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Sexo anal e as infecções sexualmente transmissíveis: como identificar os sintomas

Ao primeiro sinal de feridas, corrimento ou verrugas, não tenha dúvidas: procure o médico imediatamente

(Foto: Giovanni DallOrto/Wikimedia Commons)
(Foto: Giovanni DallOrto/Wikimedia Commons)
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Depois de comentar sobre os cuidados para quem pratica sexo anal e da prevenção do câncer de ânus relacionado ao vírus do HPV, chegou a hora de ficar atento aos sinais e sintomas de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) do ânus. Lembrando que cada dia mais estamos deixando de lado o termo “doença” sexualmente transmissível devido ao estigma que carrega de algo crônico e incurável. A maioria das ISTs tem sim cura, ou pelo menos, tratamento.

“Ah, mas é só usar o preservativo que não vou pegar nenhuma infecção.” Pois é, meus caros, sinto-lhes dizer que não é tão simples assim. Primeiramente: nenhum método é totalmente eficaz na prevenção, apesar de a camisinha chegar próximo aos 100% de eficácia para a maioria das infecções. Segundo: sexo vai muito além da penetração do pênis no ânus. Qualquer contato íntimo, seja com as mãos, dedos, boca, língua, saliva e/ou brinquedos pode transmitir certos tipos de infecções, cada uma com a sua particularidade.

Vamos começar falando um pouco da IST mais conhecida, o HIV. O risco de transmissão do vírus pela via anal chega a ser até 100 vezes maior para quem está realizando o sexo anal receptivo (passivo), comparando com o sexo anal insertivo (ativo), ou o sexo vaginal (insertivo ou receptivo). O risco de transmissão por via oral é realmente baixo, aumentando quando há contato com o esperma ou quando há feridas na boca ou no ânus.

O sexo oral no ânus, também conhecido popularmente como “beijo grego” ou “cunete”, traz também alguns riscos. Lembrando que o nome “chique” para essa prática é anilíngue e não cunilíngue como muitos pensam (que é o sexo oral na vagina). A principal infecção que pode ser transmitida por essa prática é o vírus da hepatite A, que pode ser prevenida por meio de vacina (não havendo necessidade quando a pessoa já teve a doença no passado) e costuma causar febre, amarelão e ser autolimitada, ou seja, cura sozinha. As infecções parasitárias, como giárdia e ameba, também podem ser transmitidas por essa via. Neste caso, o uso de vermífugos anualmente e consulta com o seu médico quando houver sintomas como dor abdominal e diarreia podem ajudar a tratar e prevenir a transmissão desses agentes.

O uso da saliva como lubrificante na hora do sexo anal potencializa o risco de IST, principalmente a clamídia e a gonorreia. O uso de lubrificantes específicos para o sexo, normalmente os a base de água ou silicone, diminui o atrito e também o risco de micro lesões que podem facilitar a entrada de agentes infecciosas.

E quais são os sintomas de infecções que ocorrem diretamente no ânus ou no reto?

  • Feridas: feridas ou úlceras no ânus podem ser uma infinidade de doenças, inclusive não infecciosas, como as fissuras anais. Dentre as infecciosas, podemos ressaltar a herpes, a sífilis, a donovanose e o cancro mole.
  • Corrimento ou pus: da mesma forma que ocorre na vagina e na uretra peniana, a infecção pela clamídia ou gonorreia no reto pode causar saída de secreção purulenta e às vezes até sangue pelo ânus ou nas fezes. Dor anal ou pélvica e a sensação de que não conseguiu fazer todo o coco que gostaria também podem ocorrer nesse tipo de infecção.
  • Verrugas: o surgimento de verrugas, não só no ânus, mas também no pênis, escroto, vulva e ao redor deles está diretamente relacionado com a infecção pelo vírus do HPV. É importante tratar essas verrugas (seja com ácido, cauterização com bisturi elétrico ou pomadas) e realizar exames de prevenção do câncer de ânus e colo do útero.

É importante lembrar: ter alguma IST não te faz pior ou mais sujo. Quem pratica sexo está exposto a esse tipo de infecção, cabendo a nós lançar mão das formas disponíveis que temos para nos prevenir: preservativo, vacinas e uso de lubrificante. Apresentando os sintomas, procurar logo atendimento médico para tratá-las e impedir, assim, a cadeia de transmissão desses agentes.

Vinicius Lacerda

Vinicius Lacerda
Cirurgião do aparelho digestivo formado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atua também como coloproctologista no Ambulatório de Doenças Infecciosas Anorretais do HCFMUSP.

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