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‘Retrocesso’: Entidades reagem a Tarcísio após declarações contra câmeras corporais em PMs

O governador de São Paulo contrariou dados e alegou que os equipamentos nas fardas não protegem cidadãos

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
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A alegação do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de que as câmeras nas fardas dos policiais não protegem a população gerou a reação de entidades que monitoram os índices de segurança pública no estado.

Criticam a postura do bolsonarista por meio de uma carta aberta as organizações Conectas Direitos Humanos, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Instituto Sou da Paz, Instituto Igarapé, JUSTA e Núcleo de Estudos da Violência da USP.

“As câmeras aumentam a produtividade da polícia e reduzem a letalidade e a vitimização policial“, diz o texto. “Portanto, ao contrário do que afirma o governador, o equipamento contribui de maneira significativa para a segurança do cidadão”.

Em um ano, o programa Olho Vivo, responsável pela implementação das câmeras nas fardas, levou a letalidade policial no estado a cair em 80%.

Negacionismo na segurança? 

“A gente não descontinuou nenhum contrato. Os contratos permanecem. Mas qual a efetividade das câmeras corporais na segurança do cidadão? Nenhuma”, declarou Tarcísio, em entrevista à TV Globo, na terça-feira 2.

Diante da afirmação, as entidades temem que o governo paulista descontinue o programa, uma vez que o contrato das câmeras em operação deve vencer em julho deste ano.

“Acreditamos que as melhorias na segurança pública de São Paulo devem se dar a partir do aprimoramento do uso das câmeras corporais e não a despeito destas. O retrocesso em uma prática que se mostra solidamente benéfica para a população e para as corporações policiais seria uma perda enorme e a decisão deve ser reconsiderada.”

O governo de São Paulo já cortou ao menos 37,3 milhões de reais do programa de câmeras corporais. O projeto teve início em 2021 e, para 2023, a previsão inicial era de que fossem investidos 152 milhões de reais no sistema.

No ano passado, Tarcísio editou quatro decretos reduzindo o montante que seria gasto nas câmeras e transferindo o dinheiro para outras despesas. O último desses decretos foi publicado em 9 de dezembro e repassou cerca de 2,5 milhões de reais do programa de câmeras para ações como atendimento em saúde dos policiais militares.

Leia na íntegra a carta de entidades contra as declarações de Tarcísio:

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