Parlatório

por José Antonio publicado 24/11/2014 11h53, última modificação 24/06/2017 08h20
Um blog sobre política, feito pela redação de CartaCapital

Pesquisa

Aprovação de Temer é a pior desde o governo Sarney, diz Datafolha

Apenas 5% da população avalia a gestão como boa ou ótima. Entre os mais ricos, índice vai a 15%
por Redação — publicado 24/06/2017 08h23
Beto Barata / PR
Michel Temer

Temer na chuva: índíce de aprovação do governo é alto

O presidente Michel Temer conseguiu um recorde na série história da pesquisa do instituto Datafolha. Conforme dados publicados neste sábado 24 pelo jornal Folha de S.Paulo, o peemedebista tem apenas 7% de aprovação, índice mais baixo desde setembro de 1989, quando seu correligionário José Sarney, em meio à crise da hiperinflação, teve 5% de aprovação.

O levantamento mostra os efeitos da delação da JBS sobre Temer. De acordo com Joesley Batista, do grupo J&F, controlador da companhia, e Ricardo Saud, ex-executivo da empresa, Temer pediu propina à JBS e manobrou para comprar o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lucio Funaro. 

Em abril, antes da delação da JBS, 9% dos eleitores avaliavam a gestão Temer como boa ou ótima, enquanto 28% a consideravam regular e 61%, ruim ou péssima. Agora esses índices foram para 7%, 23% e 69%.

A situação de Temer é pior que a de Dilma Rousseff (PT) às vésperas do impeachment. Em abril de 2016, a petista tinha 13% de aprovação contra 63% de reprovação. Em agosto de 2015, a reprovação de Dilma foi a 71%.

No caso de Temer, o grupo social que o melhor avalia é o dos mais ricos, aqueles cuja renda média familiar supera dez salários mínimos. Neste grupo, Temer tem 15% de avaliação boa ou ótima por 15%, 30% de avaliação regular e 55% de ruim ou péssima.

Entre os que ganham menos de dois salários, 71% avaliam Temer de forma negativa. É um patamar de reprovação semelhante ao encontrado entre as mulheres (71%) e entre os eleitores de 25 a 34 anos (73%). No Nordeste, a reprovação a Temer vai a 77%.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.771 pessoas entre os dias 21 e 23 de junho em 194 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Rio de Janeiro

"Única coisa que posso fazer é orar", diz bombeiro acuado em tiroteio na Maré

Em vídeo, socorrista grava momentos de tensão após atender ocorrência em escola. "Só falta agora as pessoas acharem que nós somos covardes", diz
por Redação — publicado 21/06/2017 12h08
Reprodução / Youtube
Bombeiro na Maré

Silvinho no Complexo da Maré: sua guarnição ficou presa no tiroteio

Um vídeo feito pelo bombeiro Silvio Rodrigues de Oliveira na tarde de segunda-feira 19, no Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro, mostrou a realidade diária dos cerca de 130 mil moradores da comunidade, duramente afetados pela guerra às drogas. Silvinho, como é conhecido o militar, ficou preso no meio de um tiroteio, ao que tudo indica travado entre traficantes de drogas e policiais militares, ao atender uma ocorrência na Maré.

O vídeo foi compartilhado nas redes sociais do bombeiro, que mantém um canal no Youtube com imagens de seu dia a dia. Escondido atrás de uma pilastra, Silvinho relata estar em um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) na Maré para atender uma ocorrência e conta que toda a equipe ficou presa. "O tiro comendo meu irmão. Vai sair como? Vai fazer socorro como?"

A todo momento é possível ouvir tiros de armas pesadas, inclusive automáticas, sempre próximos ao local em que estava o bombeiro. Ele relata cheiro de pólvora e se deita quando aumenta a intensidade do tiroteio. "É desse jeito que o bombeiro vive. Se eu sair vivo dessa, como é que vou entrar nessas comunidades assim? Estamos aí, perdidos", afirma. "Só falta agora as pessoas acharem que nós somos covardes", diz.

"A única coisa que eu posso fazer nesse momento é orar, pedir a Deus proteção", diz Silvinho antes de ser interrompido por uma nova salva de tiros. O vídeo se encerra com uma discussão entre os bombeiros a respeito da possibilidade de deixar o local.

Segundo o jornal Extra, um incêndio atingiu a sala de informática do Ciep Presidente Samora Machel, na Maré, e foi controlado com a ajuda de moradores da comunidade, até a chegada de bombeiros dos quarteis de Ramos e Caju.  

Entre abril de 2014 e junho de 2015, o Exército brasileiro ocupou a Maré para estabelecer as condições necessárias para a implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o que não aconteceu por falta de verba. Desde então, a ocupação é muito criticada pelos moradores.

Como mostrou reportagem de CartaCapital publicada no sábado 17, uma pesquisa mostrou que 70% da população da Maré avaliam que a presença das Forças Armadas não aumentou a sensação de segurança na região. Mais de 40% relataram sofrer agressões verbais e quase 60% se sentiram inseguros durante as abordagens.

Segundo a pesquisadora Eliana Sousa Silva, diretora da organização Redes da Maré, "muitos que estão morrendo nada têm a ver com o crime".

Espetáculo

No TSE, ministro rebate delatores e faz menção a decapitação

Napoleão Nunes Maia Filho critica a imprensa e diz desejar que "ira do profeta" caia sobre quem mente a seu respeito
por Redação — publicado 09/06/2017 17h22
Reprodução
Napoleão Maia

Napoleão Maia Nunes e a "ira do profeta"

O ministro Napoleão Nunes Maia Filho protagonizou nesta sexta-feira 9 um momento bizarro no julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Indignado com o tratamento dado pela imprensa a seu filho e a ele próprio, Maia Filho fez um furioso desabafo, atacou delatores que teriam mencionado seu nome em investigações de corrupção e fez menção uma eventual decapitação.

O episódio ocorreu pouco depois das 15 horas, na retomada do julgamento. Maia Filho abriu seu voto e pediu licença para fazer um desabafo. Mencionou, na sequência, um fato ocorrido com seu filho, que tentou entrar no plenário do TSE durante o intervalo do julgamento, mas foi barrado pela segurança por não estar vestido de terno e gravata, como mandam as regras do tribunal.

O rapaz carregava um pacote para entregar a Maia Filho e chegou a discutir com seguranças do TSE. Segundo Maia Filho, eram fotos de sua neta. "Instante seguinte, um site publica uma notícia dizendo mais ou menos o seguinte: 'homem misterioso portando envelope tenta forçar entrada na corte do TSE para entregar isto ao ministro Napoleão'".

Antagonista.jpg
O tweet que enfureceu Maia Filho acabou apagado
Maia Filho reclamou que ele e seu filho estavam sendo tratados como corruptos pela imprensa, mas não mencionou o veículo responsável pela insinuação "maliciosa e perversa". Quem fez a menção ao "homem do envelope misterioso" foi o site O Antagonista, em uma mensagem divulgada no Twitter e posteriormente apagada da rede social.

Na sequência, Maia Filho criticou, novamente sem mencionar pelo nome, o jornal Valor Econômico, que publicou reportagem afirmando que ele teria sido mencionado por sócios e executivos da empreiteira OAS em negociações de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O jornal cita como origem da informação "fontes a par das rodadas de negociações".

Maia Filho atacou também o executivo da JBS Francisco de Assis e Silva. Em delação premiada, Assis relatou que o Maia Filho, também ministro do Superior Tribunal de Justiça, teria intercedido em favor da JBS no âmbito da Operação Greenfield.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, o delator afirmou que, a fim de intervir no Judiciário, contratou o advogado Willer Tomaz, que dizia ter "amizade" com integrantes da 10ª Vara Federal de Brasília, na qual transcorre a Greenfield, e também com Maia Filho.

Em seguida, Maia Filho atacou a imprensa e a publicação de reportagens com base em falas de delatores. "Se isto não terminar, o final não será bom. Todos nós estamos sujeitos ao alcance dessas pessoas. Publica o que quiser, com quem quiser e aí o sujeito fica indefeso diante disso? Deve amargurar isto no seu coração? Ou fazer o quê?", disse. 

Maia Filho disse que não conhece Willer Tomaz, que tomou diversas decisões contrárias à OAS e à JBS e criticou duramente as delações premiadas. "A mentira é desse Assis, que disse isso para me incriminar em troca das benesses que recebeu. A delação tá servindo pra isso!", afirmou.

Evangélico, Maia Filho disse ter sido questionado pela diaconia de sua igreja em Fortaleza sobre o caso envolvendo a OAS. "Eu respondi ao pastor simplesmente assim: 'com a medida com que me medem, serão medidos e sobre ele desabe a ira do profeta, é uma anátema islâmica'", afirmou. "A ira do profeta, não vou dizer o que é, vou fazer um gesto do que é", concluiu, fazendo um sinal de decapitação. "É o que eu desejo, que sob eles desabe a ira do profeta". 

Justiça Eleitoral

Relator defende uso de delações da Odebrecht na ação contra Dilma e Temer

Em sua argumentação, Herman Benjamin usou voto de 2015 de Gilmar Mendes, que indicou ser a favor da retirada do material comprometedor dos autos
por Redação — publicado 07/06/2017 13h26, última modificação 07/06/2017 13h41
Fotos: Divulgação / TSE
Gilmar Mendes

Herman e Gilmar: presidente do TSE aparteou o relator da ação a todo momento

O relator da ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Herman Benjamin, fez nesta quarta-feira 7 uma defesa veemente do uso das delações premiadas de executivos da Odebrecht no julgamento. Em uma argumentação de quatro horas, Benjamin defendeu uma tese que é contestada pelas defesas tanto de Dilma Rousseff quanto de Michel Temer. O presidente do TSE, Gilmar Mendes, figura próxima a Temer, aparteou Benjamin em inúmeras ocasiões e demonstrou ser contra o uso do material da Odebrecht.

O Palácio do Planalto anseia pela retirada das delações da Odebrecht pois essas são considerados as provas mais contundentes de que houve abuso de poder econômico na campanha presidencial de 2014. Caso esses documentos sejam desconsiderados nos autos, a absolvição de Temer ganharia espaço.

Para a defesa de Dilma, a ideia é evitar a condenação, o que, ao que tudo indica, levaria à inelegibilidade da ex-presidenta.

Benjamin fez uma defesa firme da investigação realizada por ele ao anunciar seu voto contra as três questões preliminares levantadas pelas defesas de Dilma e Temer que restavam antes do início da análise do mérito do julgamento.

Essas preliminares, observações que questionam o rumo do processo, versavam sobre o respeito ao direito de defesa, a legalidade das provas e o uso de depoimentos de executivos da Odebrecht na ação. 

Benjamin afirmou que as defesas usaram em suas argumentações as normas do Código de Processo Penal, mas o processo em questão é eleitoral, no qual o juiz tem amplos poderes de investigação. Por isso, afirmou Benjamin, ele determinou a coleta de depoimentos de executivos da empreiteira, entre eles Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo.

Para o relator, as defesas de Dilma e Temer desejavam a retirada das delações da Odebrecht dos autos não por questão técnicas, mas porque queriam "que o TSE feche os olhos para as provas apresentadas."

Benjamin também lembrou que foram incluídos nos autos trechos das delações compartilhadas oficialmente pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF. Não eram, portanto, falas "vazadas" pela imprensa. Benjamin lembrou, também, que a ação inicial do PSDB já tratava do possível uso na campanha de dinheiro desviado em esquemas alvo da Lava Jato. Assim, incluir nos autos materiais ligados à operação era pertinente.

Em sua argumentação, Benjamin citou a todo momento o voto de Gilmar Mendes que embasou a decisão do TSE de dar prosseguimento à ação contra Dilma e Temer. Em outubro de 2015, quando Dilma Rousseff ainda era presidente, e portanto o alvo prioritário da ação, o voto de Mendes foi acompanhado por outros quatro ministros e o TSE determinou o prosseguimento da ação contra a chapa.

Plenário do TSE
O plenário do TSE na sessão desta quarta-feira 7

Herman citou o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, sobre dever do juiz de buscar a "verdade real" em processo eleitoral. E emendou trecho do voto de Mendes de outubro de 2015, no qual ele defendia que a instrução processual era necessária "em busca da verdade dos fatos".

Gilmar interrompeu a fala de Benjamin e afirmou que o relator estava sendo "falacioso". Segundo Gilmar, "daqui a pouco", o relator iria desejar incluir a delação do grupo JBS ou "na semana que vem", a delação do ex-ministro Antonio Palocci.

Benjamin e Gilmar Mendes continuaram a trocar farpas a todo momento, sempre no estilo comum ao Judiciário brasileiro, de elogios sarcásticos aos colegas. Em uma das interrupções feitas por Gilmar, quase sempre com o intuito de contrapor a argumentação do relator, Benjamin lembrou Gilmar que lia naquele momento o voto de 2015 do próprio Gilmar Mendes. "Vossa excelência tem que pedir desculpas a si mesmo", disse.

No fim de seu voto, Benjamin trouxe um de seus argumentos mais importantes para a manutenção, nos autos, do material da Odebrecht. Em abril, o próprio plenário do TSE determinou a reabertura da fase de instrução do processo e autorizou os depoimentos dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que fizeram a campanha da chapa Dilma-Temer.

E por que o TSE tomou a decisão em abril, questionou Benjamin. Que buscou responder. "Seria para ouvir João Santana sobre seus vastos conhecimentos de ocultismo? Ou sobre as perspectivas no Brasil do marketing eleitoral?", disse. "Evidentemente, essas duas testemunhas tiveram as oitivas determinadas pela conexão com a Odebrecht, com a campanha de 2014 e com aquilo que foi mínima e suficientemente descrito nas petições iniciais", afirmou.

Durante a sessão, além de Gilmar Mendes, deu forte indicação de que é contra o uso das delações da Odebrecht o ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Assim como Temer, Maia Filho foi citado na delação da JBS, a mais recente a comprometer Temer.

Segundo os executivos da empresa, um advogado preso pela Polícia Federal procurou o ministro, que também atua no Superior Tribunal de Justiça (STJ), para favorecer a companhia. Maia Nunes, que foi apontado pelo jornal Folha de S.Paulo como "aposta para salvar Temer no TSE", nega as acusações.

Rosa Weber e Luiz Fux, por sua vez, deram indicativos de que podem acompanhar a argumentação de Herman Benjamin. Completam o plenário do TSE os ministros Admar Gonzaga Neto e Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, ambos nomeados por Temer nos últimos meses.

O julgamento, inicialmente previsto para acabar até a quinta-feira 9, agora pode se estender até sábado. A primeira sessão, com cerca de três horas de duração, aconteceu na noite de terça-feira 6 e o julgamento foi retomado na manhã de quarta-feira 7, com pouco mais de cinco horas de duração. Já estão marcadas novas sessões que devem durar o dia todo na quinta e sexta e, se necessário, uma nova pode ser marcada para o sábado. 

CUT / Vox Populi

Mais de 50% dizem que vida piorou e renda diminuiu com Temer

Para 85%, TSE deveria cassar Michel Temer. Para 89%, eleição direta é a melhor solução em caso de queda do presidente
por Redação — publicado 06/06/2017 13h31, última modificação 06/06/2017 13h39
Beto Barata / PR
Michel Temer

Temer em ato na segunda-feira 5. Seu mandato é visto de maneira crítica

Dados da nova rodada da pesquisa CUT / Vox Populi divulgados em primeira mão por CartaCapital mostram que mais da metade da população brasileira acredita que a vida piorou desde a chegada de Michel Temer (PMDB) ao Palácio do Planalto e que sua renda piorou neste período.

De acordo com os dados do levantamento, 52% dos entrevistados disseram que a vida piorou no último ano, enquanto 38% avaliam que se manteve igual e apenas 9% dizem estar em situação melhor. Do mesmo modo, 56% dos entrevistados na pesquisa afirmam que a renda da família diminuiu neste período, enquanto 39% dizem que ela permaneceu igual. Somente 4% afirmam que a renda da família aumentou.

As informações antecipadas aqui por CartaCapital vão ao encontro dos dados da pesquisa divulgados na segunda-feira 5, segundo os quais 75% da população avaliam o desempenho de Temer como negativo, enquanto 20% dizem ser regular. Apenas 3% classificam a atuação do presidente da República como positiva.

A pesquisa mostrou também que grandes maiorias da população desejam a cassação do mandato do Temer, cujo julgamento começa nesta terça-feira 6 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e eleições diretas para substituí-lo.

De acordo com a pesquisa, 85% dos entrevistados dizem achar que Temer deveria ser cassado pelo TSE "por irregularidades cometidas na campanha dele e de Dilma Rousseff em 2014". Somente 8% dizem que ele não deveria ser cassado e 7% não sabem.

O mesmo levantamento mostrou que 89% dos brasileiros acham que, caso o mandato de Temer seja cassado, uma eleição direta deve escolher o novo presidente. Apenas 5% querem uma eleição indireta e 7% dizem não saber.

A pesquisa foi realizada entre 2 e 4 de junho e ouviu 2001 pessoas em 118 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

 

 

Crise

Após escândalos, Aécio vai a 1% em pesquisa eleitoral

Tucano, que é alvo de pedido de prisão da PGR por corrupção, desapareceu das preferências do eleitor brasileiro
por Redação — publicado 06/06/2017 13h21, última modificação 06/06/2017 13h44
George Gianni / PSDB
Aécio Neves

Aécio entre FHC e Alckmin: sua carreira política está abalada

Alvo de um pedido de prisão apresentado pela Procuradoria-Geral da República, acusado de pedir e receber propina e de tentar barrar as investigações da Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do PSDB, terá dificuldades para retomar sua vida política por meio de eleições.

Pesquisa CUT / Vox Populi divulgada aqui em primeira mão por CartaCapital mostra que as intenções de voto no senador tucano despencaram entre abril e junho. Em 18 de maio, Aécio foi alvo da Operação Patmos, deflagrada após a delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS.

Na pesquisa espontânea feita pelo Vox Populi, na qual os nomes dos candidatos não são apresentados pelos entrevistadores, a quantidade de menções a Aécio não completou nem 1% do total. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 40%, seguido pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC), com 8%. Na sequência aparecem Marina Silva (Rede) e Sérgio Moro, com 2%.

Na pesquisa estimulada, na qual uma lista de candidatos é apresentada aos entrevistados, Aécio tem apenas 1% das intenções de voto em um eventual embate de primeiro turno com Lula (46%), Bolsonaro (13%), Marina Silva (9%) e Ciro Gomes (5%), do PDT.

Na pesquisa estimulada com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como candidato do PSDB, Lula novamente lidera. Ele vai a 45%, contra 13% de Bolsonaro, 9% de Marina Silva e 4% de Ciro Gomes e Alckmin.

Se João Doria (PSDB), prefeito de São Paulo, é o candidato tucano, o cenário segue estável. Lula fica com 45%, contra 12% de Bolsonaro, 9% de Marina, 5% de Ciro e 4% de Doria.

A pesquisa foi realizada entre 2 e 4 de junho e ouviu 2001 pessoas em 118 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

 

Teorias da conspiração

Delegado morto em SC não investigava a morte de Zavascki, diz PF

Em nota, a Polícia Federal nega que Adriano Antônio Soares ainda estivesse apurando a morte do ex-ministro do STF
por Redação — publicado 31/05/2017 11h32, última modificação 31/05/2017 11h37
Nelson Jr./SCO/STF
Teori Zavascki

Zavascki: morte envolta em controvérsia

A Polícia Federal divulgou na manhã desta quarta-feira 31 uma nota oficial na qual afirma que o delegado Adriano Antônio Soares, assassinado em Florianópolis na terça-feira 30 em circunstâncias não esclarecidas, não era o responsável pelas investigações da morte do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki. Notícias veiculadas nesta quarta dão conta de que Soares investigava a morte do ministro.

De acordo com a PF, a morte de Adriano Antônio Soares e de outro delegado "decorreu de uma troca de tiros em um estabelecimento na capital catarinense." O caso ainda está sendo investigado.

Soares trabalhava na delegacia de Angra dos Reis (RJ) e foi responsável pela abertura do inquérito, uma vez que o município fluminense foi o local da morte do ex-ministro, em acidente aéreo. Depois, o caso foi para Brasília. "A PF esclarece que o inquérito que apura o caso encontra-se em Brasília/DF, presidido por outro delegado, e apenas foi registrado em Angra dos Reis, local do fato", diz a PF.

Quando morreu, em janeiro deste ano, Zavascki era relator da Operação Lava Jato no Supremo e se preparava para homologar as delações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Provocada por um acidente aéreo, a morte de Zavascki gerou inúmeras teorias da conspiração, algumas girando em torno de ameaças sofridas por ele e de um áudio flagrado nas investigações da Lava Jato. Até hoje nenhuma dessas teorias, no entanto, foram comprovadas.

Rio Grande do Sul

"Aí, só matando", diz vereador do PSDB sobre eventual eleição de Lula

Mauricio Galo Del Fabro, de Santana do Livramento (RS), adota discurso extremista e fala em assassinato do ex-presidente
por Redação — publicado 09/05/2017 14h26
Divulgação
Mauricio Galo Del Fabro

Del Fabro: discurso de ódio

A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar as eleições de 2018 e ser eleito mexe com os nervos de seus opositores. A reação a este cenário por parte do vereador Mauricio Galo Del Fabro, do PSDB de Santana do Livramento (RS), é emblemática e provavelmente a mais extrema desta situação. Na sessão de segunda-feira 8 da Câmara Municipal da pequena cidade gaúcha, Del Fabro sugeriu que a única forma de impedir Lula seria um assassinato. "Aí, só matando", disse ele.

Del Fabro fez sua manifestação no encerramento da sessão de segunda. Ele foi o último vereador a tomar a palavra e passou a discorrer sobre o que imaginava para o Brasil, o Rio Grande do Sul e seu município antes da eleição de Lula. "Eu gostaria sempre que tivesse qualquer partido nos representando, desde que não fosse PT. Está é a verdade", afirmou.

Quando o PT chegou ao poder, afirmou Del Fabro, ele esperava uma gestão "adequada, responsável e transparente", em favor "do trabalhador, do pobre". "O que pregou o PT nesses 13 anos? A mesma história de sempre. 'Nós defendemos a classe totalmente abandonada, a mais baixa'. Essa é a promessa. Só que continuavam no colo dos banqueiros", disse.

Em seguida, o tucano passou a falar sobre o desemprego e os casos de corrupção envolvendo o PT. "É uma quadrilha organizada", disse, "que tem como mentor Lula". Na sequência, Del Fabro citou o depoimento de Lula a Sérgio Moro, marcado para esta quarta-feira 10, em Curitiba, mas manifestou pouca esperança de Lula ser vencido dentro da lei. Neste momento, os principais candidatos do PSDB, partido de Del Fabro, penam nas pesquisas eleitorais, porque também sofrem duras acusações de corrupção.

"Dia 10 está aí. Vai chegar o dia 10... Eu digo: Se não for preso, se tiver legitimidade, infelizmente o chefe da quadrilha, o mentor, o maior ladrão (...) será presidente novamente. Aí, só matando. Não tem outra volta. Não tem outro retorno", afirmou.

A fala de Del Fabro pode ser ouvida no site da Câmara dos Vereadores de Santana do Livramento (a partir do minuto 151), mas o vídeo não está disponível. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) divulgou, no entanto, uma versão editada das imagens, na qual é possível ver e ouvir o discurso de Del Fabro.

Operação Lava Jato

Juíza que restringiu atos pró-Lula em Curitiba atacou petista nas redes

Fã de Moro, Diele Denardin Zydek compartilhou convocação de ato pelo impeachment, disse ter vergonha de senadora do PT e aplaudiu condução coercitiva
por Redação — publicado 08/05/2017 12h02, última modificação 08/05/2017 12h45

A juíza Diele Denardin Zydek, que na sexta-feira 5 restringiu as manifestações favoráveis ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas cercanias da sede da Justiça Federal em Curitiba, usou suas redes sociais para manifestar oposição a Lula, à ex-presidenta Dilma Rousseff, ao PT e à esquerda.

Zydek é magistrada da 5ª Vara da Fazenda Pública do Paraná. Sua decisão foi tomada atendendo pedido do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), que havia pedido um “Interdito Proibitório” após o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) solicitar um espaço nas proximidades do prédio da Justiça Federal, onde Lula vai depor nesta quarta-feira 10, para montar um acampamento.

O MST promete levar 20 mil pessoas para Curitiba e a prefeitura da capital paranaense vê risco de confusão com apoiadores da Operação Lava Jato, que também prometem se reunir no local. Pela decisão de Zydek, entre as 23 horas desta segunda-feira 8 e às 23 horas de quarta-feira 10, estão proibidas, entre outras medidas, “a montagem de estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade, sob pena de multa diária de 50 mil reais”. Segundo ela, a prefeitura e o MST devem negociar formas para garantir o protesto e o direito de ir e vir dos moradores do bairro onde fica a Justiça Federal.

Zydek tem um perfil aberto no Facebook, no qual compartilha conteúdos pessoais e políticos. Em 4 de março do ano passado, a magistrada celebrou a condução coercitiva de Lula, ordenada pelo juiz Sergio Moro, que interrogará Lula. "E hoje a casa caiu para o Lula...", escreveu ela, ao lado de ícones de aplausos. Minutos depois, a magistrada compartilhou nota de um site que elogiava Moro pela decisão e chamou o colega de "inspiração" e "ídolo".

Zydek

Em seguida, compartilhou cartaz de apoio à Lava Jato assinado pelo movimento Quero me Defender, que advoga pela redução da maioridade penal e pelo armamento da população civil.

Em 9 de março, Zydek divulgou em sua rede a convocação do Vem Pra Rua para os atos de 13 de março contra Dilma Rousseff, que pediam o impeachment da petista, concretizado semanas depois.

Em 16 de março, a magistrada lamentou o fato de Lula ter aceitado o posto de ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff e chamou o caso de "manobra criminosa".

Zydek

A nomeação de Lula foi um dos últimos movimentos de Dilma para tentar se manter no poder. A estratégia naufragou, no entanto, graças ao vazamento de uma conversa entre ela e Lula, feita ilegalmente pela Polícia Federal e também divulgada ilegalmente por Moro. Ainda assim, o áudio subsidiou decisão de Gilmar Mendes para barrar a nomeação. Posteriormente, o ministro Teori Zavascki confirmou a ilegalidade do áudio.

No mesmo dia, Zydek comentou o áudio e festejou o que seria o medo de Lula diante da "República de Curitiba".

Zydek03

 

Em outras postagens que indicam seu posicionamento político, Zydek disse em 10 de maio de 2016 se "sentir envergonhada" diante da atuação da senadora Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná, e em 12 de maio compartilhou um meme com o que dizia ser "o eterno erro da esquerda".

O meme trazia uma frase a respeito de não se dever "fortalecer o fraco enfraquecendo o forte" e atribuía o dito a Abraham Lincoln, presidente dos EUA no século XIX. A frase nunca foi dita por Lincoln, mas pelo reverendo presbiteriano conservador William John Henry Boetcker, que nasceu quando Lincoln já estava morto.

Segundo a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, essas manifestações públicas feitas pela juíza são condenáveis. O exercício de atividade político-partidária, como a participação em atos, pode ser punido com perda de cargo.

Magistrados também são proibidos por lei de "manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério".

Operação Lava Jato

Curitiba vive tensão antes de depoimento de Lula a Moro

Em vídeo divulgado pelo Facebook, juiz pede que apoiadores da investigação não compareçam à Justiça Federal para evitar conflito
por René Ruschel, de Curitiba — publicado 08/05/2017 09h57, última modificação 08/05/2017 10h15
Fotos: René Ruschel
Depoimento Lula Outdoor

Outdoors contra Lula se espalharam pela cidade. O Vem pra Rua, grupo pró-impeachment de Dilma, é um dos que bancam a operação

A decisão do campeonato paranaense de futebol, entre Atlético e Coritiba, desviou momentaneamente o foco do ambiente tenso na capital paranaense. Na sexta feira, a “República de Curitiba” amanheceu tomada por dezenas de outdoors dando “boas vindas” ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá prestar depoimento na quarta-feira 10 ao juiz Sergio Moro, que toca a Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal.

A partir desta segunda, o clima deve mudar. Na tarde de domingo 7, uma Base Móvel da Polícia Militar do Paraná instalou-se em frente ao prédio da Justiça Federal, no bairro do Ahu. Dezenas de policiais percorriam as ruas num raio de 150 metros da sede da Justiça Federal, para instruir os moradores sobre as medidas que serão adotadas no dia do depoimento.

Será permitido o acesso e trânsito na região apenas aos residentes na área e jornalistas credenciados. A PM ainda não se manifestou oficialmente sobre as medidas que serão adotadas.

A surpresa maior foi a decisão da juíza Diele Dernadin Zydek, da 5ª Vara da Fazenda Pública do Paraná que, a pedido do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN) determinou um “Interdito Proibitório”. A medida, inclusive, proíbe que as caravanas de militantes se instalem na cidade.

De acordo a determinação da magistrada, entre as 23 horas de segunda feira, 8, e as 23 horas de quarta-feira, estão proibidas, entre outras medidas, “a montagem de estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade, sob pena de multa diária de 50 mil reais”.

A Frente Brasil Popular, responsável pela organização, faria uma reunião na noite de domingo 7 para decidir sobre essa questão. Segundo o jornalista Pedro Carrano, porta-voz da frente, a medida não vai alterar o cronograma nem as atividades que estão programadas para esses dias.

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Polícia Militar montou base em frente à sede da Justiça Federal de Curitiba

Pelas ruas, a população demonstra temor. Alguns bairros da capital, onde é esperada uma maior concentração de militantes, comerciantes não descartam a possibilidade de manter as lojas fechadas. Em alguns shoppings, a segurança será reforçada.

O juiz Sergio Moro, na página do Facebook de sua mulher, Rosangela Moro (“Eu Moro com ele”) gravou e postou um vídeo no qual pede que pessoas não venham a Curitiba “nessa data”. Diz estar preocupado e quer evitar “confusão e conflito e, acima de tudo, que ninguém se machuque”.