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Tebet minimiza impacto de comissões de inquérito nas pautas do governo: ‘População não está interessada em CPI’
Para a ministra do Planejamento, governo tem, ainda, outras duas vantagens para fazer avançar suas propostas: primeiro, está no início do mandato e, segundo, a oposição é reformista
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, avalia que abertura de Comissões de Inquérito Parlamentar (CPIs) no Congresso pouco atrapalha no andamento das pautas prioritárias do governo federal. Ao todo, já foram autorizadas três CPIs na Câmara – fraude nas Americanas, MST e apostas esportivas – e uma CPMI para apurar o 8 de Janeiro.
Para defender sua posição, Tebet diz que a atual gestão teria três vantagens. A primeira delas é o pouco interesse da população em CPIs. A segunda, é o fato do governo estar apenas começando sua gestão. Por fim, a oposição no Congresso quer fazer reformas econômicas, o que, de modo pragmático, facilitaria o andamento das propostas.
“Estas CPIs estão distantes da realidade do povo brasileiro. Não vão ter esse protagonismo, essa vitrine, e com isso paralisar o Congresso, como foi na pandemia. Todo mundo estava dentro de casa, desesperado atrás de vacina. Não tinha outra coisa, a não ser ficar assistindo à CPI”, avaliou a ministra em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada nesta terça-feira 2.
“A maior, que é a do 8 de Janeiro, pode interessar para nós que temos a noção real do risco que corremos, mas a grande parte da população está preocupada com emprego e comida. Eu diria que 70% da população não está preocupada com a CPI. Está, inclusive, cansada da polarização”, acrescentou Tebet mais adiante.
Para ela, o andamento das comissões tende a gerar mais memes contra a extrema-direita do que resultados práticos para a oposição. Ainda sobre o andamento das pautas prioritárias do governo – arcabouço e reforma tributária -, Tebet diz que o perfil do Congresso dá nova vantagem ao governo Lula.
“A minha experiência, de muito tempo de Congresso, é que nós estamos em um momento distinto. É início de governo, e normalmente CPIs acontecem no fim, isso paralisa máquina pública”, disse a ministra.
“A oposição é mais liberal, então ela tem interesse. Esse Congresso é reformista. A reforma tributária, hoje, é uma pauta do Congresso. Ele está encampando, como foi com a autonomia do BC, a reforma da Previdência. Por isso a coisa vai andar”, defendeu.
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