O humanismo cristão como alternativa para combater o fascismo

É hora de seguirmos e darmos ouvidos – independentemente da religião -, ao que tem falado o maior estadista da atualidade: papa Francisco

O humanismo cristão como alternativa para combater o fascismo

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Já há muitos anos não se falava tanto sobre o fascismo como em dias atuais. Regime de governo ultranacionalista e autoritário classificado como de extrema direita e marcado por governos ditatoriais e militarizados, o fascismo valoriza intensamente o sentimento de nacionalismo, o que torna comum nos governos fascistas a utilização de diferentes formas de manipulação da população através da mídia (músicas, símbolos, lemas), da violência (repressão a todo tipo de manifestação contrária ao regime) ou mesmo da religião, sendo que nesta a manipulação é posta em prática por líderes religiosos inescrupulosos, na maioria das vezes fundadores de “igrejas”, preocupados – acima de tudo -, com o crescimento e enriquecimento desta, que significará, também, o seu enriquecimento pessoal.

Mas há “líderes religiosos” que se utilizam das estruturas oferecidas por Igrejas tradicionalmente comprometidas com a justiça social, o bem-estar de todos, a ecologia e a defesa da casa comum, os refugiados, os famintos e os marginalizados – ou seja, comprometidas com o Evangelho de Cristo -, para disseminar divisões, rancores, preconceitos e, lamentavelmente, o ódio. Para estes, não faltam espaços nos diferentes meios de comunicação de massa disponíveis. As redes sociais estão infestadas de fake news; horários radiofônicos e televisivos, páginas de jornais e revistas – comprados ou não por valores astronômicos – divulgam suas mensagens; canais próprios de rádio e televisão transmitem pensamentos e mensagens alienantes recheadas de inverdades tão bem trabalhadas, a ponto de convencer seus seguidores de que estão a favor do bem comum, da justiça e da verdade.

 

Ainda pior, quando os fins não são religiosos e postos a serviço de grupos corporativos com interesses que visam o controle absoluto da sociedade através da política e da economia. Hoje, sem grandes esforços, nos deparamos com grupos religiosos atrelados diretamente a grupos políticos criados exclusivamente para se colocarem a serviço das elites, que sempre estiveram no poder manipulando-o em benefício próprio, manipulações que hoje podemos traduzir por reformas trabalhista e da Previdência, desmontes do SUS e da educação, privatizações, descaso com o meio ambiente, favorecimento de grupos empresariais, entre outros.

Contra tudo isso, cabe-nos trabalhar incansavelmente ao lado daqueles que serão os maios prejudicados por este sistema desumano e cruel, utilizando todos os recursos que tivermos para que este plano infernal posto em andamento no Brasil não se concretize.

É hora de seguirmos e darmos ouvidos – independentemente da religião ou da fé que professamos -, ao que tem falado o maior estadista da atualidade: papa Francisco. Um homem que além de ser o líder espiritual de milhões de pessoas é hoje a voz mais consciente sobre a triste realidade na qual a humanidade está mergulhada.

Como todo profeta, Francisco é perseguido – dentro e fora de sua Igreja -, por aqueles que não querem abrir mão do acúmulo de riquezas em nome do bem-estar de milhões que passam fome, estão doentes e abandonados.

O teólogo espanhol José María Castillo Sánchez afirma: “Se nos concentrarmos no ‘Jesus do Evangelho’, logo fica claro que as três grandes preocupações de Jesus eram: a saúde (relatos de cura); a comida compartilhada (relatos de refeições e banquetes); as relações humanas (sermões e parábolas). São as mesmas preocupações do papa Francisco. (…) Esta profunda humanidade de Francisco é a reprodução da profunda humanidade de Jesus. O cristianismo é isto: cada qual em seu trabalho, sua tarefa, sua vida. Mas tudo centrado em um ‘projeto de vida’, que é o mesmo projeto vivido por Jesus. O que mais necessitamos no mundo de hoje são homens e mulheres livres, focados em reproduzir o projeto de vida de Jesus.”

Caríssimos, que tenhamos a coragem de romper definitivamente com os disseminadores da mentira e do ódio.

Que possamos seguir a Jesus e seu projeto de vida, lembrando sempre de que Ele está onde está a verdade e o amor.

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Pároco da Paróquia São Francisco de Assis de Ermelino Matarazzo, Diocese de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo-SP. Importante liderança dos Movimentos e Pastorais Sociais da região, atua nas mais diversas áreas em defesa de Políticas Públicas que atendam efetivamente às necessidades da população.

É licenciado em Filosofia e bacharelando em Teologia. Escritor, agente de pastoral, assessor de movimentos sociais, gestor da Rede de Escolas de Cidadania de São Paulo.

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