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Fãs de Bolsonaro atacam jornalistas que participaram do Roda Viva

Midiático

Jornalistas que integraram a bancada do Roda Viva durante a entrevista do presidenciável Jair Bolsonaro, na segunda-feira 30, passaram a sofrer ameaças de seguidores do deputado. Os mais alvejados são Bernardo Mello Franco, de O Globo, e Leonêncio Nossa, de O Estado de S. Paulo.

Os fãs de Bolsonaro, chamados de “bolsominions”, não se contentaram em postar mensagens de ódio ou de triunfo nos perfis das redes sociais dos jornalistas. Nossa recebeu ameaças por telefone e via Whatsapp. “Vamos cortar a sua cabeça” e “tome cuidado” foram algumas das intimidações. O jornalista não quis dar declarações. Muitos eleitores do deputado também criticaram a performance da bancada durante o programa e comemoraram o que teria sido uma “vitória retumbante” do entrevistado sobre os entrevistadores.

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Uma medição da repercussão da entrevista nas redes sociais, realizada por Fábio Malini, do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo, demole, no entanto, a tese triunfalista da claque bolsonarista. A maioria dos comentários e análises postados logo após o programa e ao longo das horas seguintes foi desfavorável ao candidato. Os críticos de Bolsonaro ganharam a guerra nas redes, em resumo.

No Facebook e no Twitter, os seguidores do candidato vasculharam os perfis dos repórteres em busca de provas de tendências comunistas ou petistas. O fato de Nossa preparar uma biografia do empresário Roberto Marinho, ainda sem data de publicação, tornou-se um fato inconteste de sua “mentalidade subversiva”. Como se sabe, os “bolsominions” acreditam que 100% dos meios de comunicação, incluída a Rede Globo, são comunistas e apoiam a esquerda.

Nossa tem sido particularmente perseguido por ter feito perguntas sobre o apoio de Bolsonaro à ditadura e suas loas a torturadores do regime militar. O jornalista também inquiriu o deputado a respeito de sua recusa em criticar banqueiros ou o enorme poder do sistema financeiro.

Bolsonaro estimula o confronto com a mídia. O candidato tem na Globo, por ironia, um de seus alvos preferenciais e não perde a chance de criticar a emissora em seus discursos. Ao contrário do que acontece quando políticos progressistas condenam o comportamento enviesado da mídia, as afirmações do candidato do PSL não viram notícia nem são vistas como ameaças à liberdade de imprensa e à democracia.

Durante o Roda Viva, o presidenciável exibiu seu total desapego à verdade factual. Ele negou que houve um golpe em 1964, que manteria os militares no poder por 21 anos. E atribui a escravidão exclusivamente ao comércio estabelecido pelos negros na África. “Os portugueses nunca pisaram lá”, declarou, para delírio de seus fiéis.

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