A Semana do Mercado #13: A expectativa de um BC mais ‘falcão’

O editor de Finanças William Salasar apresenta as principais tendências da abertura dos mercados nesta segunda-feira 7

O prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

O prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

Economia

Após oito pregões seguidos de alta, sendo seis recordes, o Índice Bovespa acumulou queda de 0,53% na semana ao encerrar a sexta-feira em 129.441 pontos. Enquanto isso, analistas, operadores e investidores dos mercados financeiros se atentavam às expectativas de furo do teto da meta de inflação e a possibilidade de o Banco Central subir a taxa básica de juros, a Selic, em até 1 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, marcada para esta quarta-feira.

A grande maioria dos analistas espera nova alta de 0,75 p.p., levando a Selic para 4,25% a.a, como já indicado no comunicado da decisão anterior. No entanto, há alguns dissidentes que acreditam que o Copom pode ser mais agressivo, elevando a taxa básica de juro em 1,0 p.p. no encontro”, assinalou a Febraban em seu boletim semanal de Economia Bancária, divulgado hoje.

Se confirmada a expectativa geral, a Selic iria para 4,25%, mas se vencerem os dissidentes, ela passará a 4,5%

O próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, admitiu que o poderia rever trajetória dos juros, na mesma quarta-feira passada em que os mercados já haviam sido chacoalhados pelo IPCA de maio, que cravou uma variação mensal de 0,83%, bem acima dos 0,7% esperados pela maioria dos agentes e analistas. Com essa inflação sinalizando estouro significativo da meta de inflação para 2021 e possivelmente contaminando 2022, Campos Neto lembrou que o cenário básico do Copom na reunião anterior, de maio, já apontava que uma “normalização total” da Selic 2022 levaria a inflação de 2022 para abaixo de 3,5%, que o alvo mirado pelo Copom mira quando dispara suas decisões sobre a Selic. E emendou: “Daquela época para este Copom muitas coisas aconteceram e elas serão analisadas”.

Até a reunião passada, de maio, em que a Selic foi fixada em 3,5% a.a., o BC vinha indicando que considerava uma “normalização parcial” da taxa de juros, isto é, juro básico algo inferior aquele tido como tecnicamente recomendável para o nível de inflação vigente e esperado, a fim de manter algum estímulo à atividade. “No entanto, diante da surpresa positiva da atividade neste início de ano e, principalmente, da pressão inflacionária mais persistente, que já começa a contaminar as expectativas de inflação para 2022, parte relevante do mercado espera que o colegiado adote uma postura mais firme, retirando a mensagem de ajuste parcial e indique que o Copom se pautará apenas em levar a inflação de volta para sua meta em 2022. Nesta direção, ganha força a leitura de que a Selic deve subir até seu nível neutro (estimado em 6,5% aa) ainda em 2021”, assinala a Febraban.

O Boletim Focus, que traz a média das projeções dos economistas do mercado financeiro consultados pelos BC, alteraram para cima suas projeções para a Selic do final deste ano, de 5,75% para 6,25% (um mês atrás era de 5,50%). 

Em webinário sobre o andar da conjuntura, na quinta passada, os economistas José Julio Senna, Armando Castelar e Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas observaram que, a par de notícias alvissareiras, como o inesperado crescimento de 1,2% do PIB no primeiro trimestre, a inflação corrente a 8% tende a fazer o BC mais inclemente, isto é, subir a Selic até, pelo menos, 6,5% para o final do ano, o que significa duas elevações de 0,75, nesta semana e na de ¾ de agosto; seguidas de mais três de 0,5 ponto percentual cada em setembro, outubro e dezembro. Senna e Castelar, particularmente, entendem que o BC fará o que for preciso fazer para trazer a inflação para o centro da meta (3,5%) em 2022, ano de eleições gerais que tendem a provocar gastos exuberantes nos três níveis de governo pelos incumbentes que concorrem à reeleição.

As taxas de juros dos contratos futuros, como não podia deixar de ser, embutiram essas expectativas de inflação mais acelerada BC mais “falcão”, isto é, mais duro com o controle da inflação. Mais ligadas aos rumos da Selic, as taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2023 subiram de 6,64% a 6,97% na semana. Os contratos de prazos mais longos subiram de 8,82% a 9,14%. Nenhuma surpresa nisso: os negociadores de dinheiro simplesmente antecipam para hoje o que vai acontecer com os preços amanhã. Hoje pela manhã, porém, o mercado de juros futuros operava entre estável e com baixa. O DI para janeiro de 2023 caia cinco pontos-base a 6,93%, o DI para janeiro de 2025 tem queda de oito pontos-base a 7,97% e o DI para janeiro de 2027 registra variação negativa de nove pontos-base a 8,45%.

Também o câmbio operava em baixa, depois de o dólar ter subido 1,36% na semana e encerrou cotado a R$ 5,12. Nesta manhã, o dólar comercial caía 1,19%, para  R$ 5,062 na venda. 

E o Ibovespa igualmente inverteu o sinal de menos para mais, operando com alta de 0,96%, a 130.686 pontos.

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Editor de Finanças em CartaCapital.

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