Parlatório

por José Antonio publicado 24/11/2014 11h53, última modificação 19/04/2017 13h48
Um blog sobre política, feito pela redação de CartaCapital

Mérito Militar

Moro e Temer: outra foto para a história

O juiz da Lava Jato foi condecorado pelo Exército, assim como o peemedebista, destaque nas delações da Odebrecht. General denuncia "aguda crise moral"
por Redação — publicado 19/04/2017 13h51, última modificação 19/04/2017 13h59
Pedro Ladeira / Folhapress
Sergio Moro e Michel Temer

Moro e Temer: juiz barrou perguntas de Cunha que podem revelar casos de corrupção

O juiz Sergio Moro, responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato em primeira instância e visto como bastião da moralidade pelos manifestantes que desde 2015 vão às ruas "contra a corrupção", se encontrou nesta quarta-feira 19 com uma das estrelas das delações premiadas da Odebrecht, o presidente Michel Temer. Ambos receberam em Brasília a Ordem do Mérito Militar, condecoração entregue pelo Exército como parte das cerimônias comemorativas do Dia do Exército.

Sorrindo, o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba cumprimentou Temer, que fez questão de encontrá-lo, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Ainda de acordo com a publicação, eles não conversaram e não se sentaram próximos. 

Como juiz de primeira instância, Moro não tem qualquer jurisdição sobre Temer. As histórias dos dois se entrelaçaram, entretanto, por conta de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado cassado.

Ao apresentar sua defesa à Justiça Federal de Curitiba, em novembro de 2016, Cunha elencou uma série de 41 perguntas a Temer, a quem arrolou como testemunha. Moro barrou, entretanto, 21 dessas questões, por considerá-las inapropriadas ou sem pertinência com o caso de Cunha. 

Em dezembro, uma denúncia envolvendo José Yunes, então assessor especial do gabinete pessoal de Temer, mostrou as razões de Cunha. Yunes teria recebido dinheiro vivo em seu escritório de advocacia, que seria propina ao grupo político de Temer, segundo um delator da Odebrecht. Três das 21 perguntas barradas por Moro tratavam sobre Yunes.

Mais recentemente, em fevereiro, Mor negou liberdade a Cunha alegando, entre outras coisas, que com as perguntas o deputado cassado estaria tentando chantagear Temer. "Não se pode permitir que o processo judicial seja utilizado para essa finalidade", escreveu o magistrado.

Oito ministros de Temer figuram na lista de Fachin, mas ele não consta. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu não investigar Temer, alegando que o cargo o protege de ações a respeito de eventuais crimes cometidos antes de sua posse. Ainda assim, o peemedebista é protagonista nas delações da Odebrecht.

Em seu escritório político em São Paulo e nPalácio do Jaburu, Temer teria sediado segundo os delatores encontros que renderam a seu grupo, respectivamente, 40 milhões de dólares em 2010, cerca de 70,4 milhões de reais à época, e 10 milhões de reais em 2014: mais de 80 milhões. No primeiro caso, os delatores falam em "pura propina". 

Sergio Moro e Luciano Huck
Moro ao lado de Luciano Huck. Apresentador da Globo também foi agraciado com a Ordem do Mérito Militar

Durante a cerimônia do Exército, nesta quarta-feira 19, o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, disse que o Brasil vive uma “aguda crise moral” por causa dos “incontáveis escândalos de corrupção”.

“A aguda crise moral expressa em incontáveis escândalos de corrupção nos compromete o futuro. A ineficiência nos retarda o crescimento. A ausência de um mínimo de disciplina social, indispensável à convivência civilizada, e uma irresponsável aversão ao exercício da autoridade oferecem campo fértil ao comportamento transgressor e à intolerância desagregadora”, afirmou. 

Segundo Villas Bôas, a atual crise “fere gravemente a alma da nossa gente”, além de ameaçar a identidade nacional e o projeto de nação do País. “Interesses pessoais e corporativos estão sobrepostos ao interesse nacional”, disse ao destacar que "não há atalhos fora da Constituição". "O país, seu povo e seu Exército não sucumbirão ao pessimismo e à desagregação”, acrescentou.

A Ordem do Mérito Militar é destinada a civis, militares e estrangeiros que tenham prestado “notáveis serviços ao país” ou que tenham prestado “relevantes serviços” ao Exército, a organizações militares ou a instituições civis que tenham se tornado “credoras de homenagem especial” do Exército. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a honraria em 2003 e a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2007.

*Com informações da Agência Brasil

Música

TV Cultura censura a banda Aláfia por crítica a Doria e Alckmin

A apresentadora do programa Cultura Livre e os músicos afirmam que a edição fere os princípios da liberdade de expressão
por Redação — publicado 18/04/2017 19h00
Reprodução/Instagram/Roberta Martinelli
Aláfia

A banda Aláfia no programa Cultura Livre

“Liga nas de cem que trinca
Nas pedra que brilha
Na noite que finca as garra
SP é fio de navalha
O pior do ruim
Doria, Alckmin
Não encosta em mim playboy
Eu sei que tu quer o meu fim”

Este é um trecho da música "Liga nas de cem", da banda Aláfia, da forma como foi cantada no programa Cultura Livre, da TV Cultura, nesta quarta-feira 12.

Quando o programa foi ao ar, para a surpresa dos músicos, o trecho que menciona o prefeito João Doria (PSDB-SP) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) foi sutilmente retirado por meio de edição. 

Em sua rede social, a Aláfia emitiu uma nota nesta segunda-feira 17 criticando o ocorrido. "Sabemos que essa atitude não é natural do programa Cultura Livre, e imaginamos que também estejam indignados com essa decisão da TV Cultura em vetar nossa fala. Nos posicionamos por nos sentirmos afetados e para que coletivamente não nos calemos diante dos abusos contra nossa liberdade de expressão".

A banda paulistana, formada em 2011, mistura rap, funk, MPB e toques do candomblé para construir críticas e reflexões sobre a política, a sociedade e o racismo no Brasil.

Ouça a música "Liga nas de cem". A crítica a Doria e Alckmin aparece nos segundos finais:

Roberta Martinelli, apresentadora do programa que recebe artistas para entrevistas e apresentações de música, também se pronunciou em sua rede social: "eu criei o programa em 2009 e sempre lutei pela liberdade na curadoria e para os artistas. Jamais censuraria qualquer tipo de posicionamento político, editaria ou tiraria vídeos do ar por motivo de livre manifestação", e conclui dizendo que "não existe semi liberdade".

 

A emissora não se pronunciou após a banda e a apresentadora do Cultura Livre se manifestarem. 

Operação Lava Jato

Lula é o alvo preferido do Jornal Nacional, mostra levantamento

Figuras ligadas ao PT tiveram alguns dos maiores períodos de exposição negativa após a divulgação da lista de Fachin
por Redação — publicado 18/04/2017 16h35, última modificação 18/04/2017 16h46
Paulo Pinto/Fotos Públicas
Lula

O Jornal Nacional dedicou 33 minutos a Lula

A lista de Fachin, divulgada na terça-feira 11, tomou conta dos noticiários de todo o País. Só o Jornal Nacional da Rede Globo, principal telejornal brasileiro, dedicou 4 horas, 24 minutos e 51 segundos de reportagens sobre o assunto até a edição desta segunda-feira 17.

Deste total, Lula (PT) foi o político mais mencionado, ocupando 33 minutos e 32 segundos do noticiário. A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) fica em segundo lugar, com 18 minutos e 7 segundos, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) vem em seguida, com 16 minutos e 27 segundos. O levantamento foi realizado pelo site Poder360.

Os partidos políticos que tiveram maior tempo de exposição negativa foram PT, PMDB e PSDB, com uma hora e 24 minutos dedicados ao PT, partido com mais integrantes citados na lista, e 35 minutos aos outros dois.

O atual presidente da República, Michel Temer, que foi citado pelos delatores no contexto de conversas sobre uma possível propina de 40 milhões de dólares ao PMDB, mereceu apenas 5 minutos e 28 segundos no noticiário mais visto do País, incluindo a exibição do vídeo em que o peemedebista se defende. Temer não é alvo de investigação por usufruir de "imunidade parlamentar".

Confira a lista dos dez políticos que mais tiveram destaque nas reportagens do Jornal Nacional:

Lula (PT), ex-presidente, 33min e 32seg
Dilma Rousseff (PT), ex-presidente, 18min e 7seg
Aécio Neves (PSDB-MG), senador, 16min e 27seg
José Serra (PSDB-SP), senador, 9min 3 seg
Jaques Wagner (PT), ex-ministro, 7min 57seg
Aldemir Bendine (PT), ex-preseidente do BB, 7min e 7 seg
Michel Temer (PMDB), presidente, 5min e 28seg
Geraldo Alckmin (PSDB-SP), governador, 4min e 43seg
José Sarney (PMDB), ex-presidente, 4min e 4seg
Guido Mantega e Antonio Palocci (PT), ex-ministros, 3min 46seg

Eleições 2018

Luciano Huck, rival de Doria na corrida tucana ao Planalto em 2018?

Em meio à crescente especulação a respeito do prefeito de São Paulo, apresentador da Globo indica desejo de entrar na política
por Redação — publicado 30/03/2017 11h55, última modificação 30/03/2017 13h41
Reprodução / Facebook
Luciano Huck

Huck apoiou Aécio em 2014

Nome cada vez mais cotado para disputar a Presidência da República em 2018 pelo PSDB, o prefeito de São Paulo, João Doria Jr, pode ganhar um rival a altura na corrida pela vaga tucana ao Planalto. Em entrevista publicada nesta quinta-feira 30, o apresentador da Rede Globo Luciano Huck deixou aparente seu desejo de entrar na vida política.

Ao jornal Folha de S.Paulo, Huck disse que sua geração está pronta para ocupar os espaços de poder e que, diante do colapso da política nacional e da "crise ética", novas lideranças vão surgir. Como nomes de destaque de sua geração, Huck cita o novo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Pedro Faria, presidente da BRF, uma das empresas investigadas na Operação Carne Fraca da Polícia Federal. 

"Não dá para responder [se será candidato ao Planalto] na atual conjuntura. Falando seriamente, nossa geração chegou a um momento em que tem capacidade, saúde, força de trabalho, relevância, influência. Quem entrou na faculdade em 1990 está chegando agora aos espaços de poder. Faço parte desta geração", disse. Questionado sobre eventual apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ele tentou desconversar. "Temos que ver como vai ser o financiamento de campanha. Quem pode dar dinheiro para campanha de maneira legal."

Assim como Doria, Huck diz rejeitar ligações com a política institucional. Lembra que viajou o País "sem crachá político", pede espaço "para quem não está viciado em velhas práticas", mas reconhece, entretanto, que faz política, "fazendo televisão aberta no Brasil, com o poder que a Globo tem, trazendo boas histórias, dando opinião".

O apresentador diz com todas as letras que não é tucano, mas afirma acreditar que o ex-presidente FHC (PSDB) é "a cabeça mais moderna do Brasil", que é amigo do senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, e diz ver Doria como "exemplo de ética e altruísmo". 

Para Huck, a forma de lidar com a polarização política no Brasil e "arrumar" o País "é se a gente conseguir fazer um pacto apartidário, que não tenha "revanchismo" ou "revolta". "Se foi golpe ou se não foi golpe, não importa", diz Huck.

O nome de Doria tem crescido no PSDB por conta de sua popularidade em São Paulo, que destoa da forte reprovação experimentada por caciques tucanos. Segundo pesquisa Ipsos divulgada também nesta quinta-feira 30 pelo jornal O Estado de S.Paulo, Aécio é o campeão de rejeição (74%), seguido pelo também senador José Serra (SP), com 70%, e por FHC e Geraldo Alckmin, com 67%. Oficialmente, Doria defende o nome de Alckmin, seu padrinho político, para o Planalto em 2018.

Direitos

Câmara aprova terceirização total: veja como votaram os deputados

O projeto tinha sido aprovado pelo Senado em 1998 e foi ressuscitado a pedido do governo Temer para acelerar a aprovação
por Redação — publicado 22/03/2017 22h12, última modificação 22/03/2017 22h26
Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia

Rodrigo Maia durante a sessão que aprovou a terceirização: como Temer queria

A Câmara aprovou na noite desta quarta-feira 22 o projeto de lei 4302/98, que permite às empresas a terceirização de todas suas atividades. A modificação na lei, uma das prioridades do governo Michel Temer (PMDB), foi confirmada com a aprovação do relatório do deputado Laercio Oliveira (SD-SE), que apresentou parecer favorável ao projeto.

A liberação da terceirização foi possível graças a um acordo entre os presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Atendendo aos pedidos de Temer, eles decidiram priorizar o projeto de 1998, aprovado no Senado ainda no governo FHC, para facilitar a aprovação. Assim, foi deixado de lado o texto bancado em 2015 pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Aprovado pela Câmara, este projeto está no Senado, mas ainda não foi discutido.

Nesta quarta-feira 22, a aprovação do PL 4302/98 se deu por 231 votos a favor e 188 contra. Apenas PT, PDT, PCdoB, PSOL, Rede e PMB orientaram voto contra a terceirização total. Todos os partidos da base aliada de Temer, a começar por PMDB e PSDB, votaram a favor do texto.

Confira como votaram os deputados:

ParlamentarUFVoto
DEM
Abel Mesquita Jr. RR Sim
Alberto Fraga DF Sim
Alexandre Leite SP Sim
Carlos Melles MG Sim
Claudio Cajado BA Sim
Eli Corrêa Filho SP Não
Elmar Nascimento BA Sim
Felipe Maia RN Sim
Francisco Floriano RJ Não
Hélio Leite PA Sim
Jorge Tadeu Mudalen SP Sim
José Carlos Aleluia BA Sim
Juscelino Filho MA Sim
Mandetta MS Não
Marcelo Aguiar SP Não
Marcos Rogério RO Não
Marcos Soares RJ Abstenção
Misael Varella MG Abstenção
Missionário José Olimpio SP Não
Osmar Bertoldi PR Sim
Pauderney Avelino AM Sim
Paulo Azi BA Sim
Professora Dorinha Seabra Rezende TO Não
Rodrigo Maia RJ Art. 17
Vaidon Oliveira CE Sim
Total DEM: 25   
PCdoB
Alice Portugal BA Não
Assis Melo RS Não
Chico Lopes CE Não
Daniel Almeida BA Não
Davidson Magalhães BA Não
Jandira Feghali RJ Não
Jô Moraes MG Não
Luciana Santos PE Não
Moisés Diniz AC Não
Orlando Silva SP Não
Professora Marcivania AP Não
Rubens Pereira Júnior MA Não
Total PCdoB: 12   
PDT
Afonso Motta RS Não
André Figueiredo CE Não
Assis do Couto PR Não
Carlos Eduardo Cadoca PE Sim
Dagoberto Nogueira MS Não
Damião Feliciano PB Não
Félix Mendonça Júnior BA Não
Flávia Morais GO Não
Hissa Abrahão AM Não
Julião Amin Castro MA Não
Leônidas Cristino CE Não
Mário Heringer MG Não
Pompeo de Mattos RS Não
Sergio Vidigal ES Não
Subtenente Gonzaga MG Não
Weverton Rocha MA Não
Wolney Queiroz PE Não
Total PDT: 17   
PEN
Junior Marreca MA Sim
Walney Rocha RJ Sim
Total PEN: 2   
PHS
Dr. Jorge Silva ES Não
Givaldo Carimbão AL Não
Marcelo Matos RJ Não
Pastor Eurico PE Sim
Total PHS: 4   
PMB
Weliton Prado MG Não
Total PMB: 1   
PMDB
Alceu Moreira RS Sim
André Amaral PB Sim
Aníbal Gomes CE Sim
Carlos Bezerra MT Sim
Celso Jacob RJ Abstenção
Celso Maldaner SC Sim
Celso Pansera RJ Não
Cícero Almeida AL Sim
Daniel Vilela GO Sim
Darcísio Perondi RS Sim
Fábio Ramalho MG Sim
Fabio Reis SE Não
Flaviano Melo AC Sim
Hermes Parcianello PR Não
Hildo Rocha MA Sim
Jarbas Vasconcelos PE Sim
Jéssica Sales AC Não
João Marcelo Souza MA Sim
Jones Martins RS Sim
José Fogaça RS Não
José Priante PA Sim
Josi Nunes TO Não
Laura Carneiro RJ Sim
Lelo Coimbra ES Sim
Leonardo Quintão MG Sim
Marco Antônio Cabral RJ Sim
Marinha Raupp RO Sim
Mauro Lopes MG Sim
Mauro Pereira RS Sim
Moses Rodrigues CE Não
Pedro Paulo RJ Sim
Rodrigo Pacheco MG Sim
Rogério Peninha Mendonça SC Sim
Saraiva Felipe MG Sim
Sergio Souza PR Sim
Sergio Zveiter RJ Sim
Simone Morgado PA Não
Soraya Santos RJ Sim
Valdir Colatto SC Sim
Valtenir Pereira MT Sim
Veneziano Vital do Rêgo PB Não
Walter Alves RN Não
Wilson Beserra RJ Sim
Zé Augusto Nalin RJ Sim
Total PMDB: 44   
PP
Adail Carneiro CE Sim
Afonso Hamm RS Não
Aguinaldo Ribeiro PB Sim
André Abdon AP Sim
Arthur Lira AL Sim
Beto Salame PA Não
Cacá Leão BA Sim
Conceição Sampaio AM Não
Dilceu Sperafico PR Sim
Dimas Fabiano MG Sim
Eduardo da Fonte PE Sim
Esperidião Amin SC Não
Ezequiel Fonseca MT Sim
Fausto Pinato SP Sim
Fernando Monteiro PE Sim
Franklin Lima MG Sim
Guilherme Mussi SP Sim
Hiran Gonçalves RR Sim
Iracema Portella PI Sim
Jerônimo Goergen RS Sim
Jorge Boeira SC Não
Julio Lopes RJ Sim
Lázaro Botelho TO Sim
Luis Carlos Heinze RS Sim
Luiz Fernando Faria MG Sim
Maia Filho PI Sim
Marcus Vicente ES Sim
Mário Negromonte Jr. BA Sim
Nelson Meurer PR Sim
Paulo Henrique Lustosa CE Sim
Renato Andrade MG Sim
Renato Molling RS Sim
Renzo Braz MG Sim
Ricardo Izar SP Sim
Roberto Britto BA Sim
Ronaldo Carletto BA Sim
Rôney Nemer DF Não
Simão Sessim RJ Sim
Toninho Pinheiro MG Sim
Waldir Maranhão MA Não
Total PP: 40   
PPS
Alex Manente SP Não
Arnaldo Jordy PA Não
Arthur Oliveira Maia BA Sim
Carmen Zanotto SC Não
Eliziane Gama MA Não
Marcos Abrão GO Sim
Pollyana Gama SP Não
Rubens Bueno PR Sim
Total PPS: 8   
PR
Adelson Barreto SE Não
Alexandre Valle RJ Não
Alfredo Nascimento AM Não
Bilac Pinto MG Sim
Cabo Sabino CE Não
Cajar Nardes RS Sim
Capitão Augusto SP Sim
Christiane de Souza Yared PR Não
Delegado Edson Moreira MG Sim
Delegado Waldir GO Não
Edio Lopes RR Sim
Gorete Pereira CE Sim
João Carlos Bacelar BA Sim
José Carlos Araújo BA Sim
José Rocha BA Sim
Laerte Bessa DF Sim
Lúcio Vale PA Sim
Luiz Nishimori PR Sim
Magda Mofatto GO Sim
Marcelo Álvaro Antônio MG Sim
Marcelo Delaroli RJ Não
Marcio Alvino SP Sim
Miguel Lombardi SP Sim
Paulo Feijó RJ Sim
Paulo Freire SP Não
Remídio Monai RR Sim
Silas Freire PI Sim
Tiririca SP Não
Vicentinho Júnior TO Sim
Zenaide Maia RN Não
Total PR: 30   
PRB
Alan Rick AC Não
Antonio Bulhões SP Sim
Beto Mansur SP Sim
Carlos Gomes RS Sim
Celso Russomanno SP Sim
César Halum TO Sim
Cleber Verde MA Sim
Jhonatan de Jesus RR Sim
João Campos GO Sim
Jony Marcos SE Não
Lincoln Portela MG Não
Lindomar Garçon RO Sim
Marcelo Squassoni SP Sim
Márcio Marinho BA Sim
Pr. Luciano Braga BA Abstenção
Roberto Alves SP Sim
Roberto Sales RJ Sim
Ronaldo Martins CE Não
Sérgio Reis SP Sim
Silas Câmara AM Sim
Vinicius Carvalho SP Sim
Total PRB: 21   
PROS
Eros Biondini MG Não
Felipe Bornier RJ Sim
Odorico Monteiro CE Não
Ronaldo Fonseca DF Não
Toninho Wandscheer PR Sim
Total PROS: 5   
PRP
Nivaldo Albuquerque AL Sim
Total PRP: 1   
PSB
Adilton Sachetti MT Sim
Átila Lira PI Sim
César Messias AC Sim
Creuza Pereira PE Não
Danilo Cabral PE Não
Flavinho SP Não
George Hilton MG Não
Janete Capiberibe AP Não
José Reinaldo MA Sim
Jose Stédile RS Não
Júlio Delgado MG Não
Leopoldo Meyer PR Sim
Luciano Ducci PR Sim
Luiz Lauro Filho SP Sim
Maria Helena RR Sim
Marinaldo Rosendo PE Sim
Rafael Motta RN Não
Rodrigo Martins PI Sim
Severino Ninho PE Não
Tenente Lúcio MG Sim
Tereza Cristina MS Sim
Total PSB: 21   
PSC
Andre Moura SE Sim
Arolde de Oliveira RJ Sim
Eduardo Bolsonaro SP Sim
Irmão Lazaro BA Não
Jair Bolsonaro RJ Abstenção
Júlia Marinho PA Sim
Pr. Marco Feliciano SP Abstenção
Professor Victório Galli MT Sim
Total PSC: 8   
PSD
André de Paula PE Sim
Átila Lins AM Sim
Cesar Souza SC Abstenção
Danrlei de Deus Hinterholz RS Sim
Diego Andrade MG Sim
Domingos Neto CE Sim
Edmar Arruda PR Sim
Evandro Roman PR Sim
Expedito Netto RO Não
Fábio Faria RN Sim
Fábio Mitidieri SE Não
Herculano Passos SP Sim
Heuler Cruvinel GO Não
Irajá Abreu TO Sim
João Paulo Kleinübing SC Sim
João Rodrigues SC Não
Joaquim Passarinho PA Sim
José Nunes BA Sim
Júlio Cesar PI Sim
Marcos Montes MG Sim
Marcos Reategui AP Sim
Paulo Magalhães BA Sim
Raquel Muniz MG Sim
Reinhold Stephanes PR Sim
Rogério Rosso DF Não
Rômulo Gouveia PB Sim
Sandro Alex PR Sim
Sérgio Brito BA Sim
Stefano Aguiar MG Não
Thiago Peixoto GO Sim
Victor Mendes MA Sim
Total PSD: 31   
PSDB
Adérmis Marini SP Sim
Arthur Virgílio Bisneto AM Não
Betinho Gomes PE Não
Bruna Furlan SP Sim
Caio Narcio MG Sim
Célio Silveira GO Não
Daniel Coelho PE Não
Domingos Sávio MG Sim
Eduardo Barbosa MG Sim
Eduardo Cury SP Sim
Elizeu Dionizio MS Sim
Fábio Sousa GO Sim
Geovania de Sá SC Não
Geraldo Resende MS Sim
Giuseppe Vecci GO Sim
Guilherme Coelho PE Sim
Izalci Lucas DF Sim
Izaque Silva SP Não
João Gualberto BA Sim
Jutahy Junior BA Sim
Lobbe Neto SP Não
Luiz Carlos Hauly PR Sim
Mara Gabrilli SP Não
Marco Tebaldi SC Sim
Marcus Pestana MG Sim
Mariana Carvalho RO Não
Miguel Haddad SP Sim
Nelson Padovani PR Sim
Nilson Leitão MT Sim
Nilson Pinto PA Sim
Otavio Leite RJ Sim
Paulo Abi-Ackel MG Sim
Pedro Cunha Lima PB Sim
Pedro Vilela AL Não
Ricardo Tripoli SP Sim
Rocha AC Não
Rodrigo de Castro MG Sim
Rogério Marinho RN Sim
Shéridan RR Sim
Silvio Torres SP Sim
Vanderlei Macris SP Sim
Vitor Lippi SP Sim
Yeda Crusius RS Sim
Total PSDB: 43   
PSL
Alfredo Kaefer PR Sim
Dâmina Pereira MG Não
Total PSL: 2   
PSOL
Chico Alencar RJ Não
Edmilson Rodrigues PA Não
Glauber Braga RJ Não
Ivan Valente SP Não
Jean Wyllys RJ Não
Luiza Erundina SP Não
Total PSOL: 6   
PT
Adelmo Carneiro Leão MG Não
Afonso Florence BA Não
Ana Perugini SP Não
Andres Sanchez SP Não
Angelim AC Não
Arlindo Chinaglia SP Não
Assis Carvalho PI Não
Benedita da Silva RJ Não
Beto Faro PA Não
Bohn Gass RS Não
Caetano BA Não
Carlos Zarattini SP Não
Chico D Angelo RJ Não
Décio Lima SC Não
Enio Verri PR Não
Givaldo Vieira ES Não
Helder Salomão ES Não
Henrique Fontana RS Não
João Daniel SE Não
José Airton Cirilo CE Não
José Guimarães CE Não
Leo de Brito AC Não
Leonardo Monteiro MG Não
Luiz Couto PB Não
Luiz Sérgio RJ Não
Luizianne Lins CE Não
Marco Maia RS Não
Marcon RS Não
Margarida Salomão MG Não
Maria do Rosário RS Não
Nelson Pellegrino BA Não
Nilto Tatto SP Não
Padre João MG Não
Patrus Ananias MG Não
Paulão AL Não
Paulo Pimenta RS Não
Paulo Teixeira SP Não
Pedro Uczai SC Não
Pepe Vargas RS Não
Reginaldo Lopes MG Não
Robinson Almeida BA Não
Rubens Otoni GO Não
Ságuas Moraes MT Não
Valmir Assunção BA Não
Valmir Prascidelli SP Não
Vander Loubet MS Não
Vicente Candido SP Não
Vicentinho SP Não
Wadih Damous RJ Não
Waldenor Pereira BA Não
Zé Carlos MA Não
Zé Geraldo PA Não
Zeca Dirceu PR Não
Zeca do Pt MS Não
Total PT: 54   
PTB
Alex Canziani PR Sim
Arnaldo Faria de Sá SP Não
Benito Gama BA Sim
Deley RJ Não
Jorge Côrte Real PE Sim
Josué Bengtson PA Sim
Nelson Marquezelli SP Sim
Nilton Capixaba RO Sim
Paes Landim PI Sim
Pedro Fernandes MA Sim
Sabino Castelo Branco AM Sim
Sérgio Moraes RS Não
Wilson Filho PB Não
Zeca Cavalcanti PE Sim
Total PTB: 14   
PTdoB
Cabo Daciolo RJ Não
Luis Tibé MG Sim
Rosinha da Adefal AL Sim
Silvio Costa PE Não
Total PTdoB: 4   
PTN
Ademir Camilo MG Não
Alexandre Baldy GO Sim
Aluisio Mendes MA Sim
Antônio Jácome RN Abstenção
Bacelar BA Não
Carlos Henrique Gaguim TO Sim
Dr. Sinval Malheiros SP Sim
Ezequiel Teixeira RJ Sim
Francisco Chapadinha PA Sim
Jozi Araújo AP Sim
Luiz Carlos Ramos RJ Não
Renata Abreu SP Sim
Ricardo Teobaldo PE Sim
Total PTN: 13   
PV
Antonio Carlos Mendes Thame SP Sim
Evair Vieira de Melo ES Não
Evandro Gussi SP Sim
Leandre PR Não
Roberto de Lucena SP Não
Uldurico Junior BA Não
Total PV: 6   
REDE
Alessandro Molon RJ Não
Aliel Machado PR Não
João Derly RS Não
Miro Teixeira RJ Não
Total REDE: 4   
Solidariede
Augusto Carvalho DF Não
Augusto Coutinho PE Sim
Aureo RJ Não
Benjamin Maranhão PB Sim
Carlos Manato ES Sim
Genecias Noronha CE Sim
Laercio Oliveira SE Sim
Lucas Vergilio GO Não
Major Olimpio SP Sim
Paulo Pereira da Silva SP Não
Wladimir Costa PA Sim
Zé Silva MG Não
Total Solidariede: 12

A versão e os fatos

Doria não tirou o MTST da Avenida Paulista

O fim dos protestos ocorre após o Ministério das Cidades acatar as demandas dos sem-teto. O prefeito nada tem a ver com a retirada das barracas
por Redação — publicado 09/03/2017 18h01

Disposto a conduzir sua passagem pela prefeitura de São Paulo como um reality show, o tucano João Doria tenta faturar até com iniciativas que não dependem dele. Em sua página no Facebook, Doria publicou: “Atendendo a nossa solicitação, MTST aceitou deixar as calçadas da Paulista de forma pacífica, sem policiamento e nem enfrentamento”.

Variadas publicações, entre elas a revista Veja, reproduziram sem contestação a versão do prefeito paulistano. “Doria remove acampamento do MTST após 22 dias na Avenida Paulista”, dizia a manchete no site da revista da editora Abril.

Aos fatos: o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto desfez o acampamento depois de obter uma vitória sobre o governo Temer. A pressão em São Paulo levou o Ministério das Cidades a assinar um compromisso de recriação da recentemente extinta faixa 1 do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”. Trata-se da modalidade de financiamento que atende as camadas mais pobres, com renda mensal de até 1,8 mil reais.

O fim dos protestos deu-se, portanto, por livre e espontânea decisão do MTST, em cumprimento do acordo firmado em Brasília. A solicitação de Doria, se de fato houve, teve efeito nulo sobre a retirada das barracas.

Confira o post de João Doria no Facebook, mais um exemplo de "pós-verdade":

 

Operação Lava Jato

Janot quer depoimento de Aécio sobre Furnas. Gilmar vai decidir

Além do senador do PSDB, PGR pede ao STF depoimento de José Dirceu sobre denúncias de corrupção na estatal
por Redação — publicado 01/03/2017 11h48, última modificação 01/03/2017 18h19
Valter Campanato / ABr
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Aécio: o suposto esquema em Furnas é uma sombra que paira sobre a imagem do senador

O suposto esquema de corrupção em Furnas, a mais importante subsidiária da Eletrobras, voltou a assombrar o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB. Em 21 de fevereiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando autorização para que a Polícia Federal tome o depoimento de Aécio, apontado como beneficiário de um esquema de desvio de verbas da empresa. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo.

No documento da PGR, protocolado no Supremo na quinta-feira 23, Janot pede também os depoimentos de José Dirceu (PT), ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula, e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, que ficou famoso no escândalo do "mensalão" por ter recebido como presente um carro da marca Land Rover.

Os pedidos de Janot são direcionados ao ministro Gilmar Mendes, responsável pelo inquérito contra Aécio no STF. Em maio de 2016, Mendes chegou a suspender as diligências sobre o caso de Furnas e devolver o processo para Janot, mas no início de junho reviu a decisão, após ser lembrado pelo PGR de que havia novos indícios no caso e de que o ministro, sem anuência da procuradoria, não poderia se recusar a dar prosseguimento ao inquérito.

Em novembro, Gilmar Mendes renovou a autorização para investigação por mais 60 dias, prazo que se esgotou em fevereiro. Agora, Janot pede um novo prazo de 60 dias para investigar o tucano.

Delcídio reforça a denúncia de Youssef

Na base do pedido de Janot estão os depoimentos de duas testemunhas que comprometem Aécio Neves. O primeiro é o do senador cassado Delcídio do Amaral, cujo acordo de delação premiada foi tornado público em março de 2016. 

Ex-integrante do PSDB que migrou para o PT na transição entre FHC e Lula, Delcídio do Amaral descreveu diversos esquemas de corrupção em sua delação e afirmou que Aécio "sem dúvida" foi um dos beneficiários de desvios realizados em Furnas, cujo operador seria Dimas Fabiano Toledo, ex-diretor de Engenharia de Furnas.

Em seus depoimentos, Delcídio citou ainda uma suposta participação de Andréa Neves, irmã de Aécio, no esquema, e apontou a existência de uma conta de titularidade da mãe do senador, Inês Maria Neves Farias, no principado de Liechtenstein, um conhecido paraíso fiscal europeu.

A fala de Delcídio renovou uma denúncia que já fora feita por Alberto Youssef, o mais importante delator da Lava Jato. O doleiro citou o esquema em Furnas, disse que Aécio dividia os recursos ilícitos da estatal com o PP, mas não conseguiu trazer provas. Assim, o caso foi arquivado na época, até reemergir com a delação de Delcídio.

A colaboração do senador cassado com os investigadores causou preocupação a Aécio, como contou o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em áudios vazados para a imprensa em 2016.

MACHADO - E tá todo mundo sentindo um aperto nos ombros. Está todo mundo sentindo um aperto nos ombros.

RENAN - E tudo com medo.

MACHADO - Renan, não sobra ninguém, Renan!

RENAN - Aécio está com medo. [me procurou] 'Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa.'

MACHADO - Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan.

Furnas e a partilha PT-PSDB

O segundo depoimento contra Aécio citado por Janot é o de Fernando Antônio Guimarães Houneaux de Moura, ou simplesmente Fernando Moura, outro delator da Operação Lava Jato.

De acordo com Moura, no final de 2002, quando ainda estavam sendo decididas as composições para as diretorias de estatais no primeiro mandato de Lula, uma reunião foi feita entre integrantes do PT para definir as composições na Petrobras, Caixa Econômica, Correios, Banco do Brasil e nas centrais hidrelétricas de Furnas. No encontro, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares teria afirmado que havia interesse de Aécio na indicação de um diretor na estatal.

Ao saber que Aécio já teria indicado o ex-diretor Dimas Toledo para Furnas, Dirceu teria dito que o senador não poderia colocar outro apadrinhado na Petrobras. Segundo o delator, o pedido de indicação de Toledo por Aécio em Furnas teria sido feito diretamente ao ex-presidente Lula. Silvio Pereira também teria participado das tratativas.

A respeito da suposta divisão de propina, Moura afirmou que Dimas teria dito a ele durante a conversa como funcionaria o esquema. "O Dimas na oportunidade me colocou que da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou: ‘Vocês não precisam nem aparecer aqui, vocês vão ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio’”.

Um terço seria destinado ao núcleo político de Dirceu, a parte nacional ao PT e o restante ao senador. O esquema de Furnas foi divulgado por CartaCapital em 2006 mostrando a existência de uma lista com nomes de políticos do PSDB e seus aliados que receberiam propina oriunda de contratos de Furnas.

Em depoimento, Dimas Fabiano Toledo negou a existência de um esquema de corrupção em Furnas no período em que tinha um alto cargo na estatal elétrica, bem como qualquer participação de Aécio nos supostos desvios. Diante disso, uma acareação entre Fernando Moura e Dimas Toledo foi realizada, mas terminou de forma inconclusiva. Assim, Janot pediu mais prazo para continuar investigando o caso.

Ao Estadão, a defesa de Aécio Neves afirmou que o pedidos de prorrogação do inquérito é "rotina", que seu depoimento estava previsto "desde o inicio do procedimento" e que Aécio "é o maior interessado na realização das investigações" porque é inocente.

Rio de Janeiro

Pezão e Dornelles têm mandato cassado pelo TRE

Governador fluminense e seu vice teriam omitido 10 milhões de reais em gastos de campanha. Chapa vai recorrer ao TSE
por Redação — publicado 08/02/2017 20h02, última modificação 08/02/2017 20h15
Salvador Scofano / GERJ
Pezão e Dornelles

Caso a cassação de Pezão e Dornelles seja confirmada pelo TSE, haverá novas eleições diretas

Luiz Fernando de Souza Pezão, governador do Rio de Janeiro, e seu vice, Francisco Dornelles, tiveram seus mandatos cassados por abuso de poder econômico e político pelo Tribunal Regional Eleitoral, em sessão desta-quarta-feira 8.

Por três votos a dois, o tribunal acolheu os argumentos da Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que acusa a chapa vencedora de omitir mais de 10 milhões de reais em gastos de campanha. O julgamento foi suspenso na segunda-feira 6, com o placar de três votos a um contra a chapa Pezão-Dornelles, após a desembargadora Fernanda Tórtima pedir vista do processo. Nesta quarta-feira 8, ela se declarou impedida de julgar o caso. 

Pezão e Dornelles podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. A decisão somente produzirá efeito após o trânsito em julgado. Caso seja acolhida pelo TSE, a cassação resultará na convocação de eleições diretas.

A Justiça Eleitoral aplica em casos de cassação de governadores e prefeitos o artigo 224 do Código Eleitoral, que determina a realização de um novo pleito quando o cassado obteve mais de 50% dos votos válidos. Nesses casos, uma nova eleição deve ser agendada entre 20 e 40 dias.

A regra não é válida para os cargos de presidente e vice-presidente da República. A Constituição Federal estabelece que "ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial", o novo mandatário deve ser escolhido pelos parlamentares.

De acordo com a decisão do TRE, o abuso de poder econômico e político ficou configurado uma vez que o Governo do Estado do Rio de Janeiro concedeu benefícios financeiros a empresas como contrapartida a posteriores doações para a campanha.

"Restou comprovado que contratos administrativos milionários foram celebrados em troca de doação de campanha", afirmou um dos membros da Corte, desembargador eleitoral Marco Couto, em seu voto.

Ação da Procuradoria-Regional Eleitoral

Segundo o pedido da PRE, uma diligência da equipe de fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na empresa High Level Signs constatou, durante a campanha, divergência entre a tiragem registrada no material gráfico do então candidato do PMDB e a que constava nas notas fiscais. 

A prestação de contas de Pezão foi aprovada com ressalvas pelo TRE. O relator Fábio Uchôa, que votou pela não aprovação, apontou uma série de falhas que, segundo ele, omitem despesas de mais de 10 milhões de reais. Por isso, a PRE pediu que a prestação de contas de Pezão fosse anexada à representação.

No entendimento da PRE, o valor não declarado com as gráficas, a omissão de despesas na prestação de contas e a divergência entre as contribuições diretas recebidas e as informações prestadas pelos doadores de campanha demonstram que houve gasto ilícito para fins eleitorais. 

Além da cassação dos diplomas de Pezão e Dornelles, o procurador Paulo Roberto Bérenger pediu a quebra de sigilo bancário das empresas e de seus sócios para a instrução do processo.

Operação Lava Jato

Em depoimento a Moro, Cunha desmente e complica Temer

Deputado cassado diz que Temer está "equivocado" e participou, sim, de reunião para discutir nomeações para a Petrobras em 2007
por Redação — publicado 08/02/2017 10h57
Antônio Cruz / Agência Brasil
Temer e Cunha

Temer e Cunha na Fundação Ulisses Guimarães, em Brasília, em julho de 2015

O depoimento do deputado cassado Eduardo Cunha ao juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em primeira instância, colocou o nome de Michel Temer novamente no núcleo das investigações a respeito da corrupção na Petrobras. Na terça-feira 7, Cunha respondeu aos questionamentos de Moro e do Ministério Público Federal (MPF) e contradisse Temer.

Ao se tornar réu na 13ª Vara Federal de Curitiba, Cunha arrolou no processo uma série de testemunhas, entre elas, Michel Temer. Para este, Cunha apresentou, em novembro, uma série de 41 perguntas. Sergio Moro barrou 21 dos questionamentos, inclusive três que remetiam a José Yunes, auxiliar de Temer afastado do Planalto após ser apontado como intermediário de propina em dinheiro vivo

Nas perguntas que foram mantidas, quatro faziam referência a uma reunião realizada em 2007 entre o então ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido dos Mares Guia, e a bancada do PMDB na Câmara, representada por Henrique Eduardo Alves (RN) e Temer. Questionou Cunha:

– Matéria publicada no “O Globo” no dia 26/09/2007, citada na denúncia contra Eduardo Cunha, dá conta de que após uma interrupção na votação da CPMF na Câmara dos Deputados, Vossa Excelência foi chamado ao Planalto juntamente com o então líder Sr. Henrique Alves para uma reunião com o então ministro Sr. Walfrido Mares Guia para tratar de nomeações na Petrobrás. Vossa Excelência reconhece essa informação?

– Caso esta reunião tenha ocorrido, quais temas foram tratados? A nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás foi tratada?

– A matéria cita o desconforto do PMDB porque haveria o compromisso das nomeações na Petrobras, mas só após a votação da CPMF. No entanto, a então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Sra. Dilma Rousseff, teria descumprido o compromisso e nomeado a Sra. Maria das Graças Foster para a Diretoria de Gás e Energia e o Sr. José Eduardo Dutra para a BR Distribuidora. Vossa Excelência reconhece essa informação?

– Vossa Excelência tem conhecimento se o desconforto teria causado a paralisação da votação da CPMF, que só foi retomada após o compromisso de nomear os cargos prometidos ao PMDB?

Nas respostas aos questionamentos de Cunha, Temer negou a existência da reunião. Cunha, entretanto, afirmou que Temer se equivocou.

“Eu fui comunicado dessa reunião, tanto eu quanto o Fernando Diniz, na época, pelo próprio Michel Temer e pelo Henrique Alves. Michel Temer esteve nesta reunião junto com Walfrido Mares Guia”, afirmou Cunha.

Ainda segundo o deputado, o motivo da reunião foi um "desconforto que existia com as nomeações do PT de Graça Foster para a diretoria de Gás da Petrobras e de José Eduardo Dutra para presidente da BR Distribuidora" sem que as nomeações do PMDB tivessem sido realizadas. Esse fato, afirma Cunha, gerou "uma revolta da bancada do PMDB na votação da CPMF" e o governo Lula, então, chamou Temer e Henrique Alves para acalmar a bancada.

Intitulada "Revolta na base adia nova votação da CPMF", a reportagem do jornal O Globo relata a reunião entre Mares Guia, Temer e Henrique Alves. Governo e PMDB acertaram, diz a publicação, "que o PMDB vai indicar José Augusto Fernandes para a diretoria internacional da Petrobras, hoje ocupada por Nestor Cerveró, do PT".

Cerveró foi uma das peças centrais na investigação da Lava Jato. Ele ficou na diretoria Internacional da estatal entre 2003 e 2008, período no qual comandou diversos desvios que tiveram políticos como beneficiários. Cerveró chegou ao cargo pela influência do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT), mas também contou com o apoio de peemedebistas. 

Operação Lava Jato

STF pode soltar Cunha nesta quarta-feira

Decisão será do plenário porque Teori Zavascki, morto em janeiro, se recusou a deixar o caso nas mãos da Segunda Turma do tribunal
por Redação — publicado 08/02/2017 09h28, última modificação 08/02/2017 09h28
Marcelo Camargo / Agência Brasil
Eduardo Cunha

Cunha: perto da liberdade?

A sessão plenária do Supremo Tribunal Federal desta quarta-feira 8 pode ser concluída com a soltura do deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Encarcerado em Curitiba desde outubro, Cunha questiona no STF uma decisão do juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, alegando que o magistrado teria desrespeitado uma determinação do Supremo.

Cunha foi preso em 19 de outubro, em Brasília, sob ordens de Sergio Moro, pouco mais de um mês depois de sua cassação na Câmara. O magistrado de Curitiba decretou prisão preventiva, sem prazo determinado para acabar. De acordo com Moro, Cunha poderia fugir do País, por ter passaporte italiano e recursos no exterior, e destruir provas.

Em 4 de novembro, ao examinar recurso da defesa de Cunha, o então relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, referendou a decisão de Moro de manter o ex-deputado na cadeia. Cunha entrou com um novo recurso no STF que deveria ser examinado pela Segunda Turma do tribunal, então composta por Gilmar Mendes, José Antonio Dias Toffoli, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Teori.

Em dezembro, entretanto, Teori retirou a decisão da Segunda Turma e a enviou para o plenário. Como contou o portal jurídico Jota, investigadores da Lava Jato afirmaram a existência de uma "articulação para tirar Cunha da prisão em julgamento na Segunda Turma do STF". De acordo com o site, eram esperados três votos favoráveis a Cunha e, ciente disso, Teori Zavascki remeteu a decisão ao plenário.

De acordo com nota publicada também em dezembro pela coluna Radar On-Line, da revista Veja, Cunha tinha convicção de que "se o pleito fosse analisado pela Segunda Turma, ele estaria em liberdade hoje".

Na terça-feira 7, Gilmar Mendes, integrante da Segunda Turma, criticou as prisões decretadas por Sergio Moro em sessão do colegiado. "Temos um encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre este tema que conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo desses anos", disse Mendes.

Com a morte de Teori, a Lava Jato passou para as mãos de Edson Fachin. Na terça-feira 7, o novo relator indicou que o caso pode ser analisado nesta quarta-feira 8, como havia sido agendado por Teori Zavascki.

Na petição apresentada ao STF, os advogados de Cunha afirmam que Moro não poderia ter decretado a prisão porque o Supremo decidiu anteriormente que Cunha não poderia ser preso pelos fatos investigados contra ele na Operação Lava Jato. Em maio de 2016, o STF analisou pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República e decidiu que Cunha deveria ser somente afastado da presidência da Câmara.