar
Editor de Finanças em CartaCapital.

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