CartaExpressa
Racha entre Cid e Ciro Gomes causa debandada de prefeitos do PDT no Ceará
Disputa na sigla envolve divergências sobre aliança ou não com o PT no estado; Ivo Gomes, irmão de Cid e Ciro, optou por sair da legenda
Desde que o senador Cid Gomes (PDT-CE) e o seu irmão, Ciro Gomes (ex-ministro da Fazenda e ex-candidato à Presidência) tornaram pública a crise política entre ambos, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) vem sofrendo uma série de baixas entre os seus quadros.
A disputa está centrada no Ceará. Nesta semana, a Justiça do estado suspendeu a intervenção da Executiva Nacional do PDT no diretório cearense da sigla, fazendo com que Cid Gomes retomasse o controle do comando local.
A intervenção tinha sido proposta por Ciro Gomes, segundo comunicado do próprio partido. Basicamente, os dois políticos divergem sobre se o partido deve se aliar ou não ao PT nas eleições municipais do ano que vem. Ciro sustenta que o PDT apoie a reeleição de José Sarto à prefeitura de Fortaleza (CE) sem o apoio do partido do presidente Lula (PT). Já Cid Gomes defende que, na chapa para a prefeitura, conste um nome do PT para o cargo de vice-prefeito.
As divergências sobre os rumos que o partido deverá tomar se tornaram insustentáveis para quadros internos, nesta semana. Na última terça-feira 14, em reunião com Cid, 43 prefeitos do PDT decidiram deixar o partido. Um deles é Ivo Gomes, irmão mais novo de Cid e Ciro, que é prefeito de Sobral (CE).
A maior parte dos mandatários locais que desembarcaram do PDT são do Ceará. A saída é especialmente importante, em termos eleitorais, uma vez que, nas eleições de 2020, o PDT elegeu 65 prefeitos no estado nordestino. O número total de prefeitos do PDT eleitos em 2020 (314) já foi menor do que os eleitos em 2016 (331).
O PDT é um dos partidos mais tradicionais da centro-esquerda brasileira. O partido foi fundado em pleno regime militar, em 1979, e teve como um dos nomes históricos Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Presidente do PDT diz que Ciro pode ser candidato a governador em 2026
Por Wendal Carmo
Ciro debocha e diz que Cid aprovou carta de anuência do PDT ‘para um poste’
Por CartaCapital
Governo do Ceará vai à Justiça para Ciro provar ‘propina em toda obra’ no estado
Por CartaCapital
Ciro propôs intervenção do PDT no diretório do Ceará, aponta ata de reunião
Por CartaCapital



