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Malafaia defende Milton Ribeiro após prisão: ‘Foi ele que denunciou suspeita de envolvimento de pastores’

Segundo o religioso defendeu em vídeo divulgado pelas redes sociais, ‘fatos estranhos’ não explicados pela PF envolvem a prisão do ex-ministro

Foto: Reprodução
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O pastor bolsonarista Silas Malafaia saiu em defesa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que teve sua prisão decretada nas primeiras horas da manhã por suspeitas no envolvimento de um esquema de corrupção no MEC. Em vídeo publicado nas redes sociais na noite desta quarta-feira 22, Malafaia afirmou ver ‘fatos estranhos’ na detenção de Ribeiro pela Polícia Federal.

“Há algumas coisas estranhas nessas prisões. Foi o ministro que denunciou à CGU [Controladoria-Geral da União] que suspeitava do envolvimento de pastores em corrupção. Foi ele, o Milton!”, defende Malafaia em um trecho.

A afirmação do bolsonarista, na realidade, está distorcida. As primeiras suspeitas de corrupção no MEC surgem em agosto de 2021 a partir de denúncias internas de advogados servidores da Advocacia-Geral da União que prestavam consultoria jurídica ao ministério.

Algumas destas suspeitas, na época, vazaram para a imprensa e, a partir delas, novos escândalos foram sendo revelados. A CGU só encaminhou denúncia à PF e ao Ministério Público após sete meses do início da apuração preliminar em meio a avalanche de divulgações de suspeitas envolvendo Ribeiro e os pastores. Ribeiro, por sua vez, manteve íntima relação com os pastores mesmo após as primeiras divulgações. Na ocasião, chegou a dizer que manteve as agendas para ‘não levantar suspeitas’. Versão desmentida por registros dos próprios encontros do ex-ministro com os lobistas.

“Tem outro fato: se estão presos por suspeita de corrupção, cada os prefeitos? Não tem prefeito suspeito? Corromperam quem? A PF não pediu a prisão de prefeitos, como que é isso? Estranho não é?”, questiona em seguida o pastor em defesa de Milton.

Apesar de fazer a defesa, o líder religioso tratou também de desvincular seu nome ao de Ribeiro e Gilmar Santos, o pastor preso na operação desta quarta-feira suspeito de organizar o esquema de propina com verbas da Educação. Conforme defendeu no vídeo, ele e a bancada evangélica, a qual é ligado, não teriam qualquer ligação com a indicação do ex-ministro para o cargo.

“Se tem alguém que tem moral pra falar do assunto sou eu. Eu pedi investigação profunda na época. Eu pedi junto da bancada evangélica o afastamento do ministro para se apurar profundamente”, disse logo no início da publicação.

Mais adiante então reforça: “Nem Damares [Alves] nem Milton foram indicações de pastores evangélicos ou da bancada evangélica. Foi do próprio presidente. Nós denunciamos e nós queremos investigação séria, doa a quem doer.”

Malafaia, um dos mais influentes conselheiros de Jair Bolsonaro, aproveitou ainda a publicação desta quarta-feira para defender seu aliado. Segundo disse no vídeo, o presidente, apesar de ser o responsável pela indicação de Ribeiro e apontado no áudio do ministro como fiador do esquema de propinas no MEC, não poderia ser classificado como corrupto. Para defender o ex-capitão, proferiu diversos ataques ao PT, ao ex-presidente Lula e à imprensa brasileira.

“Querer comparar corrupção de governo Lula com governo Bolsonaro só pode ser piada. Olha o jornalismo bandido e sectário, sete matérias n’O Globo sobre o assunto. A cereja do bolo: Bolsonaro perde o discurso de combate à corrupção. Só pode ser brincadeira!”, vociferou.

“Bolsonaro está envolvido em que? Foi incriminado em que?”, questionou após os ataques a Lula.

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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