Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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‘Nosso show é antirracista e antifascista’, dizem Charles Gama e Rodrigo Augusto, da Black Pantera

Banda de heavy metal chamou a atenção no Rock in Rio com mensagens fortes

Foto: Divulgação
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O vocalista e guitarrista Charles Gama, o baterista Rodrigo Augusto e o baixista Chaene da Gama causaram um rebuliço no palco Sunset do Rock in Rio. As músicas e mensagens antirracistas chamaram a atenção.

Não é de hoje que os três, que formam a banda de heavy metal Black Pantera, caminham nessa trincheira. “São temas que desde o começo a banda queria trabalhar”, diz Charles. A gente foi evoluindo no tema, com mais profundidade”, completa Rodrigo. “Relatamos coisa que a gente vivencia no nosso dia a dia. A gente mora em periferia. Eu mesmo recebi muita batida policial voltando da escola. Isso vai gerando uma revolta. A gente usa a arte para se expressar”.

A Black Pantera é de Uberaba (MG), tem três álbuns autorais lançados, sendo que o primeiro saiu em 2015 e o último no início deste ano com o nome Ascensão

“Nosso primeiro grande show foi em Paris. Não tínhamos nem tocado nas grandes capitais [do Brasil]”, lembra Charles. A apresentação foi no Festival Afropunk, um dos principais da Europa; eles já se apresentaram também no importante Download Festival, em Leicestershire na Inglaterra.

“Desde o começo a gente sabia que ia tocar nessas feridas”, conta Charles. “Mas foi bem despretensioso. Eu achava que duas, três canções sobre isso seria legal e o resto poderia falar de qualquer coisa. Mas acontece que a coisa tomou uma forma muito grande”. 

O momento atual foi impulso para o Black Pantera reforçar o discurso. “Esse governo só piorou a situação. Parece que soltaram todos os ratos do esgoto”, declara Charles. “A situação ficou cada vez pior. Porque aquele que era racista velado ganhou força. A gente não ia deixar isso barato. O show do Black Pantera é antirracismo e antifascismo total. Isso não é de hoje, mas agora está gritante. A gente está para combater isso com música”, acrescenta o vocalista, ressaltando que “esse negócio de ficar em cima do muro não dá”. 

Para Rodrigo, “é muito difícil falar de temas raciais se você não vive aquilo na pele. Mas você pode estar na luta. Você não precisa ser preto pra lutar contra racismo”.  

Assista a entrevista:

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