Diálogos da Fé

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Israel x Palestina: Como evangélicos no Brasil tentam influenciar a política externa

Em termos factuais, o Estado de Israel não tem qualquer relação com o Israel bíblico. Não ser anacrônico, porém, é uma tarefa difícil nos dias de hoje

Registro de bombardeio israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 19 de outubro de 2023. Foto: Said Khatib/AFP
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O crescimento evangélico e a transição religiosa por que o Brasil vem passando trazem para o centro do debate nacional uma série de temas que, para os desavisados ou pouco afeitos ao mundo religioso, pode gerar estranhamento ou surpresa. É o caso do conjunto de temáticas envolvendo as agendas de gênero, sexualidade e costumes.

Agora, no entanto, estamos vendo os evangélicos influenciarem a política nacional também a partir das suas posições sobre política externa, pois a grande maioria desse segmento vem expressando opiniões fortemente alinhadas com Israel.

A razão disso, como muitos já vêm apontando, é que há uma leitura teológica sobre o fim dos tempos que leva em consideração o povo de Israel e que é associada ao atual Estado de Israel. Diria também que, entre os evangélicos comuns, desconectados dos debates teológicos em si, há um fator psicólogo que atua pelo posicionamento pró-israelense: como a Bíblia trata de Israel a todo momento e tem a concepção de que seu povo é “o povo de Deus”, há uma transposição automática dessa abordagem para o presente.

É claro que, em termos factuais, o Estado de Israel não tem qualquer relação com o Israel bíblico. Não ser anacrônico, no entanto, é uma tarefa cada vez mais difícil nos dias de hoje. Se historiadores – os mais treinados para lidar com o passado – cometem o pecado do anacronismo constantemente, o que dizer das pessoas comuns…

O ponto é que, por conta da importância que evangélicos dão para Israel, o posicionamento em relação ao conflito virou umas das grandes questões da política nacional – muito mais que outros conflitos, como o da Ucrânia, ou qualquer outro tema da política externa. Por isso, todos os políticos e personalidades públicas tiveram de se posicionar. Para a esquerda, a situação, mais uma vez, não é fácil. O campo progressista deseja dialogar melhor com evangélicos, mas o tema e o posicionamento histórico em favor da Palestina tornam a situação difícil. Isso porque, na concepção do bloco majoritário, há pouca margem para nuances nessa questão.

Com o crescimento dos evangélicos no Brasil, não devemos estranhar se outros temas, ligados a leituras religiosas e pouco previsíveis para os analistas, vierem a público.

Nota final: Na Argentina, na semana passada, Benegas Lynch – o principal ideólogo do candidato Milei e fortemente alinhado aos grupos evangélicos do país – propôs que o país corte relações com o Vaticano. Como podemos ver, os hermanos estão rumando o mesmo caminho que o nosso.

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