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O que falta para a visibilidade do futebol feminino?

Conquistas de espaços e novos projetos deixam jogadoras na expectativa de visibilidade e reconhecimento

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Às vésperas da Copa do Mundo Feminina, que será disputada em junho, na França, as atletas da seleção se preparam com um incentivo a mais: neste ano, pela primeira vez, o evento será transmitido ao vivo e na íntegra, pela televisão, em rede nacional. A Rede Globo anunciou a iniciativa no ano passado, algo que vem sendo muito comemorado no cenário do esporte.

Não é a primeira vez que a competição ganha espaço na TV aberta brasileira. Na última edição, em 2015, a Band transmitiu alguns jogos, mas a primeira fase ficou fora da programação porque os horários coincidiam com o de maior audiência da emissora. SporTV e TV Brasil também apresentaram o campeonato.

Este ano, no entanto, há que se comemorar as propostas das emissoras para a Copa do Mundo feminina, que tem promessas de receber a mesma atenção que o mundial masculino. Um grande passo para que o futebol feminino definitivamente ganhe espaço e visibilidade na mídia e conquiste o público.

As expectativas das jogadoras da seleção são grandes quanto às portas que o Mundial pode abrir. “A visibilidade é muito importante e agora na Copa do Mundo temos a Rede Globo, Band e outras emissoras que irão transmitir todos os jogos. E para nós isso já é um marco, principalmente por ser um campeonato tão importante. Ficamos felizes com a dimensão que isso está acontecendo e o quanto está agregando para o futebol feminino”, aponta a atacante da seleção brasileira e do Corinthians, Adriana Silva.

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Maior evento do esporte, a Copa do Mundo é, sem dúvidas, a grande oportunidade de destaque para as atletas e para o próprio futebol feminino, consideravelmente desvalorizado no país. Uma pesquisa realizada pela Unisinos divulgada no ano passado apontou que apenas 2,7% da cobertura midiática brasileira é destinada ao futebol feminino.

Da média de público a salários, investimentos e patrocínios, os valores que giram pelo cenário do futebol feminino são praticamente insignificantes, quando comparados aos números do futebol masculino. A própria CBF, historicamente, investe bem menos na modalidade feminina do esporte. O atual campeão brasileiro feminino, Corinthians, recebeu R$120 mil da Confederação como premiação. O Palmeiras, campeão masculino, foi premiado com R$30 milhões.

(Foto: Lucas Figueiredo/ CBF)

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Neste ano, com os projetos da imprensa para a cobertura da Copa, a CBF também demonstra expectativas para que o esporte deslanche. “Ficamos felizes com este momento especial do futebol feminino. Ano de campeonato mundial, que terá transmissão em TV aberta, ampliando a sua divulgação. Além disso, a CBF aumentou a abrangência do campeonato brasileiro da modalidade e criou a primeira competição de base da história”, comentou o diretor executivo de Gestão da CBF, Rogério Caboclo, em entrevista à assessoria da Confederação.

Luta por patrocínio e novos projetos

Também não é novidade que o futebol feminino brasileiro luta com garras e dentes para conquistar a atenção de patrocinadores. No ano passado o Corinthians lançou uma campanha estampada nas camisas do time feminino, que não contava nem com um patrocinador principal. Na frente dos uniformes, no lugar reservado à maior cota de patrocínio, a hashtag #CaleoPreconceito era um apelo às empresas por investimento ao time.

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Cumprindo seu papel de dar maior visibilidade ao futebol feminino, a Copa do Mundo atraiu patrocinadores e ações em prol do prestígio às atletas brasileiras.

No lançamento dos uniformes, que aconteceu na última quinta-feira 14, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, a Nike anunciou suas principais iniciativas para romper barreiras e elevar o desenvolvimento do futebol feminino no país, com projetos que vão impactar desde o futebol amador até a elite.

“A ideia dos projetos da Nike surgiu pelo insight do consumidor e entendemos as dificuldades que as meninas enfrentavam no futebol, e uma delas é a falta de visibilidade. Mas também tem a questão de acesso e segurança. Com isso, estudamos todas as barreiras que são enfrentadas por elas no Brasil, além dos 40 anos de proibição que geraram falta de treinadora, visibilidade e falta de apoio na família. Às vezes, a gente chega na nossa família falando que vai jogar futebol e não é bem recebida. Portanto, nossos projetos têm o intuito de quebrar essas barreiras e preconceitos existentes hoje”, explica Martina Valle, diretora de marca para mulheres da Nike do Brasil.

O intuito dessas ações é avançar a inclusão de mulheres e aumentar a participação delas no esporte. Diante disso, o projeto pensa em 3 perfis de mulheres: a amadora, a atleta de base e a de elite. A Nike convidou a primeira treinadora da história da Seleção Brasileira, Emily Lima, para apresentar o Nike Futebol Clube, uma plataforma real de acesso à prática do futebol com foco nas mulheres em São Paulo.

“Com o Nike F.C., meninas e mulheres que queriam começar a jogar futebol ou treinar suas habilidades, desde o fundamento até a pelada, agora podem fazer isso em um ambiente seguro e apropriado. Serão sessões de futebol semanais na quadra da Nike no Parque do Ibirapuera, com toda a estrutura necessária”, conta a treinadora.

Além da Nike, o grupo Boticário também anunciou uma campanha de incentivo ao futebol feminino. As jornadas de trabalho serão alteradas nos dias de jogos da seleção feminina, mesma prática que a empresa adota durante a Copa do Mundo da seleção masculina. Telões serão instalados nas fábricas e escritórios do grupo para que os colaboradores possam acompanhar os jogos.

A passos lentos, estas iniciativas mostram avanço para que finalmente o futebol feminino ocupe um lugar de destaque no país. Heptacampeã e com números bem relevantes no cenário mundial, a seleção feminina e as atletas já mais que provaram competência para o reconhecimento. Falta serem reconhecidas.

E por que ainda não foram? Será pela velha história de que a mulher não foi feita para o futebol? Que mude o cenário, mas que mude também a percepção do brasileiro sobre a relação da mulher com o esporte!

Futebol por Elas

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