Muato imprime na música personalidade e consciência

Cantor formado em violão clássico, ator e produtor premiado na Alemanha desenvolve novos projetos com expressão e ação

Foto:  Paula Dias/Divulgação

Foto: Paula Dias/Divulgação

Cultura

André Muato começou a tocar violão clássico aos 13 anos. Passava o dia inteiro estudando e ensaiando. Mais tarde, fez bacharelado do instrumento na UNIRIO. Acabou lançando em 2014 um DVD chamado Emaranhado, com improvisos e explorando possibilidades musicais.

No ano seguinte, estreou como ator no espetáculo Andança – Beth Carvalho, o Musical fazendo três papéis: o de Milton Nascimento, o de Nelson Cavaquinho e o de Arlindo Cruz. Depois, participou de outros musicais, como de Cartola e Dona Ivone Lara.

Produziu um disco de Denise Krammer, radicada na Alemanha, lançado em 2019, que ganhou em algumas categorias – como de arranjo e melhor álbum de world music – o Deutsche Rock & Pop Preis, a mais importante premiação naquele país para revelações da música. Muato já acompanhava no violão a cantora e compositora no circuito da Lapa, no Rio de Janeiro.

Em setembro do ano passado, começou a apresentar o projeto AfroLove Songs ou A Canção Urbana de Amor Política. Com isso, passou a inaugurar um novo momento em sua carreira. “Um trabalho mais popular. É um Muato que as pessoas não conheciam antes”, define o artista, que nasceu no bairro de Vila Isabel, no Rio.

O projeto já tem oito músicas lançadas, que misturam pop e jazz, com ritmo bem urbano. Outra composição deve sair este ano e novas estão programadas para serem lançadas em 2022. Cinco delas serão apresentadas em formato de EP em breve. As composições do projeto são de Muato, com algumas parcerias, como Carol Dall Farra, Vitória Rodrigues, Danilo Mesquita e Caio Nunez.

 

Frases certeiras

“As músicas, embora de amor, não estão deslocadas da realidade”, diz o artista sobre o fato do projeto ter no nome a expressão A Canção Urbana de Amor Política. Em uma das composições, cita ele, há a realidade de se trabalhar duro, com longas horas perdidas no transporte público casa-trabalho-casa, e ainda cuidar do amor com a pessoa em que se vive.

“Minha energia está nesse trabalho”, conta. Mas não é só: “Quero trazer cada vez mais as questões sociais para os meus projetos. A intenção é ter ganhos tangíveis”.

Ano que vem, Muato pretende lançar álbum com participações de peso da música brasileira e reverter a arrecadação com direitos nas plataformas de streaming para projetos sociais, especificamente o Instituto Lar, do qual é voluntário e ajuda pessoas em situação de rua. “Vou colocá-los para participar do disco”.

No início do ano, começou a dar cabo em outro projeto que surgiu depois que passou a lançar as músicas da série AfroLove e apresentar as composições nas redes sociais. “Descobri que elas traziam frases muito certeiras”, diz. Daí, ele começou a postar essas frases específicas e outros textos poéticos seus, que acabaram ganhando repercussão.

“Teve um texto que fazia referência à famosa frase de Martin Luther King ‘Eu tenho um sonho’, onde eu escrevi: Eu não tenho um sonho, eu tenho um plano”, lembra uma frase que teve ressonância.

Então, com isso, Muato teve a ideia de fazer lambe-lambe (pôster artístico colado em áreas públicas) com as suas frases e colar em muros e postes pela cidade. A proposta foi colocada em prática em março e continua.

Da última música lançada no projeto AfroLove Songs, Incendeia, a frase que surgiu no lambe-lambe foi “O sol tipo flecha na fresta, aquece na alma o que resta”.

Muato é um multiartista que traz para a música influências contemporâneas, personalidade e expressão artística conjugada com consciência social. Uma boa surpresa.

 

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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