A semana do Mercado #6: apesar da CPI da Covid

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 26

Foto: Instagram/Reprodução

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Economia

Apesar da instalação da CPI da Covid, marcada para amanhã, a semana para os mercados tende a ser mais influenciada pelos indicadores econômicos, domésticos e internacionais, e pela divulgação de balanços do primeiro semestre, na medida em estes que poderão confirmar a expectativa de que a economia de fato esteve mais aquecida como apontou o índice de atividade IBC-Br para o mês de fevereiro, cujo avanço de 1,7% superou em muito as projeções de 0,9% esperado pelo mercado. 

Faltando uma semana para a reunião do Copom, o boletim Focus do Banco Central (divulgado nesta manhã) trouxe uma expectativa um pouco mais alta para a inflação medida pelo IPCA em 2021, de 4,92% para 5,01%. Para 2022, a projeção foi mantida em 3,60%, depois da elevação na última semana. Muito mal, já que esse é um dos indicadores relevantes para o Copom decidir a meta de juros Selic que vai perseguir até julho e supera a meta de inflação 3,5% para o próximo ano.

Consequentemente, os analistas consultados pelo BC também subiam suas expectativas de taxa Selic, de 5,25% para 5,50% ao final deste ano, e de 6% para 6,13% ao ano para 2022.

A bolsa está mais agitada com a safra de balanços trimestrais e com a aceleração do ritmo de aquisições, principalmente na área do varejo

Com a manutenção das expectativas em relação ao câmbio, a razão para as expectativas mais altas para a inflação reside na firmeza dos preços de commodities no mercado internacional, que se refletem nos preços internos. O índice Bloomberg Agriculture Spot, que acompanha os principais produtos agrícolas, registrou sua maior alta em quase nove anos, impulsionado pelos preços futuros de milho, trigo, soja e óleos vegetais. Quebras de safra e o apetite insaciável da China impulsionam as altas recordes.

Assim, a alta das expectativas de inflação registradas no boletim Focus preocupa, primeiro, por sinalizar que os analistas estão pendendo para o viés de que as altas de alimentos, energia e produtos industriais é permanente, ou pelo menos longa o bastante para não ser desconsiderada pelo Copom, em contraposição àqueles que acham que essa pressão é temporária, logo o BC deveria ser mais brando com a Selic. Em segundo lugar, preocupa por estar revelando uma percepção entre os agentes de que o BC pode, justamente, ser mais brando com a inflação.

Caldeirão de aquisições

Enquanto isso, a bolsa está mais agitada com a safra de balanços trimestrais e com a aceleração do ritmo de aquisições, principalmente na área do varejo. Hoje, o grupo Soma (dono da Animale e da Farm, marcas premium) comprou a Hering (marca de massa) por 5,1 bilhão de reais, desbancando a oferta de 3 bilhões feita na semana passada pela Arezzo.

Analistas entendem que essa aquisição bilionária reforça a perspectiva de consolidação no varejo brasileiro. Também indica que quem não se mexer para expandir o negócio para outras áreas, afins ou não, pode ficar para trás – e ser comprado. O paradigma é o Magazine Luiza: aquisições de Magalu foram 9 em 2020 e 3 neste ano, 12 em pouco mais de 12 meses. Comprou de tudo, deste a Estante Virtual, que é um negócio fora dos negócios convencionais do Magalu, até food delivery, passando por diversas empresas que contribuem para ampliar os negócios já existentes, reduzir custos, aliciar parceiros, facilitar a logística de fornecedores, incrementar o próprio market place. O principal ingrediente dessa movimentação toda, é a imperiosa necessidade se impor no comércio eletrônico, que está fermentando na pandemia.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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