Cultura

Paulinho Moska teve ‘duplo sofrimento’: a pandemia e o governo negacionista

Cantor, que viajou por 12 países latino-americanos em série, diz que situação do momento travou as composições

Uma série está no ar na HBO Max chamado Tu Casa es Mi Casa em que um cantor e compositor brasileiro percorre 12 países latino-americanos para encontrar três tipos de personagens na capital de cada localidade: um músico, um cientista e um artista visual. O programa se desenvolve em torno disso.

O cantor e compositor é Paulinho Moska. Ele realizou no México, Panamá, Costa Rica, Guatemala, Colômbia, Bolívia, Peru, Chile, Equador, Argentina, Uruguai e também no Brasil encontros em que conversava com cientistas sobre um temas transformadores da vida, que vão de inteligência artificial e edição genética a ciclo cicardiano.

Depois, em três dias, fazia uma canção com um compositor local inspirado no tema científico abordado. Além disso, participava um artista visual, que tinha que desenhar um ícone ou logo sobre o assunto em questão que se transformava na marca do episódio. Moska tatuou todos os 12 sinais criados ao longo do programa em seu braço.

“Cada um é um tema científico, uma canção, um país e um episódio do programa”, resume em conversa com CartaCapital. Um disco com as 12 canções deve sair em breve, como desdobramento do projeto em exibição no HBO Max. A direção é de Pablo Casacoberta.

Desde que conheceu Jorge Drexler há quase 20 anos (o uruguaio participou do disco de 2003 de Moska, A Idade do Céu), o cantor tem se aprofundado na cultura latino-americana. Registrou ainda um álbum com o argentino Fito Paez em 2015, chamado Locura Total, gravado em português e espanhol.

“A América Latina é a história de colonização e assassinato dos povos primários. Temos essa herança até hoje”. Moska conta que, nas andanças pelos países latino-americanos, todos contavam histórias semelhantes como as do Brasil, de opressão.

Na pandemia, diz ter ficado muito abalado. “Compor para mim tinha o elemento da felicidade, mesmo em uma canção triste. Foi um choque grande. Essa dinâmica de ficar em casa me custou muito”, explicou sobre ter demorado a compor neste tempo de Covid-19.

O período foi de um “duplo sofrimento” com a pandemia em si e o governo negacionista, afirma o músico. “Ficamos sequestrados, dentro de nosso casulo impedidos de ir para rua protestar”, diz. “Essa situação delicada me pegou na criatividade”.

Assista à íntegra da entrevista:

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