Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Homenageado no carnaval, Geraldo Azevedo diz que a folia celebra a democracia

Cantor e compositor pernambucano é destaque no Recife e vê festa em momento especial depois da pandemia e do ‘pandemônio cultural’

Foto: Raul Aragão
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Um frevo de bloco marca o início da carreira de compositor de Geraldo Azevedo. Isso faz 55 anos. A canção chama-se Aquela Rosa e o jovem de 17 anos havia recém-chegado ao Recife, vindo de Petrolina, onde nasceu.

“Existia no carnaval daquele tempo os corsos, que eram desfiles em cima de carros abertos, um atrás do outro. E existia a tradição de um ficar paquerando de um carro para o outro. Como era época [da fruta] pitomba, a gente ficava paquerando jogando pitomba de um para o outro”, lembra. 

“Eu e Carlos Fernando [parceiro na música] nos inspiramos nessa ideia. Mas pitomba não dava para fazer música, então a gente trocou pitomba por rosa”, explica Geraldo, cantarolando na sequência o frevo: “Aquela rosa que você jogou para mim/ Faz hoje um ano, ainda não morreu…”

A música nunca foi gravada em disco por Geraldo Azevedo. Dos nomes conhecidos que registraram o frevo estão Teca Calazans, Eliana Pittman e Quinteto Violado. “Brevemente vou gravar”, garantiu. 

O frevo Aquela Rosa está no repertório de Geraldo Azevedo em suas apresentações no carnaval de 2023. Aliás, o festejo deste ano é especial para um dos grandes músicos brasileiros. É que ele está sendo homenageado pela primeira vez no carnaval da capital pernambucana.

“Estou com uma emoção muito grande depois de passar dois anos de jejum de carnaval e voltar sendo homenageado. Parece uma homenagem dupla”, diz. Por ter um ecletismo musical muito amplo, Geraldo acredita que as pessoas acham que ele não tem a verve carnavalesca: “Mas comecei a minha carreira fazendo frevo”. 

No carnaval, o repertório de Geraldo Azevedo é essencialmente de frevo e a banda é composta por naipes de metais característicos do gênero. Além de composições suas, nas apresentações ele resgata nomes tradicionais, como Edgar Morais e Luís Bandeira. 

“Depois de ter passado a pandemia e o pandemônio cultural e voltar nesse clima com mais esperança no Brasil, sinto a homenagem maior do que merecia”, diz o artista que tem agendado subir em três palcos diferentes no Recife como homenageado nos dias de folia.

“Vai ser um carnaval muito especial. Até porque a gente saiu da pandemia e do pandemônio. Tinha um governo que desvalorizava a cultura. Com este governo novo há uma esperança no ar, com a cultura sendo valorizada, a educação – a gente sentia que alguma coisa que estava travada”, afirma. 

Ele espera um carnaval 2023 de confraternização e fim da polarização política. “Já fiz apresentação de pré-carnaval e senti a expectativa das pessoas para que tudo se celebre com harmonia. Esse carnaval vai ser de celebração da democracia”.

Geraldo Azevedo gravou no final do ano passado um registro audiovisual com Chico César do projeto Violivoz, que começou com shows em 2021 e prossegue neste ano.  “Também estou com muita composição nova. Como as coisas estão acontecendo com mais esperança, tenho vontade de lançar um disco este ano. O momento vai ser muito importante”.

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