Parlatório

por José Antonio publicado 24/11/2014 11h53, última modificação 22/03/2017 17h10
Um blog sobre política, feito pela redação de CartaCapital

A versão e os fatos

Doria não tirou o MTST da Avenida Paulista

O fim dos protestos ocorre após o Ministério das Cidades acatar as demandas dos sem-teto. O prefeito nada tem a ver com a retirada das barracas
por Redação — publicado 09/03/2017 18h01

Disposto a conduzir sua passagem pela prefeitura de São Paulo como um reality show, o tucano João Doria tenta faturar até com iniciativas que não dependem dele. Em sua página no Facebook, Doria publicou: “Atendendo a nossa solicitação, MTST aceitou deixar as calçadas da Paulista de forma pacífica, sem policiamento e nem enfrentamento”.

Variadas publicações, entre elas a revista Veja, reproduziram sem contestação a versão do prefeito paulistano. “Doria remove acampamento do MTST após 22 dias na Avenida Paulista”, dizia a manchete no site da revista da editora Abril.

Aos fatos: o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto desfez o acampamento depois de obter uma vitória sobre o governo Temer. A pressão em São Paulo levou o Ministério das Cidades a assinar um compromisso de recriação da recentemente extinta faixa 1 do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”. Trata-se da modalidade de financiamento que atende as camadas mais pobres, com renda mensal de até 1,8 mil reais.

O fim dos protestos deu-se, portanto, por livre e espontânea decisão do MTST, em cumprimento do acordo firmado em Brasília. A solicitação de Doria, se de fato houve, teve efeito nulo sobre a retirada das barracas.

Confira o post de João Doria no Facebook, mais um exemplo de "pós-verdade":

 

Operação Lava Jato

Janot quer depoimento de Aécio sobre Furnas. Gilmar vai decidir

Além do senador do PSDB, PGR pede ao STF depoimento de José Dirceu sobre denúncias de corrupção na estatal
por Redação — publicado 01/03/2017 11h48, última modificação 01/03/2017 18h19
Valter Campanato / ABr
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Aécio: o suposto esquema em Furnas é uma sombra que paira sobre a imagem do senador

O suposto esquema de corrupção em Furnas, a mais importante subsidiária da Eletrobras, voltou a assombrar o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB. Em 21 de fevereiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando autorização para que a Polícia Federal tome o depoimento de Aécio, apontado como beneficiário de um esquema de desvio de verbas da empresa. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo.

No documento da PGR, protocolado no Supremo na quinta-feira 23, Janot pede também os depoimentos de José Dirceu (PT), ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula, e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, que ficou famoso no escândalo do "mensalão" por ter recebido como presente um carro da marca Land Rover.

Os pedidos de Janot são direcionados ao ministro Gilmar Mendes, responsável pelo inquérito contra Aécio no STF. Em maio de 2016, Mendes chegou a suspender as diligências sobre o caso de Furnas e devolver o processo para Janot, mas no início de junho reviu a decisão, após ser lembrado pelo PGR de que havia novos indícios no caso e de que o ministro, sem anuência da procuradoria, não poderia se recusar a dar prosseguimento ao inquérito.

Em novembro, Gilmar Mendes renovou a autorização para investigação por mais 60 dias, prazo que se esgotou em fevereiro. Agora, Janot pede um novo prazo de 60 dias para investigar o tucano.

Delcídio reforça a denúncia de Youssef

Na base do pedido de Janot estão os depoimentos de duas testemunhas que comprometem Aécio Neves. O primeiro é o do senador cassado Delcídio do Amaral, cujo acordo de delação premiada foi tornado público em março de 2016. 

Ex-integrante do PSDB que migrou para o PT na transição entre FHC e Lula, Delcídio do Amaral descreveu diversos esquemas de corrupção em sua delação e afirmou que Aécio "sem dúvida" foi um dos beneficiários de desvios realizados em Furnas, cujo operador seria Dimas Fabiano Toledo, ex-diretor de Engenharia de Furnas.

Em seus depoimentos, Delcídio citou ainda uma suposta participação de Andréa Neves, irmã de Aécio, no esquema, e apontou a existência de uma conta de titularidade da mãe do senador, Inês Maria Neves Farias, no principado de Liechtenstein, um conhecido paraíso fiscal europeu.

A fala de Delcídio renovou uma denúncia que já fora feita por Alberto Youssef, o mais importante delator da Lava Jato. O doleiro citou o esquema em Furnas, disse que Aécio dividia os recursos ilícitos da estatal com o PP, mas não conseguiu trazer provas. Assim, o caso foi arquivado na época, até reemergir com a delação de Delcídio.

A colaboração do senador cassado com os investigadores causou preocupação a Aécio, como contou o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em áudios vazados para a imprensa em 2016.

MACHADO - E tá todo mundo sentindo um aperto nos ombros. Está todo mundo sentindo um aperto nos ombros.

RENAN - E tudo com medo.

MACHADO - Renan, não sobra ninguém, Renan!

RENAN - Aécio está com medo. [me procurou] 'Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa.'

MACHADO - Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan.

Furnas e a partilha PT-PSDB

O segundo depoimento contra Aécio citado por Janot é o de Fernando Antônio Guimarães Houneaux de Moura, ou simplesmente Fernando Moura, outro delator da Operação Lava Jato.

De acordo com Moura, no final de 2002, quando ainda estavam sendo decididas as composições para as diretorias de estatais no primeiro mandato de Lula, uma reunião foi feita entre integrantes do PT para definir as composições na Petrobras, Caixa Econômica, Correios, Banco do Brasil e nas centrais hidrelétricas de Furnas. No encontro, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares teria afirmado que havia interesse de Aécio na indicação de um diretor na estatal.

Ao saber que Aécio já teria indicado o ex-diretor Dimas Toledo para Furnas, Dirceu teria dito que o senador não poderia colocar outro apadrinhado na Petrobras. Segundo o delator, o pedido de indicação de Toledo por Aécio em Furnas teria sido feito diretamente ao ex-presidente Lula. Silvio Pereira também teria participado das tratativas.

A respeito da suposta divisão de propina, Moura afirmou que Dimas teria dito a ele durante a conversa como funcionaria o esquema. "O Dimas na oportunidade me colocou que da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou: ‘Vocês não precisam nem aparecer aqui, vocês vão ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio’”.

Um terço seria destinado ao núcleo político de Dirceu, a parte nacional ao PT e o restante ao senador. O esquema de Furnas foi divulgado por CartaCapital em 2006 mostrando a existência de uma lista com nomes de políticos do PSDB e seus aliados que receberiam propina oriunda de contratos de Furnas.

Em depoimento, Dimas Fabiano Toledo negou a existência de um esquema de corrupção em Furnas no período em que tinha um alto cargo na estatal elétrica, bem como qualquer participação de Aécio nos supostos desvios. Diante disso, uma acareação entre Fernando Moura e Dimas Toledo foi realizada, mas terminou de forma inconclusiva. Assim, Janot pediu mais prazo para continuar investigando o caso.

Ao Estadão, a defesa de Aécio Neves afirmou que o pedidos de prorrogação do inquérito é "rotina", que seu depoimento estava previsto "desde o inicio do procedimento" e que Aécio "é o maior interessado na realização das investigações" porque é inocente.

Rio de Janeiro

Pezão e Dornelles têm mandato cassado pelo TRE

Governador fluminense e seu vice teriam omitido 10 milhões de reais em gastos de campanha. Chapa vai recorrer ao TSE
por Redação — publicado 08/02/2017 20h02, última modificação 08/02/2017 20h15
Salvador Scofano / GERJ
Pezão e Dornelles

Caso a cassação de Pezão e Dornelles seja confirmada pelo TSE, haverá novas eleições diretas

Luiz Fernando de Souza Pezão, governador do Rio de Janeiro, e seu vice, Francisco Dornelles, tiveram seus mandatos cassados por abuso de poder econômico e político pelo Tribunal Regional Eleitoral, em sessão desta-quarta-feira 8.

Por três votos a dois, o tribunal acolheu os argumentos da Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que acusa a chapa vencedora de omitir mais de 10 milhões de reais em gastos de campanha. O julgamento foi suspenso na segunda-feira 6, com o placar de três votos a um contra a chapa Pezão-Dornelles, após a desembargadora Fernanda Tórtima pedir vista do processo. Nesta quarta-feira 8, ela se declarou impedida de julgar o caso. 

Pezão e Dornelles podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. A decisão somente produzirá efeito após o trânsito em julgado. Caso seja acolhida pelo TSE, a cassação resultará na convocação de eleições diretas.

A Justiça Eleitoral aplica em casos de cassação de governadores e prefeitos o artigo 224 do Código Eleitoral, que determina a realização de um novo pleito quando o cassado obteve mais de 50% dos votos válidos. Nesses casos, uma nova eleição deve ser agendada entre 20 e 40 dias.

A regra não é válida para os cargos de presidente e vice-presidente da República. A Constituição Federal estabelece que "ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial", o novo mandatário deve ser escolhido pelos parlamentares.

De acordo com a decisão do TRE, o abuso de poder econômico e político ficou configurado uma vez que o Governo do Estado do Rio de Janeiro concedeu benefícios financeiros a empresas como contrapartida a posteriores doações para a campanha.

"Restou comprovado que contratos administrativos milionários foram celebrados em troca de doação de campanha", afirmou um dos membros da Corte, desembargador eleitoral Marco Couto, em seu voto.

Ação da Procuradoria-Regional Eleitoral

Segundo o pedido da PRE, uma diligência da equipe de fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na empresa High Level Signs constatou, durante a campanha, divergência entre a tiragem registrada no material gráfico do então candidato do PMDB e a que constava nas notas fiscais. 

A prestação de contas de Pezão foi aprovada com ressalvas pelo TRE. O relator Fábio Uchôa, que votou pela não aprovação, apontou uma série de falhas que, segundo ele, omitem despesas de mais de 10 milhões de reais. Por isso, a PRE pediu que a prestação de contas de Pezão fosse anexada à representação.

No entendimento da PRE, o valor não declarado com as gráficas, a omissão de despesas na prestação de contas e a divergência entre as contribuições diretas recebidas e as informações prestadas pelos doadores de campanha demonstram que houve gasto ilícito para fins eleitorais. 

Além da cassação dos diplomas de Pezão e Dornelles, o procurador Paulo Roberto Bérenger pediu a quebra de sigilo bancário das empresas e de seus sócios para a instrução do processo.

Operação Lava Jato

Em depoimento a Moro, Cunha desmente e complica Temer

Deputado cassado diz que Temer está "equivocado" e participou, sim, de reunião para discutir nomeações para a Petrobras em 2007
por Redação — publicado 08/02/2017 10h57
Antônio Cruz / Agência Brasil
Temer e Cunha

Temer e Cunha na Fundação Ulisses Guimarães, em Brasília, em julho de 2015

O depoimento do deputado cassado Eduardo Cunha ao juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em primeira instância, colocou o nome de Michel Temer novamente no núcleo das investigações a respeito da corrupção na Petrobras. Na terça-feira 7, Cunha respondeu aos questionamentos de Moro e do Ministério Público Federal (MPF) e contradisse Temer.

Ao se tornar réu na 13ª Vara Federal de Curitiba, Cunha arrolou no processo uma série de testemunhas, entre elas, Michel Temer. Para este, Cunha apresentou, em novembro, uma série de 41 perguntas. Sergio Moro barrou 21 dos questionamentos, inclusive três que remetiam a José Yunes, auxiliar de Temer afastado do Planalto após ser apontado como intermediário de propina em dinheiro vivo

Nas perguntas que foram mantidas, quatro faziam referência a uma reunião realizada em 2007 entre o então ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido dos Mares Guia, e a bancada do PMDB na Câmara, representada por Henrique Eduardo Alves (RN) e Temer. Questionou Cunha:

– Matéria publicada no “O Globo” no dia 26/09/2007, citada na denúncia contra Eduardo Cunha, dá conta de que após uma interrupção na votação da CPMF na Câmara dos Deputados, Vossa Excelência foi chamado ao Planalto juntamente com o então líder Sr. Henrique Alves para uma reunião com o então ministro Sr. Walfrido Mares Guia para tratar de nomeações na Petrobrás. Vossa Excelência reconhece essa informação?

– Caso esta reunião tenha ocorrido, quais temas foram tratados? A nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás foi tratada?

– A matéria cita o desconforto do PMDB porque haveria o compromisso das nomeações na Petrobras, mas só após a votação da CPMF. No entanto, a então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Sra. Dilma Rousseff, teria descumprido o compromisso e nomeado a Sra. Maria das Graças Foster para a Diretoria de Gás e Energia e o Sr. José Eduardo Dutra para a BR Distribuidora. Vossa Excelência reconhece essa informação?

– Vossa Excelência tem conhecimento se o desconforto teria causado a paralisação da votação da CPMF, que só foi retomada após o compromisso de nomear os cargos prometidos ao PMDB?

Nas respostas aos questionamentos de Cunha, Temer negou a existência da reunião. Cunha, entretanto, afirmou que Temer se equivocou.

“Eu fui comunicado dessa reunião, tanto eu quanto o Fernando Diniz, na época, pelo próprio Michel Temer e pelo Henrique Alves. Michel Temer esteve nesta reunião junto com Walfrido Mares Guia”, afirmou Cunha.

Ainda segundo o deputado, o motivo da reunião foi um "desconforto que existia com as nomeações do PT de Graça Foster para a diretoria de Gás da Petrobras e de José Eduardo Dutra para presidente da BR Distribuidora" sem que as nomeações do PMDB tivessem sido realizadas. Esse fato, afirma Cunha, gerou "uma revolta da bancada do PMDB na votação da CPMF" e o governo Lula, então, chamou Temer e Henrique Alves para acalmar a bancada.

Intitulada "Revolta na base adia nova votação da CPMF", a reportagem do jornal O Globo relata a reunião entre Mares Guia, Temer e Henrique Alves. Governo e PMDB acertaram, diz a publicação, "que o PMDB vai indicar José Augusto Fernandes para a diretoria internacional da Petrobras, hoje ocupada por Nestor Cerveró, do PT".

Cerveró foi uma das peças centrais na investigação da Lava Jato. Ele ficou na diretoria Internacional da estatal entre 2003 e 2008, período no qual comandou diversos desvios que tiveram políticos como beneficiários. Cerveró chegou ao cargo pela influência do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT), mas também contou com o apoio de peemedebistas. 

Operação Lava Jato

STF pode soltar Cunha nesta quarta-feira

Decisão será do plenário porque Teori Zavascki, morto em janeiro, se recusou a deixar o caso nas mãos da Segunda Turma do tribunal
por Redação — publicado 08/02/2017 09h28, última modificação 08/02/2017 09h28
Marcelo Camargo / Agência Brasil
Eduardo Cunha

Cunha: perto da liberdade?

A sessão plenária do Supremo Tribunal Federal desta quarta-feira 8 pode ser concluída com a soltura do deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Encarcerado em Curitiba desde outubro, Cunha questiona no STF uma decisão do juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, alegando que o magistrado teria desrespeitado uma determinação do Supremo.

Cunha foi preso em 19 de outubro, em Brasília, sob ordens de Sergio Moro, pouco mais de um mês depois de sua cassação na Câmara. O magistrado de Curitiba decretou prisão preventiva, sem prazo determinado para acabar. De acordo com Moro, Cunha poderia fugir do País, por ter passaporte italiano e recursos no exterior, e destruir provas.

Em 4 de novembro, ao examinar recurso da defesa de Cunha, o então relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, referendou a decisão de Moro de manter o ex-deputado na cadeia. Cunha entrou com um novo recurso no STF que deveria ser examinado pela Segunda Turma do tribunal, então composta por Gilmar Mendes, José Antonio Dias Toffoli, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Teori.

Em dezembro, entretanto, Teori retirou a decisão da Segunda Turma e a enviou para o plenário. Como contou o portal jurídico Jota, investigadores da Lava Jato afirmaram a existência de uma "articulação para tirar Cunha da prisão em julgamento na Segunda Turma do STF". De acordo com o site, eram esperados três votos favoráveis a Cunha e, ciente disso, Teori Zavascki remeteu a decisão ao plenário.

De acordo com nota publicada também em dezembro pela coluna Radar On-Line, da revista Veja, Cunha tinha convicção de que "se o pleito fosse analisado pela Segunda Turma, ele estaria em liberdade hoje".

Na terça-feira 7, Gilmar Mendes, integrante da Segunda Turma, criticou as prisões decretadas por Sergio Moro em sessão do colegiado. "Temos um encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre este tema que conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo desses anos", disse Mendes.

Com a morte de Teori, a Lava Jato passou para as mãos de Edson Fachin. Na terça-feira 7, o novo relator indicou que o caso pode ser analisado nesta quarta-feira 8, como havia sido agendado por Teori Zavascki.

Na petição apresentada ao STF, os advogados de Cunha afirmam que Moro não poderia ter decretado a prisão porque o Supremo decidiu anteriormente que Cunha não poderia ser preso pelos fatos investigados contra ele na Operação Lava Jato. Em maio de 2016, o STF analisou pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República e decidiu que Cunha deveria ser somente afastado da presidência da Câmara. 

 

Judiciário

Até quando os atuais ministros podem ficar no STF?

Se as regras não mudarem, Alexandre de Moraes pode permanecer no Supremo até 2043 e Dias Toffoli até 2042
por Redação — publicado 07/02/2017 16h58

Alexandre de Moraes, atual ocupante do Ministério da Justiça filiado ao PSDB, foi escolhido nesta segunda-feira 6 pelo presidente Michel Temer para ocupar a vaga deixada por Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF). Se aprovado por maioria absoluta do Senado Federal, Moraes pode ocupar o cargo até 2043.

Os ministros do STF, indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado, possuem cargo vitalício e se aposentam compulsoriamente ao completar 75 anos, salvo casos de morte, impeachment ou se quiserem deixar o cargo. Com 49 anos, Alexandre de Moraes deve permanecer no Supremo pelos próximos 26 se as regras não mudarem.

Atualmente, o ministro mais antigo dentre os onze é Celso de Mello, que se aposentará em três anos, caso não deixe o cargo antes disso. No ano seguinte, 2021, será a vez de Marco Aurélio Mello, seguido por Rosa Weber e Ricardo Lewandowski, que devem deixar o STF em 2023. 

Até 2034, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar MendesRoberto Barroso e Edson Fachin, nessa ordem, também devem se aposentar. Em 2042, será a vez de Dias Toffoli.

Anos de aposentadoria compulsória no STF:

Celso de Mello - 2020

Marco Aurélio - 2021

Rosa Weber - 2023

Ricardo Lewandowski - 2023

Luiz Fux - 2028

Cármen Lúcia - 2029

Gilmar Mendes - 2030

Edson Fachin - 2034

Luís Roberto Barroso - 2033

José Antonio Dias Toffoli - 2042

Alexandre de Moraes (se confirmado) - 2043

Operação Lava Jato

Novo ministro do STF pode impactar Lava Jato, diz Deltan Dallagnol

Chefe da força-tarefa teme que, com nova composição, Corte mude entendimento sobre prisão após condenação em segunda instância
por Redação — publicado 06/02/2017 12h15, última modificação 06/02/2017 12h15
Marcelo Camargo / Agência Brasil
Dallagnol

Dallagnol: "Quanto mais efetivo o Direito, mais interessante a alternativa da colaboração premiada"

O procurador federal Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, manifestou preocupação quanto à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) após a morte do ministro Teori Zavascki. A previsão é que o presidente Michel Temer anuncie nesta semana o nome do seu indicado ao STF.

“Mesmo com a redistribuição da Lava Jato no STF para o ministro Edson Fachin, a escolha do novo ministro terá forte impacto na Lava Jato e nas demais investigações sobre corrupção. Isso especialmente em razão da orientação do tribunal sobre a execução provisória da pena. Ano passado, o tribunal entendeu que ela é possível, por seis votos contra cinco. O ministro Teori estava dentre os vencedores. O novo ministro pode inverter o placar”, escreveu Dallagnol em sua página no Facebook.

Em 2016, o Supremo mudou o entendimento vigente desde 2009 e autorizou a prisão de condenados já a partir da decisão da segunda instância. O sucesso da Lava Jato é constantemente atrelado a esse novo entendimento, que teria estimulado acordos de delação premiada de executivos com receio da prisão. Assim também pensa o procurador:

“Se a perspectiva é de impunidade, o réu não tem interesse na colaboração premiada. Por que vai entregar crimes, devolver valores e se submeter a uma pena se pode escapar da Justiça? Por outro lado, quanto mais efetivo o direito e o processo penal, mais interessante fica a alternativa de defesa por meio da colaboração premiada. A colaboração é um instrumento permite a expansão das investigações e tem sido o motor propulsor da Lava Jato. O criminoso investigado por um crime ‘A’ entrega os crimes B, C, D, E – um alfabeto inteiro – porque o benefício é proporcional ao valor da colaboração”, continuou Dallagnol

Inspirada no combate aos crimes de colarinho-branco, a execução provisória da pena tem o objetivo de diminuir o excesso de recursos protelatórios, mas caba favorecendo a lógica do encarceramento em massa em um sistema com mais de 600 mil presos, número 61% acima de sua capacidade, segundo relatório da ONG Human Rights Watch.

FHC faz visita de condolências a Lula em hospital

Tucano retribuiu o gesto de Lula em 2008, quando morreu Ruth Cardoso
por Redação — publicado 02/02/2017 17h18, última modificação 03/02/2017 15h33
Ricardo Stuckert
FHC e Lula

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prestou solidariedade a Lula pela perda de Marisa Letícia

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) retribuiu nesta quinta-feira 2 as condolências que recebeu de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2008, quando morreu Ruth Cardoso.

FHC esteve no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para prestar solidariedade a Lula pela perda de Marisa Letícia, sua companheira por quatro décadas que teve morte cerebral.

O tucano estava acompanhado do ex-ministro da Justiça José Gregori e foi recebido por Lula e pelo também ex-ministro Celso Amorim (Defesa e Relações Exteriores).

Ruth Cardoso morreu aos 77 anos, em junho de 2008, em decorrência de problemas cardíacos. Na ocasião, Lula decretou luto oficial de três dias.

Marisa Letícia teve morte cerebral na manhã desta quinta-feira 2, em São Paulo, em decorrência de complicações de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) do tipo hemorrágico.

Às 10h29 da manhã, a página oficial de Lula no Facebook anunciou a doação de órgãos de Marisa. "A família Lula da Silva agradece todas as manifestações de carinho e solidariedade recebidas nesses últimos 10 dias pela recuperação da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia Lula da Silva", diz a mensagem. "A família autorizou os procedimentos preparativos para a doação dos órgãos."

Em boletim médico divulgado pouco antes, o hospital Sírio Libanês afirmou que foi realizado pela manhã um "Doppler transcraniano, sendo identificada ausência de fluxo cerebral". Diante do resultado, com autorização da família, afirmou o hospital, "foram iniciados procedimentos para doação de órgãos".

Ruth
Em 2008, quando faleceu Ruth Cardoso, o então presidente Lula prestou condolências a Fernando Henrique e decretou luto oficial de três dias (Foto: Clayton de Souza /Estadão Conteúdo)

Saúde

Marisa Letícia tem "melhora progressiva", mas médicos detectam trombose

A ex-primeira-dama continua com a pressão arterial estável, informa hospital em novo boletim
por Redação — publicado 31/01/2017 15h18
Ricardo Stuckert
MAB

Lula recebeu flores e presentes dos participantes do movimento (Ricardo Stuckert)

Em novo boletim médico emitido na tarde desta terça-feira 31, o Hospital Sírio Libanês informou que o estado de saúde da ex-primeira dama Marisa Letícia é estável. Apesar da melhora nos quadros clínicos, Marisa continua na UTI.

Desde sua entrada no hospital, a ex-primeira-dama "permanece com controle neurointensivo, apresentando melhora progressiva dos parâmetros evolutivos neurológicos". 

A nota informa ainda que a mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece com a pressão arterial estável, e não está fazendo uso de medicamentos de controle pressórico. 

Na tarde de segunda-feira 30 foi realizado um exame de rotina que detectou a presença de trombose venal profunda dos membros inferiores. Foi então realizada a passagem de um filtro de veia cava inferior com o objetivo de prevenir a ocorrência de embolia.

O ex-presidente a acompanha no hospital, e recebeu na sede do Instituto Lula a visita de cerca de 100 participantes do Movimento Atingidos pelas Barragens, que prestaram solidariedade ao casal. 

 

Saúde

Marisa Letícia é internada em São Paulo

Mulher do ex-presidente Lula sofreu um Acidente Vascular Cerebral
por Redação — publicado 24/01/2017 16h42, última modificação 24/01/2017 18h55
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Marisa-Leticia

A ex-primeira dama Marisa Letícia

Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi internada nesta terça-feira 24, em São Paulo, em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) do tipo hemorrágico.

A ex-primeira-dama, que tem 66 anos, sofreu uma forte queda de pressão durante a manhã e foi levada ao hospital Sírio Libanês, onde os médicos constataram o AVC.

É grave o estado de saúde de Marisa, que foi submetida a um procedimento para estancar o sangramento.

O médico Roberto Kalil Filho, que atende a família de Lula, disse em entrevista no Sírio Libanês que o estado de saúde de Marisa “é delicado”. "Não se sabe ainda se haverá sequelas", disse a jornalistas.

O AVC pode ser de dois tipos: isquêmico ou hemorrágico. O AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma ou mais artérias. O AVC hemorrágico, mais grave, é caracterizado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo.

Ao lado de Lula, Marisa Letícia vem sofrendo a pressão das investigações da Operação Lava Jato. Em dezembro, também ao lado de Lula, Marisa foi tornada ré pelo juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, em ação que envolve a compra de um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP).

O ex-presidente a acompanha no hospital. Por meio das redes sociais, Lula disse que torce pela recuperação da mulher.