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‘Bolsonaro blefa’, diz Lula ao Financial Times sobre ameaças de golpe
Para o petista, em caso de ruptura democrática, ex-capitão ‘ficaria por conta própria’ sem o apoio de instituições e da sociedade civil
O ex-presidente Lula (PT) negou, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, que o presidente Jair Bolsonaro (PL) será bem sucedido na tentativa de um golpe caso seja derrotado na eleição de outubro deste ano.
Para o petista, “Bolsonaro é alguém que blefa” e, em caso de ruptura democrática, “ficaria por conta própria” sem o apoio de instituições e da sociedade civil.
Os ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas e a ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Eleitoral têm acendido sinais de alerta o risco do presidente não aceitar o resultado. Recentemente, em evento em Santa Catarina, o ex-capitão ameaçou agir fora da Constituição caso o seu principal adversário no pleito nacional saia vitorioso na disputa.
“Não podemos esperar chegar 2023 ou 2024 e olhar para trás e perguntarmos: ‘o que nós não fizemos para que chegássemos a essa situação?’”, declarou o presidente. “Somos a maioria. Vocês têm que dar o norte para nós. Não podemos aceitar passivamente aqueles que querem impor as suas vontades sobre nós.”
Nesta segunda-feira 11, Bolsonaro atacou integrantes do TSE e admitiu que as Forças Armadas questionam as urnas eletrônicas a mando dele.
“O TSE convidou as Forças Armadas para participar de uma Comissão de Transparência Eleitoral, mas acho que eles não entenderam…não sabiam…que o chefe supremo das Forças sou eu. Eu determinei que se fizesse o processo que deveria ser feito no TSE”, iniciou. “Nós apresentamos as sugestões, mas o TSE na pessoa do Fachin, era do Barroso antes, não aceita que nosso pessoal técnico converse com os técnicos deles. Ontem o Fachin disse que não tem mais conversa. Acho que ele já se intitulou o ditador. Quem age dessa maneira não tem qualquer compromisso com a democracia”, vociferou em seguida para apoiadores.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
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