Com ações simples, Papa Francisco mostra a grandeza da fraternidade

Devemos buscar e combater a causa de tanta pobreza e miséria, aquilo que está causando tanto sofrimento aos mais pobres

Com ações simples, Papa Francisco mostra a grandeza da fraternidade

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Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo”. (Lc 3,11)

Refletindo sobre as palavras de João Batista descritas no Evangelho de Lucas, deparamo-nos com um princípio social-doutrinário extremamente simples em seus dizeres, e profundo em seu ensinamento. Trata-se de uma proposta radical de mudança de vida e do modo de agir: partilhar e não acumular; ser solidário e não indiferente; viver fraternalmente.

Papa Francisco. Foto: ©afp.com / Vincenzo Pinto

Com caráter exortativo e estilo direto, o texto de Lucas relacionado à pregação de João Batista, aponta para uma preocupação com a igualdade social e as relações humanas, propriedades da teologia Lucana. O Batista estabelece a partilha e a solidariedade como regra de vida para todos, independentemente da classe social a qual pertença, afirmando que ninguém pode ser condenado, pela cobiça do outro, a uma vida miserável na qual lhe falte o pão, o teto, o trabalho e a justiça.

O Batista surge em meio ao povo como um guia sábio nos moldes dos profetas que vieram antes dele. Condenava as injustiças praticadas contra os mais pobres e as acusações falsas levantadas contra aqueles que os defendiam; a corrupção existente entre os publicanos cobradores de impostos, ao mesmo tempo em que incentivava a pratica do bem e da solidariedade.

Séculos depois, surge entre nós um novo profeta, que vive e transmite o fundamento primordial da solidariedade cristã e humana de ajudar ao próximo, sem medir esforços em favor de uma ordem social mais justa: Papa Francisco.

Desde os primórdios de seu pontificado, sua preocupação com os excluídos e marginalizados ficou clara. Ao escrever a exortação “Evangelii Gaudium”, Francisco trouxe à tona questões referentes a uma economia “que mata”, recomendando mudanças urgentes.

Francisco deu início às mudanças que propunha em sua própria casa. Suas atitudes e seu modo de ser e de viver com simplicidade evangélica, não tardou incomodar a muitos daqueles que estavam a sua volta, próximos e distantes.

A voz do profeta rompeu as paredes seculares da Igreja e se espalhou por todo o mundo. Não tardou para que as perseguições aumentassem. Mas, ao contrário do que desejavam e esperavam seus perseguidores, sua força só fez aumentar e Francisco respondeu com atos de misericórdia, coragem e muita fé.

Ações simples, mas com grandes significados, foram tomadas pelo Papa, mostrando que nos pequenos gestos também se encontram solidariedade e fraternidade.

Em abril de 2017, Francisco abriu uma lavanderia para que os indigentes e sem teto de Roma, que já contavam com chuveiros para banhos, cabeleireiro, vestuário, centro médico e ponto de distribuição de gêneros de primeira necessidade. São gestos de caridade apoiados diretamente pelo Papa.

No último sábado, 11 de maio, o Cardeal Konrad Krajewski, responsável por distribuir os fundos de caridade do pontífice, foi até um prédio de propriedade do Estado italiano em Roma, ocupado desde 2013 por italianos que perderam suas casas e imigrantes. O prédio está ocupado por 450 pessoas incluindo 100 crianças. O “Robin Hood” do Papa, como ficou conhecido, rompeu o lacre policial e religou a energia elétrica desligada desde o dia 06 de maio. Krajewski assumiu toda responsabilidade pelo ato praticado.

Por trás destes gestos, estão questões fundamentais: Porque há tantos pobres pelas ruas? Porque tantas pessoas se vêm obrigadas a ocuparem prédios abandonados? Porque tantas pessoas são condenadas a viverem em condições sub-humanas, abaixo da linha da miséria?”

Não são os gestos do Papa Francisco e do Cardeal Krajewski que devem ater nossa atenção. É claro que todo gesto de solidariedade deve ser apoiado. Mas, o que devemos buscar e combater, é a causa de tanta pobreza e miséria; aquilo que está causando tanto sofrimento aos mais pobres.

Dito isto, deixamos aqui nossa homenagem a Irmã Dulce – mais nova Santa de nossa Igreja-, que dedicou toda sua vida aos pobres.

Santa Irmã Dulce, rogai por nós.

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Pároco da Paróquia São Francisco de Assis de Ermelino Matarazzo, Diocese de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo-SP. Importante liderança dos Movimentos e Pastorais Sociais da região, atua nas mais diversas áreas em defesa de Políticas Públicas que atendam efetivamente às necessidades da população.

É licenciado em Filosofia e bacharelando em Teologia. Escritor, agente de pastoral, assessor de movimentos sociais, gestor da Rede de Escolas de Cidadania de São Paulo.

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