Diálogos da Fé

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Diálogos da Fé

Defender a existência de um e a extinção do outro, nunca!

Os ataques praticados por Hamas e Israel não puniram ninguém mais, senão civis inocentes e pessoas que partilham da mesma fé mundo afora

Palestinos evacuam uma área de Gaza bombardeada por Israel. Foto: Mahmud HAMS / AFP
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O conflito em curso entre Israel e Hamas revelou, como infelizmente esperava eu, a verdadeira face de várias pessoas nas redes sociais. Ao mesmo tempo que não aguentamos mais ver imagens de morte, destruição e punição dos inocentes por causa de ambições territoriais e políticos, estamos tendo que lidar com mais um fenômeno que são os intolerantes escondidos em seus armários. 

No último texto que foi publicado neste espaço, afirmei que a existência de um povo não significa e não deve significar a extinção do outro. Contudo, o que venho acompanhando nas redes sociais tem me mostrado o monstro que o ser humano guarda dentro de si. 

Quando recebi as primeiras notícias do ataque do Hamas em 7 de outubro, duas coisas me vieram à mente: a primeira, que esse ataque teria uma retaliação muito maior ainda e causaria uma dor sem precedentes ao povo palestino que vive na Faixa de Gaza – e isso é o que temos acompanhado nos noticiários infelizmente. E a segunda é que esse acontecimento ia desencadear uma onda enorme de islamofobia no Ocidente. Infelizmente, acertei e ocorreu o que mais eu temia – e mais um. Esse mais um, vamos falar depois. 

No dia 15 de outubro, um menino de 6 anos e sua mãe foram esfaqueados por um homem de 71 anos nos Estados Unidos. A criança não sobreviveu ao ocorrido e morreu. Foram 26 facadas em um corpo tão pequeno e frágil. Motivo? Eram muçulmanos e palestinos… O autor do homicídio e do crime de ódio perpetrou essa ação por serem os alvos muçulmanos e palestinos. 

Os EUA não têm infelizmente uma ficha limpa quando se fala de islamofobia. O ex-presidente daquele país – e agora o pré-candidato à Presidência novamente – Donald Trump foi a encarnação dessa islamofobia quando baniu cidadãos de alguns países do Oriente Médio de viajarem a seu país.

Os ataques e bombardeios sem precedentes e indiscriminados que acontecem na Faixa de Gaza já mataram centenas de pessoas. Segundo a Unicef, um terço dessas mortes são de crianças. Um hospital foi bombardeado. Isso é um crime de guerra, seja praticado por quem for. 

Os ataques e atrocidades praticados por Hamas e Israel não puniram ninguém mais, senão civis inocentes de ambos os lados e as pessoas que partilham da mesma fé mundo afora. Há quem tente justificar o injustificável conflito que atinge milhões de civis. 

O caso piora ainda mais quando esse conflito serve de ocasião para que as pessoas revelem seu antissemitismo ou sua islamofobia. Já vi as piores postagens que me entristeceram por atingirem tanto o povo judeu quanto o povo muçulmano – e em especial palestino. 

Há comentários de que “Hitler devia ter matado todos os judeus” ou que “judeu bom é judeu morto”. Assim como existem postagens e comentários de que “os muçulmanos terroristas já passaram o limite” ou que “é hora de acabar com eles”.

Condeno todos os casos de antissemitismo e islamofobia. Como venho falando aos amigos das comunidades judaica e muçulmana (na qual me insiro), me solidarizo a todos que sofrem preconceito e intolerância. A defesa da autodeterminação do povo palestino não é em detrimento do povo israelense, assim como a defesa do povo israelense não é em detrimento do povo palestino. Quem acha que defender um povo só é possível com a extinção do outro está num caminho abominável. 

A existência de um não é extinção do outro – e não tem que ser.

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