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Presidente do FNDE afirma ter ouvido ‘conversas tortas’ sobre pastores lobistas

Marcelo Lopes da Ponte prestou depoimento nesta quarta-feira à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados sobre suposto gabinete paralelo no MEC

Foto: PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
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O presidente do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), Marcelo Lopes da Ponte, disse à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira 25, que ouviu ‘conversas tortas’ sobre os pastores citados em casos de propina no Ministério da Educação. Ele, no entanto, negou que tenha envolvimento com os líderes religiosos.

“Em agosto do ano passado, ouvi da minha equipe e de outras pessoas conversas tortas sobre a relação dos pastores e ao ouvir procurei o secretário executivo do MEC [Ministério da Educação], o agora ministro, Victor Godoy”, disse o presidente do fundo. Ponte ainda afirmou que apresentou os relatos ao então ministro da Educação, Milton Ribeiro.

“Não recebi valores, mas onde há fumaça há fogo e pedi pro ministro tomar providência”, afirmou Ponte. Ele também declarou que os encontros com prefeituras tinham caráter técnico, para dirimir dúvidas das áreas sobre processos do fundo. “Nunca recebi influência de pastor ou de qualquer pessoa, nosso trabalho é extremamente técnico”, completou.

O FNDE é responsável pela gestão e transferência de verbas para municípios e estados. Parte do orçamento é destinado ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e a outra parte, as chamadas ‘transferências voluntárias’, atendem projetos enviados pelas prefeituras e governos estaduais.

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura são acusados de intermediar a destinação de recursos a municípios cujas gestões apoiassem o presidente Jair Bolsonaro, diante pagamento de propina. Em áudio divulgado à época da denúncia, Milton Ribeiro chegou a afirmar que o governo federal prioriza a liberação de verbas a municípios que eram indicados pelos líderes religiosos.

Em abril, o Tribunal de Contas da União determinou a abertura de uma investigação no Ministério da Educação para apurar o repasse de verbas da pasta sob a intermediação de pastores.

 

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